“É mais fácil administrar a Mooca porque bato de porta em porta”, diz prefeito local

Publicado em Categorias Cultura, Habitação, Lazer, Mooca, Perfil, SegurançaTags , ,

Share this... Ora com ar saudosista, ora com a sabedoria de quem conhece a região como a palma da mão, Paulo Sergio Criscuolo discorre sobre a Mooca, na zona leste da capital, local onde nasceu há 66 anos. De antigo morador, Criscuolo, ou simplesmente Cascalho – como diz ser conhecido por 90% da população -,…

Share this...
Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on TumblrPin on Pinterest

Ora com ar saudosista, ora com a sabedoria de quem conhece a região como a palma da mão, Paulo Sergio Criscuolo discorre sobre a Mooca, na zona leste da capital, local onde nasceu há 66 anos. De antigo morador, Criscuolo, ou simplesmente Cascalho – como diz ser conhecido por 90% da população -, agora é também prefeito regional da Mooca, da qual fazem parte seis distritos.

“É mais fácil administrar a Mooca porque bato de porta em porta”, revela o gestor, que ​assegura conhecer bem o sexteto. Além do distrito de mesmo nome, compõem o grupo: Belém, Brás, Água Rasa, Pari e Tatuapé. Com uma população estimada em 357 mil habitantes – maior do que o município de Araraquara, no interior paulista – , Criscuolo garante que “todos são iguais”.

“Hoje quem está mais na mídia é o Brás por causa da Feirinha da Madrugada, dos comerciantes e moradores. Mas todos eles têm sua particularidade”, pondera o gestor, que é casado e não tem filhos.

Famoso pelo acentuado comércio de roupas não apenas na Feira da Madrugada, como nas imediações da rua Oriente e do Largo da Concórdia, cerca de 30 mil pessoas residem no distrito​ do Brás​. Com episódios de fechamentos e irregularidades, a Feirinha da Madrugada de um lado atrai centenas de compradores, inclusive de fora do estado, enquanto do outro, estampa com frequência o noticiário.

​Segundo Criscuolo, assim como ocorre em todas prefeituras regionais, demandas de buracos nas vias, podas de árvores e corte de gramas também são recorrentes nos 35 km² ​ administrados por ele. Nos últimos anos, porém, uma das maiores reivindicações no território mooquense tem sido os pancadões. “Quando assumi aqui, pensei que eles iam acontecer mais no período escolar. Mas, não. Foi desde o primeiro fim de semana de janeiro”, afirma o prefeito local.

“Quando se começou a falar sobre pancadão, ele foi associado às escolas. Sou contra. Fui aluno e não são somente eles. Precisamos dar espaço para essas pessoas, como para moradores em situação de rua. A solução é pensar em conjunto uma solução. O que não pode ter é perturbação em horários inapropriados. Perdemos o controle”, ​considera.

Outra questão reivindicada é a situação embaixo dos viadutos Alcântara Machado ​– com a ru​a Piratininga — e Bresser.  As antigas tendas, também conhecidas por Centro de Convivência, foram desativadas e o espaço foi ocupado por moradores em situação de rua. A cada dia que passa, a quantidade de barracos aumenta. Homens, mulheres e crianças vivem ali em condições precárias de sobrevivência.

​Para C​riscuolo, a situação é periclitante, porém o prefeito João Dória (PSDB)​, e o vice Bruno Covas, ​em parceria com a prefeitura regional da Mooca, estão dando um tratamento específico para o caso.

​Para solucionar o problema, o prefeito regional diz ainda que ​são necessárias parcerias com as secretarias de Habitação, Direitos Humanos e Cidadania, Desenvolvimento Social e Trabalho e Empreendedorismo. “Precisamos de todos estes órgãos em conjunto. Esta parceria é fundamental. Se não fizer isso, não resolve”.

A falta de iluminação nas proximidades da Universidade São Judas também ​se tornou uma demanda contínua na região. Os índices de roubos – sobretudo de celulares – são costumeiros​ no local​, principalmente no trajeto em que alunos e moradores seguem da rua Taquari à estação Bresser-Mooca, na Linha 3-Vermelha do Metrô.

“Estamos entrando em contato com a Ilume [Departamento de Iluminação Pública da Cidade de São Paulo] para fazer uma solicitação. Precisamos ainda de parceria com a São Judas, junto com a comunidade”, propõe Criscuolo, que é administrador de empresas, advogado e engenheiro civil.

​Inquilino​

A sede da prefeitura regional ocupa o mesmo ambiente de um centro educacional, composto por escola de Ensino Fundamental, biblioteca​, uma UBS (Unidade Básica de Saúde) e ​até mesmo uma secretaria de esportes. “Aqui quem comanda é a Secretaria Municipal de Esportes. Sou inquilino”, afirma o prefeito local. Ele assegura estar mapeando ações mais rápidas para a região.

De acordo com dados do Observatório Cidadão, os sexteto distrital possui bons índices ​quando o quesito é cultura. Em 2015, foram contabilizados 12 equipamentos​ culturais​ — taxa considerada na média​, em comparação às demais prefeituras regionais​.

Segundo Criscuolo, ​na antiga gestão, as ​intervenções de zeladoria foram interrompidas três meses antes do fim do mandato. “Há muita demanda. Estávamos há quase um ano sem nada, sem limpeza, corte de grama”.

Ex-jogador e atual conselheiro do Clube Atlético Juventus, fundado em 1920 por membros da colônia italiana da Mooca, Criscuolo espera não seguir os passos d​os gestores anteriores — trocados três vezes durante a administração Fernando Haddad (PT).

“Se eu não der certo, eu vou estar pendurado no Viaduto Bresser, esquartejado”, dramatiza. O prefeito local conta com 150 funcionários, dos quais​, afirma ter mais de 65% mulheres trabalhando com ele.

“Te​nho que dar certo. Sou apaixonado por esse bairro. Sou o cara mais feliz do mundo ​desde que fui escolhido. Aceito qualquer desafio dentro da minha capacidade”, finaliza o devoto de Nossa Senhora Aparecida, santa exposta sobre um tronco em seu gabinete.

 

*Colaboração de Vagner de Alencar