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Moradia e meio ambiente são preocupações na Brasilândia e na Freguesia do Ó

Cabisbaixa com um bebê no colo, a dona de casa Michele Lopes da Silva, 35, escutou atenta a audiência sobre o Plano de Metas, ocorrida no último sábado (8), na sede da Prefeitura Regional da Freguesia do Ó/ Brasilândia, zona norte de São Paulo. A jovem não quis apresentar suas propostas, como outras 22 pessoas que tiveram o direito a três minutos de fala no microfone aberto. Ela tinha somente uma expectativa: solução imediata para a sua situação de moradia.

“Estou em uma invasão, depois que fui expulsa da anterior. Agora, sem ajuda, meu barraco está aberto. Quando chove, ele molha e eu preciso de auxílio urgente”, diz Michele, que está desempregada e mora com três filhos em uma ocupação no bairro Jardim Vista Alegre. A jovem foi à audiência acompanhada de um grupo de 15 pessoas que vivem na mesma situação que ela.

Leia as reportagens do Especial Plano de Metas 2017-2020

Na região administrada pela Prefeitura Regional da Freguesia do Ó/ Brasilândia, em 2015, 20,23% das habitações eram em favelas, segundo dados do Observatório Cidadão, da Rede Nossa São Paulo.

Sobre a questão da moradia na cidade, o Plano enumera como metas o atendimento a 210 mil famílias beneficiadas por procedimentos de regularização; a entrega de 25 mil unidades habitacionais para atendimento via aquisição ou via locação social (sendo que desses, 6.663 mil contam com recursos próprios do município); e o atendimento de 27.500 famílias beneficiadas com intervenção integrada em assentamentos precários (sendo 14.166 com recursos próprios dos municípios).

“O Plano está genérico e não diz a que veio”, diz Ana Sueli da Silva, do Movimento em Defesa do Parque Municipal da Brasilândia (Crédito: Cleber Arruda)

Se de um lado, as moradias chamam a atenção, não é possível tratar do tema ocupações na região sem falar das questões ligadas às áreas verdes. A preocupação com o meio ambiente teve coro expressivo na audiência, principalmente, por conta da participação de membros de movimentos e associações locais.

Para Ana Sueli da Silva, 51, integrante do Movimento em Defesa do Parque Municipal da Brasilândia, há ausências de propostas no documento apresentado. Para Ana Sueli Ferreira da Silva, 51, integrante do Movimento em Defesa do Parque Municipal da Brasilândia, há ausências de propostas no documento apresentado. “Queremos a continuação da desapropriação das áreas para a implantação do parque da Brasilândia, conforme e respeitando o Plano Diretor. É preciso também requalificar o Parque Linear do Canivete e implantar a coleta seletiva no distrito”, diz.

André Cintra, 36, do Fórum em Defesa da Zona Noroeste, também criticou o documento. “O governo não regionalizou as metas, não tem uma grande obra, como parques e hospitais. As propostas de campanha não estão lá, como a contratação de 800 médicos ou a construção de 30 piscinões, ou seja, nem corresponde ao programa eleitoral e nem cumpre a lei que regulamenta a sua organização. Sem contar que não cita a região”, diz Cintra.

Sobre a falta de regionalização do plano, a vereadora Aline Cardoso (PSDB) justificou ao fim da audiência que a versão final incluirá esse fator. “Depois das consultas públicas, o Plano de Metas será regionalizado e as audiências públicas estão ajudando nessa regionalização”.

Você ainda pode enviar sugestões ao Plano de Metas. Veja aqui como.

 

Foto principal: Avelino Regicida/ Flickr

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