Reforma em praça da Vila Matilde causa discórdia entre os moradores

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As praças públicas trazem inúmeros benefícios para a população. Em geral, são espaços que proporcionam o contato com o verde e intensificam o convívio social, mas também são territórios de disputa. A praça Antonio Constantino, no bairro Vila Euthalia, distrito da Vila Matilde, passou por uma reforma iniciada ao final de agosto e concluída no…

As praças públicas trazem inúmeros benefícios para a população. Em geral, são espaços que proporcionam o contato com o verde e intensificam o convívio social, mas também são territórios de disputa. A praça Antonio Constantino, no bairro Vila Euthalia, distrito da Vila Matilde, passou por uma reforma iniciada ao final de agosto e concluída no início de setembro. Ela teve sua estrutura renovada a pedido de quem vive na região e recebeu equipamentos de ginástica, playground e sua quadra poliesportiva melhorada. Durante esse processo, alguns moradores pediram a substituição da quadra por novos aparelhos de ginástica, proposta não foi aceita pela maioria dos frequentadores da praça.

De acordo com indicadores do Observatório Cidadão,  em 2015, dos quatro distritos que compõem a Subprefeitura da Penha, dois deles, Cangaíba e Vila Matilde, possuíam apenas dois equipamentos esportivos. Sendo assim, as praças acabam tendo essa função para os moradores.

Em reunião com representantes da Subprefeitura da Penha, a reforma da praça foi decidida, mantendo a quadra e a instalação dos equipamentos. O espaço também recebeu novos brinquedos para as crianças. Bancos e mesas para jogos de tabuleiros também estavam no projeto, outro ponto de discórdia entre os moradores.

Aline Pereira Souza, 31, atendente e moradora do bairro desde que nasceu, participou da criação de um abaixo-assinado online que exigia o cumprimento da proposta inicial. “Alguns moradores não queriam os bancos alegando que a praça passaria a ser frequentada por usuários de drogas. Não achei justo a nossa ficar sem. Temos idosos e crianças no bairro que precisam dos bancos e mesas. Todas as praças têm. Lutamos para termos também”, afirma Souza.

A decisão da Subprefeitura da Penha foi a de manter a instalação dos bancos e mesas. Com isso, o abaixo-assinado, com apenas 17 apoiadores, não teve validade.

Para Carlos Ferreira, 27, mestrando em comunicação social e morador da região há 17 anos, a reforma tornou o espaço mais atrativo. “Ter colocado os bancos, os aparelhos de ginástica e as mesas para jogos atrai outro público. Agora, estamos vendo mais famílias usando a praça, isso faz com que o espaço público deixe de ser ocioso e passe a cumprir sua função sendo utilizado pelas pessoas”, afirma Ferreira.

O estudante passeia na praça algumas vezes na semana com o seu cachorro. Já seu pai quase que diariamente, acompanhado pelo sobrinho de Ferreira, que costuma usar os brinquedos. “A praça é o lugar em que as crianças crescem e convivem. Eu vivi na praça, hoje tenho 27 anos e mantenho meus laços com o lugar e com as pessoas. Conheci o meu melhor amigo nessa praça. Aqui é um lugar bastante importante para mim, e acredito que para muitos outros também”, diz Ferreira.

Na 7ª edição da pesquisa IRBEM, realizada em dezembro de 2015 pela Rede Nossa São Paulo e pelo Ibope, que analisa a qualidade de vida em São Paulo por meio de indicadores, a nota para Revitalização e Conservação de parques, praças e várzeas existentes foi diminuída em três décimos, de 2015 para 2014, saindo de 4,5 para 4,2.

 

Foto: Carlos Ferreira