Periferia da cidade tem mais ruas destinadas ao lazer do que o centro

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Ao se deparar nos finais de semana com uma rua fechada com cavalete ou cones, tomada por bolas, bicicletas, crianças e até adultos se divertindo, não estranhe. É uma rua para lazer. Cena quase em extinção nas grandes cidades, a capital paulista achou, há algum tempo, uma alternativa para driblar a escassez de opções de…

Ao se deparar nos finais de semana com uma rua fechada com cavalete ou cones, tomada por bolas, bicicletas, crianças e até adultos se divertindo, não estranhe. É uma rua para lazer. Cena quase em extinção nas grandes cidades, a capital paulista achou, há algum tempo, uma alternativa para driblar a escassez de opções de diversão, sem riscos e bem perto de casa. A periferia concentra a maioria desses espaços.

São Paulo já tem mais de mil ruas que são usadas para o lazer, criadas a partir da ideia de Dirce Vieira, já falecida, que nos anos 70 viu no seu bairro, São Miguel Paulista, no extremo leste, o crescimento populacional e a necessidade de espaços de diversão. Incansavelmente, durante quase dois anos, ela fechou a sua via para que os filhos brincassem até a Prefeitura reconhecer, em 1977, o fechamento do trecho legalmente. No passado, o bloqueio de ruas para o lazer era autorizado individualmente pelo Executivo municipal. Em 1996, o programa Ruas de Lazer foi oficializado pela Lei nº 12.264.

Hoje, São Miguel é o lugar que possui a maior adesão de toda a capital, com cinco trechos cadastrados na Prefeitura. De acordo com os dados mais recentes do Observatório Cidadão, a Prefeitura Regional tem uma sala de show e concerto, um equipamento cultural, e três centro culturais ou casas e espaços de cultura. Ainda assim, essa quantidade está aquém do que é necessário para uma população de 358.222 habitantes.

Apesar disso, desde 2013 tem ocorrido uma diminuição no número desses espaços. Em nota enviada ao 32xSP, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer explica que os motivos da solicitação de retirada do projeto em algumas vias foram os conflitos entre os moradores, os pancadões, e etc.

“A gente mora em uma área que não é privilegiada na questão de espaços de lazer público. É muito gostoso ver as crianças brincando e se divertindo”, diz Suzana Pereira, 34, mãe e moradora da rua Manoel Faria Inojosa, primeira rua destinada ao lazer de São Paulo. Já no Itaim Paulista, Ismael Santos, 65, responsável por colocar os cones todas as manhãs de domingo na rua Mixira, afirma que falta mais iniciativa pública. “Se houvesse um calendário com atividades aqui, seria bem melhor”, finaliza.

Indagada sobre a criação de uma programação, a secretaria informou que está com o planejamento de angariar parceiros que possibilitem estabelecer um calendário de atividades do programa Rua de Lazer, e há a possibilidade de envolver a Secretaria de Cultura.

Como fazer

Quem quiser criar uma rua para lazer pode fazer a solicitação na Prefeitura de São Paulo, mediante assinatura de 80% dos moradores do trecho onde se pretende interromper a circulação para o trânsito.

A comunidade deve eleger um grupo de gestores que se responsabilizará pelos materiais distribuídos pela Prefeitura, junto com os cavaletes, para destinar a rua para as atividades. O Executivo municipal também identificará o local com placas de orientação aos motoristas. Todos os documentos colhidos devem ser encaminhados para a Supervisão de Esportes de cada prefeitura regional referente à via.

Após a fiscalização e identificação das condições do local, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) também deve aprovar o fechamento da rua. Só não podem ser bloqueadas as que têm muito movimento, que comprometam a circulação nas vias principais, ou onde funcionam serviços essenciais, como pontos de ônibus, postos de saúde ou igrejas.