Santana/Tucuruvi aumentou em 14% os casos de mortes por câncer no último ano

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Pamela Alves despediu-se de dois familiares por mortes de câncer. Duas perdas apenas no último ano. Aos 26 anos, a jovem ainda vive o luto por seu avô e sua tia, que viviam no Mandaqui, distrito da subprefeitura de Santana/Tucuruvi, na zona norte de São Paulo. O que poderia ser uma triste coincidência para a…

Pamela Alves despediu-se de dois familiares por mortes de câncer. Duas perdas apenas no último ano. Aos 26 anos, a jovem ainda vive o luto por seu avô e sua tia, que viviam no Mandaqui, distrito da subprefeitura de Santana/Tucuruvi, na zona norte de São Paulo.

O que poderia ser uma triste coincidência para a analista de relações públicas, na verdade parece se mostrar como uma constatação. A subprefeitura de Santana/Tucuruvi lidera o número de mortes por doenças de câncer em toda a cidade.

“Meu avô tinha 67 anos e uma vida bem sedentária, com uma rotina de trabalho exaustiva que, com o passar dos anos, adquiriu estafa. Adoeceu aos 60 e durante sete anos lutou contra o câncer no pulmão. A descoberta da doença ocorreu após enfrentar dias com tosse e falta de ar e após passar por uma consulta na UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro”, conta.

De acordo com Pamela, após a descoberta, todo o tratamento foi realizado no Hospital do Servidor Público Estadual, no qual o avô era dependente da esposa, e passou a receber melhores cuidados médicos.

Se de um lado, o número de moradores de Santana/ Tucuruvi diminuiu de 319 mil para 317 mil no último ano, a quantidade de casos de mortes aumentou em 13,8%. Chamada de “mortalidade por neoplasias”, 632 moradores da região perderam suas vidas em 2015 por conta da doença — para cada 100 mil habitantes, de acordo com o Observatório Cidadão.

“Minha tia descobriu o câncer um ano antes do seu falecimento, aos 57 anos. Tomava remédio para depressão e ansiedade, e, nos últimos anos, apresentava problemas renais e no intestino”, afirma.

Pamela considera a região do Mandaqui boa para se viver, mas acredita que há uma carência de UBSs que funcionem 24 horas por dia, ou que tenham melhor atendimento. “Na região há poucas unidades, o que acaba sobrecarregando o Hospital Estadual do Mandaqui, considerado o maior da zona norte”, reclama Pamela.

Ainda de acordo com o Observatório Cidadão, a subprefeitura de Santana/Tucuruvi possui apenas oito UBS, considerado um dos seis piores índices em toda a cidade.

Além dos familiares, Pamela também presenciou outros casos de mortes no bairro. “Minha vizinha faleceu há dois anos por conta de um câncer no pulmão. Ela fumava, porém tinha uma vida bem ativa. Outra morte com a mesma causa foi de um vizinho de 77 anos. Outra tia faleceu há dois anos com câncer no cérebro”, afirma.

Santana/ Tucuruvi, no entanto, não está sozinha nessa lista. A subprefeitura da Mooca, na zona leste da capital, ocupa a segunda colocação no ranking. Das 357 mil pessoas que vivem no local, 710 delas morreram por causa do câncer em 2015.

 

“Na região há poucas unidades, o que acaba sobrecarregando o Hospital Estadual do Mandaqui, considerado o maior da zona norte.”

 

No Brasil, estima-se que 2016 se encerre com cerca de 600 mil casos, de acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer José de Alencar). Desse total, as mulheres terão maior incidência, com 300.870 novos casos, enquanto nos homens são esperados 295.200.

Em ambos os sexos, o tipo de câncer mais recorrente é o de pele, que chegará até o final do ano a 29%. Entre o sexo masculino, o vilão tem sido o de próstata, ao contrário do de mama, nas mulheres. No mundo, atualmente, 8,2 milhões de pessoas morrem todos os anos por conta do câncer.