Moradores, escoteiros e jogadores de rugby recuperam praça na Vila Mariana

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A falta de manutenção e segurança era um dos motivos para os vizinhos da praça Rosa Alves da Silva, localizada no distrito da Vila Mariana, na zona sul, não frequentarem o local. Por isso, alguns moradores como José Paulo Bombini, 62, se juntaram para pensar em como melhorar o espaço que estava abandonado pela antiga…

A falta de manutenção e segurança era um dos motivos para os vizinhos da praça Rosa Alves da Silva, localizada no distrito da Vila Mariana, na zona sul, não frequentarem o local. Por isso, alguns moradores como José Paulo Bombini, 62, se juntaram para pensar em como melhorar o espaço que estava abandonado pela antiga subprefeitura. Foi assim que se criou a Amarosa (Associação de Moradores em Prol da Praça Rosa Alves da Silva).

Com a criação da associação, foram surgindo outros interessados em revitalizar a praça. O Grupo de Escoteiros Caramuru e o também recém criado Clube São Bento Rugby tornaram-se parceiros da Amarosa. Juntos, fizeram um projeto que foi apresentado à subprefeitura (atual prefeitura regional) da Vila Mariana e, em 2013, as mudanças começaram a sair do papel.

“A iluminação voltou a funcionar, foi construído um parque e uma quadra de futebol, começou a ter ronda no local e a equipe de rugby, que passou a utilizar um campo para os treinos, ficou responsável pela manutenção desse espaço também. Com isso, a frequência de pessoas na praça aumentou e ela se tornou uma área de lazer para os moradores. Ainda há muito que fazer, mas já melhorou bastante”, revela Bombini, o presidente da Amarosa.

O vice-presidente do Caramuru, Ricardo Ishikawa, 53, conta que, por terem representantes do grupo no Conselho Participativo da região, foi possível contribuir levando as reivindicações dos moradores para melhorias na praça. “Nosso objetivo era que ela fosse um espaço de uso de toda a comunidade, que os moradores tivessem uma área de lazer sempre conservada”, afirma.

Após o início da revitalização, o local cedido para uso do clube de rugby foi utilizado durante alguns anos mesmo sem estar totalmente preparado para receber os jogadores. Em 2016, o espaço ganhou gramado, traves, pinturas, o muro e a grade que cercam o campo foram reformados.

Jogadores de rugby após o treino

O jogador Henrique Souza, 26, está desde 2013 na equipe e conta que, além do São Bento, outras agremiações também treinam no campo. Toda segunda e quarta-feira há treino do time masculino, às quintas do time feminino, e aos sábados há treinos do infantil, juvenil e adulto. “Se não tivesse a nossa iniciativa, dos moradores e do grupo dos escoteiros, aqui iria continuar abandonado. Era um barrão e, mesmo assim, a gente treinava. Agora está mais apropriado e já conseguimos até fazer amistosos com outros clubes”, conta.

A pesquisa Irbem, realizada pelo Ibope em parceria com a Rede Nossa São Paulo sobre a qualidade de vida na cidade revela a percepção dos moradores em relação à conservação dos espaços públicos. A nota média, em uma escala de 1 a 10, mostra que a zona sul tem o menor índice de satisfação nesse quesito, ficando com a nota 3,3; na oeste ela é de 3,4; no centro, de 3,5; e nas zonas norte e leste, de 3,7.

A chegada do rugby ao bairro

O São Bento Rugby Clube foi fundado pelos amigos Henrique Von Rondow, Marsal Villas Boas, Brunno Constante, Thiago Pirata, Kauê Moncau e Leandro Scalz. Um dos treinadores, João Vicente, 27, está há dois anos no clube e explica que com o tempo chegaram amigos, jogadores que retomavam à prática do esporte, bem como aqueles que nunca tinham tido contato com o esporte. “Quem tem interesse em conhecer e praticar o esporte, é só comparecer a um dos dias de treino. Como o clube é amador, para mantê-lo, cada integrante contribui com uma ajuda de custo mensal”, explica.

Um exemplo é Bianca Braga, 29, a mais nova participante, que está conhecendo o esporte e frequentando os treinos há um mês. “É a terceira vez que venho e estou gostando bastante. Temos apoio, preparação e o clima é agradável. Estou  bem disposta a aprender e a conhecer mais o esporte”, revela.

De acordo com Vicente, todos os sábados há treinos gratuitos para as crianças e jovens do “São Bentinho”, com o apoio dos técnicos, preparadores e também com os jogadores do time adultos, tanto feminino como masculino. “É gratificante poder ensiná-los o esporte e, principalmente, os pilares do rugby como amizade, respeito e solidariedade”, enfatiza.

Além das aulas gratuitas para as crianças, o clube realiza o Projeto Rugby Comunitário, idealizado por Valter Sugarava, o Japinha, 39, ex-jogador da seleção brasileira e atual técnico do São Bento. Ele promove visitas às unidades do CEU (Centro Educacional Unificado) e também à ONG Santo Agostinho para disseminar o esporte e as vantagens de praticá-lo.

“Buscamos parcerias diversas para dar andamento ao projeto, que tem a ideia de ajudar a movimentar o comércio da região e fortalecer o esporte na comunidade. Já teve sábado que vieram 30 crianças e foi muito divertido, com pais na lateral segurando garrafinha de água e protetor solar… Todos participaram e a praça se tornou um espaço de lazer para as famílias”, finaliza o técnico.

 

Fotos: Cíntia Gomes