Museu Penitenciário abriga Harley-Devidson e micro-ondas feitos por presos

Publicado em Categorias Cultura, Santana/Tucuruvi

Nas paredes, além dos quadros, há fotografias de vários momentos do Pavilhão do Carandiru

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Carandiru. Quem escutar esse nome dificilmente pensará em cultura ou lazer, mas na antiga Casa de Detenção onde ocorreu o massacre que vitimou 111 presos em 11 de outubro de 1992. Próximo ao local, onde atualmente está construído o Parque da Juventude, também está o Museu Penitenciário Paulista.

Por lá está exposta uma Harley-Devidson. Em miniatura, é claro. Produzidas pelos presos como terapia. Há também réplicas de armas confeccionadas com materiais encontrados nos estabelecimentos prisionais.

Assim como outros museus, o Museu Penitenciário também tem obras de arte: em sua maioria, óleos sob tela. A maior parte deste acervo é da década vinte e foi produzida por presos comuns. Hoje, o trabalho com pintura é mais freqüente entre presos psiquiátricos.

O improviso também está presente em várias peças. É possível encontrar um micro-ondas que não é de nenhuma marca. Ele foi fabricado pelos próprios detentos e era utilizado para esquentar a comida.  O material? Fórmica. “Nós deveríamos aprender reaproveitamento (de matéria prima) com os presos” brinca a guia Luna, que trabalha no museu há um ano e meio.

Nas paredes, além dos quadros, há fotografias de vários momentos do Pavilhão do Carandiru, como por exemplos registros de shows que artistas como Rita Cadilac e Raúl Gil realizaram para os detentos. A dançarina de TV, inclusive, acabou recebendo o título de madrinha dos detentos.

Ficha do escritor Monteiro Lobato, preso na época do Estado Novo Foto? Museu Penitenciário Paulista
Ficha do escritor Monteiro Lobato, preso na época do Estado Novo  Foto: Museu Penitenciário Paulista

No museu também se descobre um pouco da história do sistema penitenciário de São Paulo e de como ele, em algum momento, já foi vanguarda. No início do século passado, as prisões de São Paulo foram pioneiras em trabalhar com a ressocialização. As celas individuais não eram luxo e sim regra. O padrão era que as prisões tivessem bibliotecas, marcenarias e até uma casa para o diretor num terreno próximo da cadeia.

O Museu existe desde a década de 20, mas segundo os próprios funcionários é a primeira vez que o acervo fica em lugar de fácil acesso. Ele já chegou a ficar exposto em penitenciárias e até mesmo em salas da Secretaria de Administração Penitenciária.

A transferência para o bairro do Carandiru, hoje sob supervisão da subprefeitura de Santana/Tucuruvi, ocorreu em 2014 e contribuiu para aumentar as opções culturais da região. Segundo dados do Observatório Cidadão, entre 2006 e 2015 o número de museus na região passou de dois para seis.

Hoje a instituição chega a receber 600 pessoas por mês. A maioria é alunos de escolas que chegam para excursões. A professora Patrícia Sponton, 35, estava com um grupo de cerca de vinte alunos de uma escola municipal e disse que é a terceira vez que ela vai ao espaço, mas a primeira acompanhando estudantes. “Eles [os alunos] vão fazer um trabalho sobre o sistema penitenciário e aqui é o lugar certo. Gosto muito dos quadros. São maravilhosos”, afirmou.

O Museu Penitenciário Paulista funciona de segunda à sexta-feira, das 11h às 16h. Às quartas-feiras é exibido um filme selecionado sobre a história do sistema penitenciário sempre às 16h. O local possui acessibilidade e banheiro para pessoas com deficiência.

 

Foto: Museu Penitenciário Paulista