Distância de teatros é um problema para moradores da periferia da zona sul

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O acesso à cultura ainda é privilégio de poucos em São Paulo. Enquanto o centro da cidade concentra as mais variadas opções de lazer, a população da periferia tem que enfrentar horas de trânsito, seja em seu próprio automóvel ou no transporte público, para usufruir do direito à cultura. Quanto mais longe o bairro é da região central, mais dificultoso. Um dado detectado pela última pesquisa Irbem aponta que a área Sul 2, que engloba prefeituras regionais como Campo Limpo, M’ Boi Mirim, Capela do Socorro, Parelheiros e Cidade Ademar,  tem nota 2,9 em relação à proximidade com teatros. Enquanto isso, a Sul 1, onde estão Vila Mariana, Jabaquara, Santo Amaro e Ipiranga, é de 4,8.

O acesso à cultura ainda é privilégio de poucos em São Paulo. Enquanto o centro da cidade concentra as mais variadas opções de lazer, a população da periferia tem que enfrentar horas de trânsito, seja em seu próprio automóvel ou no transporte público, para usufruir do direito à cultura. Quanto mais longe o bairro é da região central, mais dificultoso. Um dado detectado pela última pesquisa Irbem aponta que a área Sul 2, que engloba prefeituras regionais como Campo Limpo, M’ Boi Mirim, Capela do Socorro, Parelheiros e Cidade Ademar,  tem nota 2,9 em relação à proximidade com teatros. Enquanto isso, a Sul 1, onde estão Vila Mariana, Jabaquara, Santo Amaro e Ipiranga, é de 4,8.

Uma realidade que afeta diretamente muitos moradores do Campo Limpo, como a dona de casa Lúcia Aparecida, 55. “Nunca tive a chance de ir a um teatro. Falta oportunidade e opção para nós que moramos aqui e ainda quando somos mais velhos, fica mais difícil”, completa Lúcia.

A região é apontada como uma das piores na quantidade de espaços teatrais em toda a zona sul, com apenas uma sala de teatro. Já na Vila Mariana, há 13 disponíveis; em Santo Amaro, 8; no Jabaquara, 2; Ipiranga, 4; Capela do Socorro 2; Parelheiros, 0; M’ Boi Mirim, 0; e Cidade Ademar, 0. Esses números, provenientes do Observatório Cidadão, são referentes a salas de teatros municipais, estaduais, federais e particulares.

Mesmo sem espaços físicos tradicionais, as manifestações artísticas acontecem nas periferias. Um exemplos disso é o grupo teatral Bando Trapos, do Campo limpo, que realiza espetáculos na rua. “Acreditamos que nossa relação diária com a Praça do Campo Limpo está diretamente ligada à nossa produção. Inclusive, em um de nossos espetáculos, os personagens foram inspirados em pessoas que a frequentavam. Entendemos a ocupação do espaço público (ruas e praças) com o teatro como uma forma de interação e troca com estas pessoas que fazem parte do cotidiano”, afirma o elenco.

O coletivo Bando Trapos faz parte do Espaço Cultural CITA, responsável por incentivar a cultura com oficinas de teatro e festivais na região, mesmo sem a ajuda da Prefeitura de São Paulo. Ele está localizado em frente à Praça João Tadeu Priolli, mais conhecida pela comunidade local como Praça do Campo Limpo. Com pista de skate, playground, quadras de esportes, wifi gratuito, é um ponto de encontro da comunidade local e também um importante espaço de intervenções e ações artísticas. A localização, próximo à divisa do município, também faz com que haja frequentadores de cidades vizinhas, como Taboão da Serra e Embu das Artes, além de distritos, como Capão Redondo e Vila Andrade.

“No momento, o que mais sentimos falta é do apoio do poder publico, principalmente em manter os acordos e a continuidade das políticas públicas culturais, conquistadas até este momento”, finalizam os integrantes do Bando Trapos.

Coletivo Bando Trapos durante apresentação/ Crédito: Acervo pessoal

 

Foto: erwin brevis/ Flickr