Batizada com nome de árvore, Sapopemba é a subprefeitura mais jovem da cidade

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Aos 11 anos de idade, Nilza Onésio de Oliveira teve se primeiro contato com Sapopemba. Desde então, lá se vão mais de seis décadas de vida vivendo no distrito que também dá nome à subprefeitura. “Sabe toda a evolução de Sapopemba? Eu participei dela”, afirma, categórica, a aposentada, de 74 anos. Na zona leste de…

Aos 11 anos de idade, Nilza Onésio de Oliveira teve se primeiro contato com Sapopemba. Desde então, lá se vão mais de seis décadas de vida vivendo no distrito que também dá nome à subprefeitura. “Sabe toda a evolução de Sapopemba? Eu participei dela”, afirma, categórica, a aposentada, de 74 anos. Na zona leste de São Paulo, o bairro de Sapopemba nasceu em 1910. Em 1985 virou distrito, quando se separou da Vila Prudente, e em 2013 ganhou, finalmente, uma subprefeitura.

“Sapopemba cresceu de maneira organizada? Não. Assim como outros lugares da periferia de São Paulo. Mas dentro do limite”, questiona Nilza, respondendo a si mesma, em seguida.

Caçula entre as 32 subprefeituras, a unidade foi inaugurada em 2013, praticamente dez anos depois das demais, estabelecidas e criadas por lei em 2002.

Sapopemba foi batizada com o nome da árvore originária da Amazônia, a sapopema, que desenvolve raízes de até dois metros de altura em seu tronco. Atualmente, o distrito possui 51 bairros, como Jardim Grimaldi, Vila Bancária e Fazenda da Juta. Neles residem quase 300 mil moradores que transitam, em parte, pela mais conhecida e recordista avenida do Brasil. A Avenida Sapopemba, além de via mais extensa do país, está no entre as três maiores do mundo. São 45 quilômetros de extensão, 221 quadras com casas que vão até o número 31.000.

A Fazenda da Juta, onde vive Nilza, tem, inclusive, hino, cantarolado pela aposentada, também sindicalista: “Juta, Juta, que a vitória vem da luta”.

Em junho deste ano, a Prefeitura de São Paulo divulgou em seu portal que realizou a regularização fundiária da Fazenda da Juta. Desde a década de 80, quando foi ocupada, os moradores reivindicavam por essa demanda. O bairro tem hoje 516 mil metros quadrados e 3.318 lotes nos quais moram 5.000 mil famílias.

Ainda segundo o comunicado, “a partir da regularização da Fazenda da Juta, os moradores do bairro poderão registrar seus imóveis, recebendo a escritura definitiva da propriedade. Por estarem situados dentro de uma ZEI (Zona Especial de Interesse Social), esses imóveis podem  receber abatimento de até 75% dos impostos para regularização do imóvel”.

Nilza, que divide seu tempo também como conselheira do CAE (Conselho de Alimentação Escolar), chama atenção para algumas lacunas na região. “Precisamos de um centro esportivo e de mais espaços culturais, como um teatro. Temos um CEU (Centro Educacional Unificado), mas faltam espaços mais pertencentes aos moradores, para onde o pessoal possa ir à vontade”, diz.

Segundo dados atualizados do Observatório Cidadão, os equipamentos esportivos públicos na subprefeitura de Sapopemba diminuíram de 10 para 8, entre 2014 e 2015, enquanto a quantidade de equipamentos culturais registrou zero, em relação a salas de cinema, de concerto.

Em contrapartida, a expectativa de vida teve aumento: saltou de 62,3 para 63,07, no mesmo período. É o índice mais alto desde 2006, quando marcou 58,4. Outro dado positivo foi a queda, pela metade, no número de agressões a mulheres, de 67 para 30 — dentre a faixa da população feminina de 20 a 59 anos. Também a se comemorar foi a demanda em creches atendidas na região, com aumento de 5.912 para 6.793, também no último ano.

“A subprefeitura é nova. A população precisa se organizar cada vez mais para reivindicar projetos para a região. Se não há organização, como vamos estabelecer planos e pensar em emendas para que o subprefeito possa atuar?. Estamos, nesse momento, batalhando para ter um fórum que possa atender as mulheres, como já existe em Itaquera”, complementa a aposentada.

Sapopemba é administrada pelo subprefeito Nereu Marcelino do Amaral. Antes de assumir o cargo, o paranaense, que desde 1991 trabalha na Prefeitura de São Paulo, atuou em diferentes cargos na CET (Companhia de Engenharia e Tráfego).

 

Foto: CBN