Em 10 anos, o M’Boi Mirim viu grandes transformações na mobilidade

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No passado, a ausência de corredores ônibus poderia ser parafraseada em “corre a dor”. Eliane Santos Paiva quem o diga. Enquanto na Bahia a palavra trânsito podia ser ouvida apenas na tevê, assim que se mudou para São Paulo, a baiana de 32 anos sentiu na pele o que é viver literalmente parada. Moradora do…

No passado, a ausência de corredores ônibus poderia ser parafraseada em “corre a dor”. Eliane Santos Paiva quem o diga. Enquanto na Bahia a palavra trânsito podia ser ouvida apenas na tevê, assim que se mudou para São Paulo, a baiana de 32 anos sentiu na pele o que é viver literalmente parada.

Moradora do distrito do Jardim Ângela, na zona sul da capital, Eliane não tem dúvida do que mais teve melhorias no bairro. “O trânsito! Era muito ruim quando não existiam os corredores, tanto para ir trabalhar quanto para voltar”.

Há dez anos vivendo na região administrada pela Subprefeitura do M’Boi Mirim, o endereço de Eliane, em um passado não tão distante, costumava aparecer no noticiário em evidência, seja pelos congestionamentos na avenida M’Boi Mirim ou pelo número de mortes no lugar que já foi considerado o mais violento do mundo.

“Eu precisava entrar às sete horas no trabalho, em Santo Amaro – também na zona sul. Para isso eu tinha que sair de casa às cinco e ainda assim eu chegava atrasada, às vezes”, afirma a dona de casa.

A época de ter que descer do ônibus e seguir à pé ou temer a descrença da patroa quando culpabilizava o atraso por conta do trânsito terminou e Eliane agora comemora. “Hoje, no mesmo trajeto, eu gasto geralmente meia hora, 40 minutos, no máximo”, garante.

A construção de corredores é a meta número 93 no Programa de Metas 2013-2016 dos quais estava prevista a construção de 150 km de novos corredores em toda a cidade. Instalados à esquerda, eles possuem paradas maiores e não compartilham a via com veículos que realizam conversões nos cruzamentos.

Como parte do Programa de Metas, foram requalificados 8 km do novo corredor, que faz a ligação expressa para o transporte público entre a avenida Vitor Manzini e o Terminal Jardim Ângela, de acordo com o site Planeja Sampa. No entanto, sem estação de metrô ou trem, o Jardim Ângela conta com apenas um terminal de ônibus.

Nome indígena

Com 295 mil moradores, o distrito do Jardim Ângela, ao lado do Jardim São Luís, com 267 mil habitantes, compõem a Subprefeitura do M’Boi Mirim.

Com nome de origem indígena, M’Boi Mirim significa rio das cobras pequenas e começou a ser povoado em 1607. Foi nesse período que se instalou à beira do rio Pinheiros a aldeia de mesmo nome, bem como o Engenho de Nossa Senhora da Assunção de Ibirapuera e a primeira extração de minério de ferro da América do Sul.

Dez anos depois de ser considerado o distrito mais violento do mundo pela Organização das Nações Unidas, o título atribuído ao Jardim Ângela ficou para trás. No entanto, atualmente o distrito de mesmo nome amarga a 94º colocação no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) entre os 96 existentes em São Paulo.

Enquanto isso, o número de internações de mulheres de 20 a 59 anos por causas relacionadas a possíveis agressões, por 10 mil mulheres nessa faixa etária, despencou de 165 para 73 casos, de 2014 para 2015. Já a quantidade de idosos agredidos, com 60 anos ou mais, diminuiu 60 %, no mesmo período.

Saúde e educação

Para Eliane, no entanto, um dos principais problemas da região é a saúde. “O que acho de ruim, embora eu acredite que seja geral, são os atendimentos médicos. Às vezes ficamos doentes e preferimos nos tratar em casa, pois o atendimento é muito demorado”.

No campo da educação, embora tenha havido um aumento de 39,85 para 61,04 no número geral de vagas atendidas em creches, de 2014 para 2015, a subprefeitura do M’Boi Mirim deteve um dos piores índices em toda a cidade, de acordo com o Observatório Cidadão. Segundo a Prefeitura, no entanto, foram oferecidas 5100 vagas e instaladas 35 novas creches na região.

 

Foto: Cesar Ogata/ SECOM