“Achei horrível”, diz moradora sobre PL que prevê que Praça Roosevelt vire um parque

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De acordo com moradores e líderes de movimentos contra a medida, não houve consulta nem debate prévio para consenso sobre a decisão

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Do alto do seu apartamento no centro da capital paulista, Caroline Costa, 29, consegue facilmente contemplar a vista, panorâmica e quase sempre efervescente, de um dos cartões postais da cidade: a Praça Roosevelt. Porém, essa visão privilegiada pode ganhar novos tons, caso seja aprovada um projeto de lei que corre, desde agosto deste ano, na Câmara de Vereadores. O PL 421/16 propõe o fechamento da praça para torná-la parque.

De acordo com moradores e líderes de movimentos contra a medida, não houve consulta nem debate prévio para consenso sobre a decisão. “Ouvi rumores. Uma vez o namorado de uma amiga foi em casa e disse ‘vão fechar isso aqui’. Também li coisas no Facebook. Achei horrível”, afirma Caroline, que vive há menos de um ano na Roosevelt.

“A Roosevelt é um dos melhores lugares de São Paulo para mim. É viva. Se tivesse que escolher entre a [avenida] Paulista e a Roosevelt, por exemplo, sem pensar, eu escolheria a Roosevelt mil vezes”, diz Caroline.

Também contrária ao PL, Mariana Pereira, 33, é uma das criadoras do movimento “Praça Roosevelt para Todxs”. Moradora do bairro Campos Elísios, pertencente à Subprefeitura da Sé, Mariana defende que a praça precisa continuar sendo “livre” e “democrática”, embora reconheça que existam problemas que precisam ser resolvidos.

“Para isso fizemos seis reuniões abertas na praça. Conversamos com vários grupos e distribuímos centenas de panfletos. Ninguém quer que a praça seja fechada. Entendemos a questão do barulho à noite, que incomoda muitos moradores, mas é preciso haver debate. Cercar e privatizar não são a solução”, afirma a produtora gráfica.

Para endossar a campanha, Mariana criou ainda o “Abrace a Roosevelt”, uma espécie de piquenique aberto que acontecerá no próximo domingo, 18, das 14h às 18h. “Queremos realmente abraçar a praça. Teremos um varal de desejos para que as pessoas escrevam e, assim, gerar histórico do que é a praça. Sem contar, grupos de tricô e até dança com cadeirantes, para abordar a acessibilidade”, afirma.

Em setembro 2012, o local foi aberto após permanecer por dois anos para reformas. A reinauguração mudou o espaço, mais de 260 árvores foram plantadas, luminárias, quiosques, banheiros públicos e policiamento foram instalados.

O documento do projeto de lei sugere que a praça seja transformada em parque para que haja mais rigor sobre o local:  “com ocupação do espaço pelo poder público a fim de conservar e fiscalizar o uso adequado, certamente haverá menos gastos em longo prazo (…) além de propiciar melhoria da qualidade de vida dos moradores do entorno ao permitir-lhes o sossego noturno assegurado pelo Programa de Silêncio Urbano (PSIU)”.

De acordo com a justificativa do documento “sem horário de fechamento, o espaço é motivo de transtorno para os moradores do entorno que não têm mais sossego sequer para ter uma noite de sono tranquila”. Veja aqui o texto completo.

A analista de sistemas Caroline garante já ter se acostumado aos eventos e ao barulho, mas enfatiza ser contrária aos novos rumos da praça. “A Roosevelt é uma praça e não um parque, então não tem que ser tratada como tal. Precisa permanecer aberta 24h, porque é para o povo e o povo vive independentemente de horário e grades”, diz a analista de sistemas.

Petição e seminário

No portal Avaaz, uma das principais plataformas de petições online no mundo, um abaixo-assinado mobiliza 1.000 assinaturas contra a proposta de fechamento da praça. Até o momento, a campanha conta com 557 assinantes. Confira aqui.

Segundo Mariana, de acordo com o vereador Eliseu Gabriel (PSB), em reuniões realizadas, houve a decisão de que o PL não avance na Câmara até a realização de um seminário, previsto para março de 2017, que pretende debater os rumos da praça.

“Estamos organizando este seminário para que diferentes grupos falem sobre suas perspectivas em relação à praça, com as pessoas ouvindo o ponto de vista de cada um”, finaliza Mariana.

 

Foto: Caroline Costa