Moradores falam de agressões a crianças e adolescentes no extremo norte da cidade

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Desde 2013 o número de internações de crianças de 0 a 14 anos por motivos relacionados a possíveis agressões vem caindo na região do Jaçanã e do Tremembé, extremo norte da capital. Em 2013 foram 84 casos e em 2015, a quantidade caiu drasticamente para 17. É o que apontam os dados mais recentes do…

Desde 2013 o número de internações de crianças de 0 a 14 anos por motivos relacionados a possíveis agressões vem caindo na região do Jaçanã e do Tremembé, extremo norte da capital. Em 2013 foram 84 casos e em 2015, a quantidade caiu drasticamente para 17. É o que apontam os dados mais recentes do Observatório Cidadão. Porém, alguns moradores e profissionais da Subprefeitura Jaçanã/ Tremembé discordam de que houve essa diminuição.

“Aqui no SASF (Serviço de Assistência Social às Famílias) Tremembé eu não vejo diminuição nos casos de violência contra crianças e adolescentes. Eu não tenho levantamento exato, mas pelo que posso perceber no nosso trabalho, não teve. Desde 2013 estou aqui e é estável. Recebemos casos de crianças e adolescentes que sofrem violência, não só física, mas também emocional. Talvez as internações possam ter caído porque o Hospital São Luiz Gonzaga diminuiu o número de atendimentos. A gente não sabe se os profissionais de saúde estão conseguindo notificar casos de internação por violência”, explica a psicóloga Rosângela Silva, 43.

A assistente social Marilda Rodrigues Silva,52, acredita que o acompanhamento de algumas famílias por serviços como o SASF são um dos fatores que podem ter influenciado a diminuição de internações. “Eu também não conhecia essa informação. Aqui no SASF nós fazemos visitas frequentes, orientações. As famílias temem que nós levemos adiante qualquer coisa. Como todo mês há visita nas casas, as famílias estão ponderando mais e diminuindo  agressões físicas e psicológicas. Essa queda pode ser também devido às atividades com as crianças, com as famílias, participando mais de rodas de conversa. Ao invés de ficarem nas ruas, as crianças vem aqui para o Serviço.

Assim como o acompanhamento de famílias, a divulgação de ações de conscientização é um ponto observado pela jornalista Izis Bispo, 30, mãe de uma menina de cinco anos. “Eu não sabia dessa informação e acho que isso pode ter ocorrido talvez pelo aumento das informações a respeito desse assunto. Acho que de alguns anos para cá a divulgação de informações de conscientização sobre o tema vem aumentando muito”, diz.

Na observação das assistentes sociais, a violência contra crianças e adolescentes pode ser mais comum quando a mulher, que já foi mãe, se une a um novo companheiro. “Já vi casos de brigas entre padrastos e enteados, de companheiros que agridem mulheres e filhos delas”, exemplifica Eliete Vieira, 37. “O perfil de alguns casos muitas vezes são de companheiros, às vezes usuários de álcool e/ou outras drogas que se unem com mulheres que já tinham filhos de relacionamentos anteriores e muitas vezes agridem as mulheres e os filhos delas”, diz Marilda.

O medo de conciliar filhos e um novo relacionamento é algo observado pela dona de casa Marineide Ferreira de Souza, 59, mãe de três filhos adultos e avó de seis netos “Quando me separei, há muitos anos, eu tinha muito medo de casar de novo, tendo duas filhas e um filho, por ouvir histórias de agressão de madrastas e padrastos. Mas conheci o meu marido e ele nunca levantou a mão para os meus filhos, que sempre respeitaram ele. Acho que o número de agressões diminuiu porque hoje em dia tem mais lugares para as crianças ficarem depois da escola, como creches conveniadas, CCAs (Centro de Convivência de Crianças de Adolescentes). Na época dos meus filhos não tinha, mas agora tem para meus netos”, finaliza.

 

Foto: Rafael Neddermeyer