Conhecida mundialmente, Itaquera enfrenta problemas na área da saúde

Publicado em Categorias ItaqueraTags

Share this... Cristiane Alves, 20, nasceu no bairro de Itaquera, no extremo leste da capital, e vive na Gleba do Pêssego, considerado um dos locais mais vulneráveis da região. O fácil acesso a estabelecimentos comerciais e a áreas de lazer, como o Parque do Carmo e o Sesc Itaquera, são alguns dos pontos positivos de…

Share this...
Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on TumblrPin on Pinterest

Cristiane Alves, 20, nasceu no bairro de Itaquera, no extremo leste da capital, e vive na Gleba do Pêssego, considerado um dos locais mais vulneráveis da região. O fácil acesso a estabelecimentos comerciais e a áreas de lazer, como o Parque do Carmo e o Sesc Itaquera, são alguns dos pontos positivos de se viver na região, segundo a assistente de projetos.

Sobre as possíveis diferenças em relação às regiões vizinhas, Cristiane defende a facilidade de acesso gerada pelo metrô.  Embora haja o fácil acesso, o transporte público está ainda muito distante de ser considerado o ideal. “Só circulam três linhas de ônibus na minha região. Cada um demora uma hora. Sair para outro lugar é complicado”, afirma.

Explorando Itaquera a partir dos dados do Observatório Cidadão, é possível perceber que a região possui um dos menores índices de população em situação de rua, em relação ao total de habitantes de cada prefeitura regional. Em 2015, foram apenas 36. Diferentemente da Sé, a líder no assunto, com 3.863.

O atendimento em creches também apresenta bons números. Mais de 15 mil crianças foram matriculadas no ano passado, ante 14 mil do ano anterior, e apenas 4 mil em 2007.

Internações de mulheres de 20 a 60 anos em decorrências de possíveis agressões caiu de 70, em 2014, para 29, no ano seguinte. Uma das regiões com o menor número de registros.

Já no quesito saúde, embora tenha mantido a quantidade de Unidades Básicas de Saúde em 23, não há nada o que comemorar em relação a outros indicadores. Aumentaram, por exemplo, os casos de mortes por causas indefinidas, por problemas no aparelho respiratório e circulatório, e também de câncer. Além disso, caiu de 62,22 para 61,67 a expectativa de vida para os itaquerenses.

Teto de vidro

Para Cristiane, a prefeitura regional local parece atuar de forma “invisível”.“Meus pais não sabem nem onde ela fica. Não conseguimos ver atuação, só quando é algo mais burocrático. Todo  crédito é dado à Prefeitura”, comenta.

Ainda segundo a jovem, é preciso visibilidade para que a população local se aproprie dos espaços de lazer que existem no território. “A prefeitura regional não explora isso. Temos o Parque Linear, que é bonito, fica perto do metrô Itaquera, mas ninguém conhece. O Parque do Carmo só ficou mais conhecido depois de um show da Pitty, na Virada Cultural. Poderia ser muito mais aproveitado”, sugere.

Um olho no passado

Seguir em direção à história de Itaquera é se deparar com uma informação já, no mínimo, curiosa: não se sabe ao certo quando a região foi fundada. A primeira referência ao local, apontam historiadores, surgiu lá pelos idos de 1686, em uma Carta de Sesmaria — lei de mesmo nome que ajudava no avanço da agricultura de terras abandonadas. Certeza ou não, o mesmo não pode ser dito sobre a origem do nome Itaquera: do tupi, “pedra dura”.

O bairro começou a receber seus primeiros habitantes em 1820, em um rancho chamado “Casa Pintada”, considerado o ponto de parada de viajantes. Só 50 anos depois mais gente passou a ocupar aquelas terras, especialmente com a inauguração da estação de trem. É por conta dessa ferrovia que os moradores passaram a celebrar o aniversário da região no mesmo dia de funcionamento da estação, em 6 de novembro de 1875.

Com 141 anos de vida, tanta história trouxe também muita gente para o território itaquerense. Atualmente, é a região mais populosa da zona leste, com 534 mil moradores, e a segunda da capital paulista, atrás apenas do Campo Limpo, com mais de 600 mil.

Em uma comparação básica, Itaquera tem população superior a São José dos Campos, no interior de SP, com 372 mil moradores; também é dez vezes maior que a cidade paulista de Andradina, que possui pouco mais de 55 mil habitantes.

Não à toa, o distrito homônimo é o mais habitado dos quatro que formam Itaquera. Mais de 204 mil habitantes vivem em um dos 28 bairros existentes por lá. Cidade Líder segue na lista, com 126 mil e 15 bairros, enquanto José Bonifácio garante 124 mil e 19 bairros, e, por fim, Parque do Carmo, 68 mil pessoas e 13 bairros.

Em 2010, Itaquera ganhou fama mundial com a construção da Arena Corinthians. Erguido em torno da Estação Corinthians-Itaquera do metrô e da CPTM, o popular Itaquerão foi cenário para várias partidas do Copa do Mundo de 2014.

A construção, no entanto, é contestável. “Muitas pessoas acham que a Copa do Mundo trouxe nobreza. Uma mentira. Ela trouxe prejuízo, mais trânsito, mais lugares alagados, ocupações pegando fogo. O bairro ficou mais vulnerável”, lamenta Cristiane.

Cidade Líder também sabe o que é ter fama internacional.  É o distrito onde está o maior shopping center da América Latina, o Centro Comercial Leste Aricanduva. É preciso explicar, porém, que, embora receba o nome de outro distrito, também na zona leste, o Aricanduva, pertence à Cidade Líder.

Outra confusão também acontece com José Bonifácio, mais conhecido como “Cohab”. Há quem garanta que ele esteja localizado em Itaquera. O distrito é marcado pela imensa quantidade de prédios populares, os conjuntos habitacionais.

Também batizado com o nome do segundo maior parque da Grande São Paulo, o distrito do Parque do Carmo recebe visitantes que desfrutam não apenas do verde da área, como também do Sesc Itaquera. Outra confusão.

 

Foto: Pedro Mendonça/ Flickr