Penha tem diferenças socioeconômicas entre os seus distritos

Publicado em Categorias PenhaTags

Share this... “Gosto do meu bairro, pretendo ficar aqui até morrer, mesmo”, diz Flávia Lima. Aos 38 anos, ela sempre viveu no Jardim Nordeste, no distrito de Artur Alvim, subprefeitura da Penha. A subprefeitura abriga ainda outros três distritos: Cangaíba, Penha e Vila Matilde. O quarteto computa taxas populacionais bastante similares. Vila Matilde é o…

Share this...
Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on TumblrPin on Pinterest

“Gosto do meu bairro, pretendo ficar aqui até morrer, mesmo”, diz Flávia Lima. Aos 38 anos, ela sempre viveu no Jardim Nordeste, no distrito de Artur Alvim, subprefeitura da Penha.

A subprefeitura abriga ainda outros três distritos: Cangaíba, Penha e Vila Matilde. O quarteto computa taxas populacionais bastante similares. Vila Matilde é o menos populoso, com 105 mil moradores, enquanto o Cangaíba, com 137 mil, é o mais habitado. O mesmo não pode ser dito sob a ótica econômica. O distrito da Penha, junto com os vizinhos  Tatuapé, Anália Franco e Mooca, foi apelidado de “elite da zona leste paulistana”.

Do outro lado da ponte sobre o rio Aricanduva e distante do cinturão “privilegiado”, de m² a preço de R$ 4.700 — quase R$ 1.000 superior ao vizinho menos abastado, segundo sites especializados em preço de imóveis –, Flávia garante que nunca cogitou mudar de endereço. “Nunca quis sair do Jardim Nordeste. Morei com meus pais até me casar e alugar uma casa no bairro mesmo”, afirma.

“O bairro me atende, pois sou aquela pessoa que só trabalha e vai ao mercado, feira, farmácia. Mas, para os adolescentes, precisa de mais opção, ou eles continuarão migrando para o centro”, completa a contadora de formação.

Assistente administrativa do Sindicato dos Metroviários, Flávia afirma que o lazer e a cultura tiveram melhorias na região, especialmente na gestão do governo Fernando Haddad (PT), mas ainda está distante de ser o ideal.

“Onde moro tem uma praça, a Santa Quitéria. É um espaço muito bom, de verdade. Vez em quando, alguma ‘igreja evangélica’ fazia um coral por lá, mas não teve muita adesão”, sorri. “A garotada que pode, pega busão e metrô e vai para o centro, atrás de mais opções  de cinema, apresentações ao ar livre, parques. O Sesc é uma boa, mas só atende quem é comerciário. Eu vejo muitos espaços mal aproveitados (sic)”.

De acordo com o Observatório Cidadão, em 2015 haviam apenas seis equipamentos culturais públicos disponíveis aos 465 mil habitantes da Subprefeitura da Penha — índice de 1,29, considerado abaixo da média.

“Quando eu tinha 19 anos, ia na estação São Bento ver os meninos dançarem break, assim como na [avenida] Paulista e na [rua] Augusta. Sempre me identifiquei muito com o centro. Hoje, vejo meus sobrinhos e primos fazendo a mesma coisa. Vão ao Parque do Ibirapuera por acharem mais ‘bonito’, sendo que temos o Parque do Carmo aqui do lado de casa”, relembra.

Vaga no grito

Do parque para a sala de aula, casada e mãe de três filhos, Flávia revela que já teve que recorrer até mesmo ao Ministério Público para conseguir vaga para a escola dos filhos.

“O mais velho, Felipe, hoje com nove anos, sempre ficou na creche porque eu consegui a vaga no ‘grito’. Eram muitas crianças para poucas creches. Naquela época, por ser filho único, eu ainda bancava colégio particular”, conta.

“Em 2012 nasceu a Isabela, e também foi difícil conseguir creche para ela. Foram oito meses de espera. Ela está ainda no CEI Galileu Menon. Já o terceiro, Nicolas, tem 2 anos e também está no CEI Menon”, diz. Para o caçula, afirma a contadora, foi um “pouco” mais fácil. Ou menos difícil.

De acordo com o Observatório Cidadão, o número de matrículas efetuadas em creches na subprefeitura saltou de 8.318 para 9.296, de 2014 para 2015. Diferentemente, da demanda atendida em pré-escolas, que despencou de 7.299 para 6.889, no mesmo período. “No geral, sinto que estamos muito deficientes em CEIs, EMEIs. As professoras estão no limite. Chega a ser mais de 30 crianças por sala”, diz.

Da sala de aula para o posto de saúde, Flávia celebra o convênio médico à sua família. “Felizmente aqui no sindicato temos convênio médico, então eu utilizo os hospitais da rede credenciada. Porém, nunca consigo medicamentos no posto, nem amoxicilina, que é um antibiótico básico”, reclama.

Neste ano, após uma onda de reclamações de usuários, o Ministério Público de São Paulo e o Conselho Regional de Farmácia confirmaram a ausência de medicamentos na rede pública de São Paulo e pediram explicações ao Estado e ao município.

“Se eu perder o emprego e, consequentemente o convênio, sei que enfrentarei uma barra. Minha mãe aguarda uma cirurgia de vesícula há três anos. Já até acionei ouvidoria, mas nada. Ela fala que se ‘Deus quer assim…’. As pessoas acabam se conformando com a falta de serviços básicos (sic)”, lamenta.

Em termos gerais, a saúde na região teve melhorias. Aumentaram o número de leitos hospitalares e houve redução na morte infantil. Também declinaram mortes por problemas respiratórios e por causas mal definidas.

 

Foto: Flickr