Moradores de Raposo Tavares promovem atividades culturais em antigo lixão

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O acesso à cultura ainda é um privilégio de poucos em São Paulo. Enquanto o centro da cidade concentra as mais variadas opções de lazer, a população do extremo oeste tem ‘arregaçado as mangas’ há 20 anos em busca da promoção de cultura para uma população de aproximadamente 12 mil moradores. No distrito de Raposo…

O acesso à cultura ainda é um privilégio de poucos em São Paulo. Enquanto o centro da cidade concentra as mais variadas opções de lazer, a população do extremo oeste tem ‘arregaçado as mangas’ há 20 anos em busca da promoção de cultura para uma população de aproximadamente 12 mil moradores.

No distrito de Raposo Tavares, as ações acontecem em um terreno baldio desde 1997. ‘Cohab Limpa’ foi o nome dado à ação de limpeza do local, conta a moradora Diva Nunes, 65, que acompanhou o processo desde o início e viu 45 caminhões retirarem lixo da área. “Antes, eu não sabia que ali era um ponto viciado de lixo. Eu realmente acreditava que era uma montanha bonita”, afirma a moradora que, ao descobrir que a tal montanha era um lixão, se juntou a outros moradores e desenvolveu um projeto para mudar aquela realidade. Desta união criou-se o grupo Espaço Cultural Cachoeiras, presente até hoje na região.

A agenda de atividades, com atrações para todos os públicos, é de responsabilidade do grupo. “Tudo o que realizamos aqui sai do nosso bolso, desde o panfleto impresso até a garantia de que terá uma apresentação. Com muita felicidade conseguimos fechar o mês de abril com uma regularidade nas atrações”, conta a articuladora de cultura Manuella Alves, 27. Pelo local, já passaram diversos grupos de circo, cinema, grafiteiros, rodas de história e etc.

Para atrair ainda mais colaboradores para o projeto, uma página no Facebook foi criada e nela as atividades artísticas que acontecem no terreno são divulgadas. Além disso, para aumentar a quantidade de participantes, panfletos são distribuídos até em instituições de ensino, como a Escola Mandela.

Toda a manutenção do terreno é feita pelos próprios moradores, que chegaram a comprar, inclusive, uma roçadeira para limpar o local. “Sempre que realizávamos atividades, não conseguíamos um suporte da administração local e, por isso, tínhamos que cortar a grama na enxada ou até no ‘vassourão’”, lembra Felipe Valentim, 30, integrante do Espaço Cultural Cachoeiras.

Ao 32xSP, a Prefeitura Regional do Butantã informou que não havia periodicidade na limpeza do terreno, mas que as últimas ações, como o corte de grama, foram realizadas no final de abril.

 

Foto: Culturacohab/ Facebook