“Prefeito, vem andar de bike na Cidade Tiradentes”, pedem ciclistas

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“Ao prefeito, ao gestor local, para quem toma conta e também para todos os motoristas que são contrários, eu sugeriria que eles, ao menos uma vez na semana, pudessem pegar a sua bicicleta e usassem para ver e entender a importância dessa ciclofaixa”. São com essas palavras que Daniel Costa, 20, manda uma mensagem para…

“Ao prefeito, ao gestor local, para quem toma conta e também para todos os motoristas que são contrários, eu sugeriria que eles, ao menos uma vez na semana, pudessem pegar a sua bicicleta e usassem para ver e entender a importância dessa ciclofaixa”. São com essas palavras que Daniel Costa, 20, manda uma mensagem para aqueles que são favoráveis à retirada da ciclofaixa da avenida dos Metalúrgicos, uma das principais de Cidade Tiradentes, bairro situado no distrito homônimo.

A discussão sobre a via da zona leste da capital tem gerado polêmica nos últimos meses. No mês passado, a Prefeitura Regional da Cidade Tiradentes propôs uma audiência pública para debater a questão. Entre os presentes, estavam representantes da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, comerciantes, líderes comunitários e alguns ciclistas. Na ocasião houve uma consulta pública para ouvir as opiniões, além de uma votação. “A maioria optou pela saída”, de acordo com o prefeito regional, Oziel Souza.

Ao 32xSP, Souza afirmou em fevereiro deste ano que que a ciclofaixa poderia ser retirada do bairro, pois, segundo ele, a população utilizava pouco o espaço.

Para contrapor o discurso do gestor local, a associação Ciclocidade, junto com o coletivo Bike Zona Leste, realizou em junho um levantamento de usuários. O estudo registrou exatas 580 viagens pela ciclofaixa, cerca de 41 por hora, e um salto para 69 ciclistas/hora no horário de pico. Esse levantamento foi feito no dia 23 de junho, uma sexta-feira.

“Muitos motoristas dizem que a ciclofaixa não é necessária, mas eles passam de carro uma vez ou outra e não ficam aqui parados para ver quantas pessoas estão passando de bicicleta. Então é muito cômodo falarem isso, porque querem mais espaço pra fazer as ultrapassagens perigosas ou estacionar o carro na rua”, comenta Costa.

Mesmo com um domingo de céu nublado e com possibilidade de chuva, o consultor técnico, Gilberto Pires, 32, resolveu aproveitar o dia para andar de bicicleta na ciclofaixa da Cidade Tiradentes. Acompanhado dos dois filhos pequenos, Pires diz que costuma fazer esse passeio todos os finais de semana. “Eu ando de bicicleta desde a infância, mas aqui eu comprei para lazer mesmo e vendi o meu carro. Eu acho que compensa”, afirma. A ciclofaixa que percorre toda a avenida dos Metalúrgicos começa no terminal de ônibus da Cidade Tiradentes, passa por algumas escolas e um hospital, somando 2 km de extensão.

Crianças e adolescentes representam 22% dos usuários da ciclofaixa da avenida dos Metalúrgicos (Crédito:: Lucas Veloso)

O fluxo de crianças e adolescentes que usa a ciclofaixa é outro dado interessante levantado pela Ciclocidade. Eles representam 22% dos usuários, sendo que também há idosos (6%), skatistas (2%), cadeirantes e até cavalos.

Julia Ribeiro, 12, costuma usar o espaço para ir à casa de amigos e à escola. Para ela, a retirada não é boa, pois senão a opção vai ser andar na calçada “atropelando todo mundo”. Por conta da ciclofaixa, a estudante Evelin Fernandes, 15, começou a andar de bicicleta todos os dias para ir e voltar da escola onde estuda e viu vantagem. “Eu ia a pé e levava uns 20, 30 minutos. Agora eu levo 10″, comemora.

Por meio de nota, a SMMT afirma que colheu sugestões na audiência pública e vai apresentar um estudo técnico na próxima reunião, ainda sem previsão. “O projeto iniciado nesta gestão busca sempre dar a melhor utilidade à rede existente, oferecendo segurança, corrigindo falhas e garantindo a conectividade entre as rotas de bicicletas e os meios de transportes coletivos”.

 

Foto: Lucas Veloso