Lixo, lazer e cultura: os grandes desafios na Vila Maria/ Vila Guilherme

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Na Vila Guilherme, a rua Paulo Mallet, a apenas 300 metros do ecoponto, é um dos locais críticos de acúmulo de lixo

Vila Maria, um distrito centenário que nasceu e cresceu às margens do então límpido rio Tietê, hoje tem graves problemas com o descarte clandestino de lixo e de entulho nas calçadas e vias públicas. “O descarte irregular de lixo é um câncer em nossa região”, define o prefeito regional Dário Barreto, que assumiu o cargo em janeiro. A questão não é exclusiva da Vila Maria e também afeta os distritos vizinhos Vila Guilherme e a Vila Medeiros.

Para Barreto, o ato é ilegal, prejudicial para a cidade, impacta na saúde pública e obriga o deslocamento da força de trabalho da limpeza para essa atividade. Apesar de a região ter três ecopontos* – um em cada distrito – o prefeito local estima em “mais de cem” os locais irregulares de descarte. O gestor avalia que a solução é a conscientização e a fiscalização com multa e até enquadramento como crime ambiental.

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Na Vila Guilherme, a rua Paulo Mallet, a apenas 300 metros do ecoponto, é um dos locais críticos de acúmulo de lixo. Na parte alta da região, a aposentada Ofélia Sconamiglio, 64, também está vivendo esse problema. Moradora na rua do Imperador, vê aos poucos o muro de um terreno crescer como um ponto de descarte. Ela acredita que os próprios vizinhos são os maiores responsáveis. “As pessoas nem conseguem passar. Tem uma placa de aviso, mas ali já teve móveis, colchão, já botaram fogo, tudo fica muito feio, a calçada está quebrada, o muro do terreno pichado. Quero vender meu imóvel, mas a aparência daqui está me prejudicando”, desabafa.

Nicole e Helton pedem mais lugares de diversão na Vila Medeiros

Outro indicador preocupante na região é o baixo número de opções culturais e de lazer. A pior situação é a da Vila Medeiros. Sem cinemas, teatros e bibliotecas, o distrito mais populoso dessa prefeitura – com 130 mil habitantes – tem os piores índices da cidade em cultura, todos zerados. Os números são do Observatório Cidadão.  Em busca de diversão, os moradores precisam se deslocar para outras áreas da cidade.  Apenas em 2016 foi inaugurado o primeiro espaço de artes nas proximidades: a Casa de Cultura da Vila Guilherme – Casarão (Saiba mais).

Os amigos e estudantes Helton Aguiar e Nicole Lima, ambos com 15 anos, não se divertem no bairro. “Vamos ao shopping, ao cinema, sempre em outro lugar”. Eles pedem “mais festas, shows e uma praça”, para poder passear, sentar e conversar. O distrito de Vila Medeiros não tem parques ou praças e mostra pouca arborização em uma área de 7,70 km2.

Na contramão da cultura, a gastronomia da Vila Medeiros é efervescente. Graças à culinária nordestina, o local atrai paulistanos e turistas em busca da comida típica em um restaurante hoje estrelado, de família tradicional do bairro. A fama impulsionou o surgimento de outras casas na região da avenida Nossa Senhora do Loreto.

*Endereços dos ecopontos: Rua José Bernardo Pinto, 1.480 – Vila Guilherme; Av. dos Poetas, 931 – Vila Sabrina; rua Curuçá, 1.700 – Vila Maria.

 

Foto: Sidney Pereira