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Demandas e reclamações do Plano de Metas marcaram audiência no Itaim Paulista

“Perdi praticamente tudo na enchente do ano passado”, afirma Maria Lúcia, 23, moradora da Favela do Bói, próximo ao Córrego Ribeirão Lajeado. A história da jovem não é uma exceção na região do Itaim Paulista. Sempre quando há a ameaça de chuva, a preocupação de quem vive nos arredores dos córregos é enorme. A intervenção do controle de cheias nas bacias do Ribeirão Lajeado, Ribeirão Água Vermelha, Córrego Itaim, Córrego Tijuco Preto e do Córrego Três Pontes foi uma das demandas apresentadas pelo Conselho Participativo Municipal do Itaim Paulista na audiência do Plano de Metas, ocorrida no último sábado (8).

O controle de cheias não foi o único assunto abordado na ocasião. Demandas ligadas à saúde, moradia, segurança, meio ambiente e transporte também foram expostas. Para Leonardo Medeiros, a atenção para com a população idosa é outro assunto a ser pensado e executado. “O Itaim Paulista é distrito mais populoso da zona leste e não possuímos uma URSI (Unidade Referência à Saúde do Idoso) e nem uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento)”.

Leia as reportagens do Especial Plano de Metas 2017-2020

Mas, o que chamou mesmo a atenção do evento realizado pela Prefeitura de São Paulo, no CEU (Centro Educacional Unificado) Vila Curuçá, foi o baixo quórum. Embora houvesse organização e estrutura para uma grande audiência, a pouca divulgação resultou na presença de 70 pessoas, sendo a maioria líderes comunitários.

Indagado, sobre a nota de prestação de serviço ter sido publicada no site da prefeitura, dois dias antes do evento, o prefeito regional José Agostinho falou que isso não foi um problema e a divulgação fluiu bem. “Antes mesmo de publicarmos no site, já estávamos comunicando a população via e-mail”. Para Agostinho, a não participação das pessoas não tem relação com a divulgação, mas com a descrença política.

Os três minutos concedidos para os que estavam na audiência também foram alvo de reclamação. Para a integrante do Conselho Participativo, Vânia Gabi, 50, eles não foram o suficiente e reclamou disso no microfone, mesmo sendo cortada inúmeras vezes por ter excedido o tempo. “Às audiências regionais e temáticas não foram inclusivas já que foram marcadas no mesmo dia e horário. Muitos ficaram de fora”, afirmou.

Além disso, ao final de sua fala, Vânia foi fortemente aplaudida quando disse que para ela a palavra ‘melhoria’ é muito subjetiva. “O que pode ser melhor pra você, talvez, não seja o melhor pra mim e para a população”. Outro bastante aplaudido foi Leonardo Medeiros, 50, que observou a falta de mulheres na mesa. Nela, estavam o prefeito regional, o chefe de gabinete, Agnaldo Firmino Júnior, o seu assessor adjunto, Gilmar Santos, e o Secretário de Habitação, Fernando Chucre. Nenhum vereador apareceu.

A primeira versão do Plano de Metas foi apresentada no dia 30 de março e durante o mês de abril a população poderá registrar as suas sugestões. No próximo dia 24 haverá a última audiência pública geral, que acontecerá na Câmara Municipal, às 15h. Em maio, o Plano de Metas deve ser revisto e no dia 30 de junho deve ser entregue a sua versão final.

Veja aqui como enviar sugestões ao Plano de Metas.

 

Foto: Danielle Lobato

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