Orçamento do Butantã é compatível com a região, segundo prefeito regional

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A distribuição dos recursos destinados às prefeituras regionais apresentam desigualdades e estão aquém do necessário para administrar regiões extensas e populosas. Todos os prefeitos locais entrevistados pelo 32xSP até agora ressaltaram que precisariam de mais verbas. Aliás, para quase todos.

Paulo Victor Sapienza, 52, prefeito regional do Butantã, na zona oeste, diz que o orçamento local está longe de ser um dos mais baixos em relação às outras prefeituras: “Nosso orçamento é bastante compatível”.

Na divisão de orçamento das cinco maiores regionais, o Butantã detém uma das quatro mais altas, com R$ 21,90 milhões, atrás de São Mateus (R$ 24,70 mi), Campo Limpo (R$ 25,90 mi), Sé (R$ 37,80 mi).

Verbas duas vezes superior ao das cinco regionais com menos recursos: Vila Maria/Vila Guilherme (R$ 11 mi), Ermelino Matarazzo (R$ 10,70 mi), Jaçanã/Tremembé (R$ 10,10 mi), Casa Verde/ Cachoeirinha (R$ 9,20 mi), Sapopemba (R$ 9,1 mi).

Já a Secretaria de Prefeituras Regionais recebeu 168,4 milhões – verba sete vezes maior do que a do Butantã e 18 vezes maior que a de Sapopemba, na zona leste.

Considerada a maior região da zona oeste em extensão territorial e populacional, com 56 km² e com 428 mil moradores, segundo o último censo do IBGE (2010), o Butantã apresenta desigualdades bastante explícitas.

Como o 32xSP já relatou, o distrito do Butantã, por exemplo, tem 28 vezes mais equipamentos culturais públicos do que que Vila Sônia e Raposo Tavares; 14 a mais do que o Rio Pequeno; e quase o sêxtuplo que o Morumbi.

Outro contraste gritante é a expectativa de vida na região. Os moradores do Butantã vivem em média 74,71 anos – 13 anos a mais do que em Raposo Tavares (61,65). No Rio Pequeno esse índice também é baixo (66,62), ao contrário do Morumbi (72,38) e Vila Sônia (71,38), dois dos distritos mais ricos da capital.

Morador da Vila Sônia, Paulo Victor Sapienza adora passear com a família no Instituto Butantan e no Parque Chácara do Jockey (Crédito: Prefeitura Regional)

Questionado se existe uma prioridade na gestão em regiões mais vulneráveis, como Raposo Tavares e Rio Pequeno, Sapienza limita-se a dizer que “é um grande desafio fazer com que as regiões com maiores recursos abracem a população mais necessitadas”.

Embora concentre altos índices de renda em distritos como Morumbi e Vila Sônia, especialmente, de acordo com dados do IBGE, quatro em cada dez famílias que vivem em Raposo Tavares e no Rio Pequeno, por exemplo, recebem menos de R$ 1.760, mensalmente.

Trajetória e rotina

Consultor e bacharel em direito, com especialização em direito e ciências políticas, Sapienza foi coordenador do SOS Criança no governo Mário Covas e diretor da divisão norte da Secretaria Estadual de Ação Social. Também exerceu o cargo de assessor parlamentar e foi chefe de gabinete na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Morador da Vila Sônia, ele diz que costuma passear pela região com a família. “Dois lugares que gosto muito de ir são o Instituto Butantan e o Parque Chácara do Jockey”, afirma o advogado, que administra o território repleto de locais de referência na cidade, como a Universidade de São Paulo, o Hospital Albert Einstein e o Estádio do Morumbi.

Segundo ele, o convite para se tornar prefeito local partiu do próprio prefeito João Doria (PSDB). “Participei da campanha desde o começo e ajudei a montar o Programa de Governo, principalmente na área social, que coordenei”, diz ele, que garante ter uma rotina puxada. “Parece loucura. Chego às 5h e saio às 22h. As funções que desempenho são naturais a um prefeito regional. É que o volume de trabalho é gigantesco mesmo.”

Sobre os seis meses de gestão, Sapienza diz que “avalia como muito positivos”. “[Houve] a reformulação geral na administração interna da Prefeitura Regional, melhora no atendimento aos munícipes e muitas e constantes visitas às comunidades”.

De acordo com balanço dos primeiros meses de gestão, publicado no site da regional, de janeiro a maio, houve um aumento de 14% no número de buracos tapados em comparação ao mesmo período de 2016. Já em relação à quantidade praças adotadas, o índice é ainda maior: de nove para 43, uma diferença de 378%, também em relação ao mesmo período.

Na área de fiscalização, ainda segundo as informações divulgadas pela regional, houve uma melhora considerável. Dos processos parados de 2003 a 2016, 84% dos quase oito mil foram concluídos no mutirão realizado pela Prefeitura Regional.

Sobre o maior sonho para a região, até o fim do mandato, Sapienza afirma que quer “levar a cada munícipe a condição e a possibilidade de arcar com a responsabilidade de seu papel como cidadão”.

 

Foto principal: Rafael Vianna Croffi/ Flickr