Prefeita regional aposta em imersões de zeladoria no Jabaquara

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Podar, cortar árvores, tapar buracos e limpar bueiros são verbos recorrentes no dia a dia de um prefeito regional. Essas funções são novas para a psicóloga Maria de Fátima Fernandes, 62, que trocou a coordenação na área de desenvolvimento social para se tornar gestora do Jabaquara, na zona sul da cidade. 

Maria de Fatima em seu gabinete no Jabaquara (Crédito: Vagner de Alencar)

Podar, cortar árvores, tapar buracos e limpar bueiros são verbos recorrentes no dia a dia de um prefeito regional. Essas funções são novas para a psicóloga Maria de Fátima Fernandes, 62, que trocou a coordenação na área de desenvolvimento social para se tornar gestora do Jabaquara, na zona sul da cidade. 

Apesar do trabalho de zeladoria, ela diz que também “quer cuidar de quem passa na rua”. Enquanto os projetos ligados à sua área de formação não saem do papel, desde o início de abril, Maria de Fátima criou o Coopera, uma ação imersiva de zeladoria intensiva nos 12 setores da região. 

“Isso aqui é o Jabaquara”, mostra, apontando para o mapa da região sobre a mesa em seu gabinete, a 180 metros da estação Jabaquara do metrô. “Como é que eu cuido disso? Porque eu vou fazer [zeladorias] aqui e não ali?, questiona a si mesma.

“Vamos fazer imersão e grande zeladoria de segunda a sexta-feira em cada setor. Começamos no dia 3 de abril pelo dois. Fizemos todas as podas de árvores, as pinturas e limpezas de bueiros. No sábado, passa o cata-bagulho e recolhe a sujeira”, diz ela, que se inspirou na divisão já realizada em todas as prefeituras regionais por meio do cata-bagulho, programa da Prefeitura de São Paulo que recolhe e impede que materiais que não servem, como móveis velhos, eletrodomésticos quebrados sejam depositados em vias públicas.

Maria de Fátima é psicóloga e uma das três mulheres prefeitas regionais (Crédito: Vagner de Alencar)

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As imersões ocorrem a cada duas semanas. Nelas acontecem, segundo a gestora, também todas as operações de atentimento ao público e outras ações em parceria com secretarias e órgãos como o Sebrae. O modelo de gestão segue até 2 de dezembro.

“Será um ano mais emergencial, para conhecer e ter um diagnóstico território. Em dezembro, vamos fazer uma avaliação para que 2018 seja só de prevenção. É uma forma de gerenciar e ajudar a população de uma forma mais coesa e assertiva”, enfatiza a ex-coordenadora do departamento social na Cidade Tiradentes, no extremo leste da capital.

O Coopera se assemelha ao “Prefeitura Presente”, iniciativa desenvolvida na Cidade Tiradentes e  renomeada para “Prefeitura Itinerante” pelo então subprefeito da Tiradentes e atual prefeito regional de Ermelino Matarazzo, Arthur Xavier. “É um pouco disso, mas não é. Tem outro enfoque”, afirma ela, que diz ter sido responsável pela implementação do projeto no distrito da zona leste.

“É diferente da Prefeitura Presente porque ela vai escutar a demanda. Aqui vai todo mundo executar aquilo que precisa fazer. Dessa forma, você tem uma organização de atendimento. Dá para atender muito mais e otimizar o serviço, que está num espaço concretado”, assegura.

Favelas bonitas

Composto por um único distrito, o Jabaquara tem uma população estimada em 245 mil pessoas que vivem em bairros ricos, como Vila Mascote e Conceição, e outros de baixa renda, como Americanópolis. Segundo dados de 2016, do Observatório Cidadão, há 73.200 mil residências, das quais mais de 12 mil estão situadas em quase 70 favelas.

“As pessoas já têm uma vida tão desgraçada. Quero pôr flores nas praças. Quero que elas cheguem e tenham prazer de dizer ‘olha, eu moro em uma comunidade que é um lugar muito legal’. Quero transformar o Jabaquara em um bairro lindo”, diz Maria Fátima referindo-se ao projeto “Bairro Lindo”, instituído pelo prefeito João Dória (PSDB).

Carioca de nascença, a psicóloga é uma das somente três mulheres prefeitas regionais e também uma das poucas gestoras que não vivem na região administrativa. Embora o endereço diferente, garante conhecer bem o território jabaquarense. “Moro na região da Praça da Árvore, que faz parte da [prefeitura regional] da Vila Mariana. Passei pela Saúde, Vila Mariana, depois para a Praça da Árvore. Vivo há 46 anos aqui nessa região [sul da capital].”

Ainda segundo a psicóloga, todo o orçamento, de R$ 28 milhões para este ano, está empenhado nos contratos firmados. “Não tenho aquele plus para fazer”, diz, acrescentando que pretende se inspirar no colega do Ipiranga para angariar recursos​. Amândio Martins criou o “cardápio de projetos”, no qual “oferece” aos vereadores projetos que podem receber recursos por meio de emendas.

“Vou tirar dois dias e vou na Câmara [para ​tentar ​angariar recursos]. Aí vem uma verba carimbada e não posso mexer [no orçamento da prefeitura regional]”, finaliza.