Há dez anos, moradores da Cidade Ademar carecem de livros em acervo municipal

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Desde os 12 anos, a operadora de trem, Zilda Marinho, 53, é apaixonada por leitura. Mas, encontrar livros onde mora, na Cidade Ademar, zona sul de São Paulo, sempre foi um grande desafio. O distrito, junto com Pedreira, forma a subprefeitura de Cidade Ademar, que segundo o Observatório Cidadão não possui nenhum livro em acervo municipal.

Desde os 12 anos, a operadora de trem, Zilda Marinho, 53, é apaixonada por leitura. Mas, encontrar livros onde mora, na Cidade Ademar, zona sul de São Paulo, sempre foi um grande desafio. O distrito, junto com Pedreira, forma a subprefeitura de Cidade Ademar, que segundo o Observatório Cidadão não possui nenhum livro em acervo municipal.

A Cidade Ademar é a única entre as 32 subprefeituras da cidade que não têm nenhum livro nos acervos de obras infanto-juvenis, para a população entre 7 e 14 anos, e obras adultas, para a população com 15 anos ou mais. Os indicadores zerados são da série histórica, que começa em 2006 e 2015. A meta da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura)  é de dois livros per capita.

Zilda passa por menos dificuldades que os demais moradores da região por um simples motivo: ela tem a sua própria biblioteca. “Tenho mais ou menos uns 500 livros e empresto muitos”, explica. E esse acervo particular, com obras de diversos gêneros, deve aumentar. Zilda costuma comprar livros com frequência e gosta de emprestá-los para parentes e amigos. “Livros parados são inúteis”, explica.

Segundo ela, a leitura é contagiosa. “Tem crianças na família e como todos em casa leem, elas aprendem a ler cedo. Minha neta, de dois anos, já gosta de livros”, diz a avó orgulhosa.

Os dados do Observatório Cidadão mostram que a subprefeitura de Cidade Ademar tinha, em 2015, 324.838 habitantes acima de 15 anos e 47.678 entre 7 e 14 anos. Para estar dentro da meta da Unesco seriam necessários quase 650 mil livros para adultos e quase 96 mil infanto-juvenis.

Enquanto não há livro nenhum disponível em acervos municipais, os moradores se viram como podem. A dona de casa Maria Santana, 53, e seu filho, Francisco Santana, 15, também são apaixonados por leitura. Quando precisam de livros, pedem emprestados à Zilda.

“Quando precisamos de algo mais didático vamos à biblioteca do Jabaquara”, explica a dona de casa. Ela lamenta a falta de um espaço parecido em seu bairro. O distrito vizinho pertence à subprefeitura do Jabaquara, que tem uma média de 0,214 livros para cada habitante de sete anos ou mais.

Francisco também costuma utilizar a biblioteca da Escola Estadual Heloísa Carneiro, onde estuda. “É uma biblioteca tímida, mas muito boa”, reconhece a mãe do aluno do 1º ano do Ensino Médio.

Plano de metas

O Plano de Metas 2013-2016 da prefeitura apresenta 31 metas relacionadas à subprefeitura de Cidade Ademar. Entre elas está a construção de escolas infantis (EMEI), mas nenhuma das metas têm como proposta a construção de uma biblioteca municipal ou um Centro Cultural na subprefeitura. O CEU é uma das reivindicações mais antigas da população local.

 

Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil