Sem nenhuma ‘rua aberta’, sobram poucas opções de lazer em São Mateus

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As aulas de capoeira, violão, guitarra e flauta doce são as opções de lazer do filho de nove anos de Edlane Silva, 30, moradora da Vila Flávia e coordenadora do espaço São Mateus em Movimento, na zona leste da capital. No local, crianças a partir de cinco anos encontram uma oportunidade de lazer e cultura ao contar com oficinas de diversos instrumentos, raciocínio lógico e informática. Sem os programas Ruas Abertas e de Rua de Lazer, os equipamentos públicos que incentivam a prática de esporte e lazer são rasos.

“Não consigo deixar o meu filho na rua, pois os motoristas não respeitam. No Jardim Colonial, na época em que eu era adolescente, tinha uma rua de lazer. Os moradores da Vila Flávia querem se juntar para fechar a rua do São Mateus em Movimento no domingo para a prática”, conta Edlane.

Em nota, a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SEME) afirma que São Mateus receberá duas vias no programa Ruas de Lazer, porém ainda sem previsão de quando a ação começará. Outras prefeituras regionais também aguardam a abertura das ruas: Guaianases (1), Itaquera (1), M’ Boi Mirim (2) e Campo Limpo (1).

 

Usuários da principal praça de São Mateus aproveitam o wi-fi do espaço (foto Laiza Lopes)

 

Um dos únicos espaços de lazer para o cabeleireiro Anderson Diniz, 37, e sua esposa, a operadora de telemarketing Fernanda Blinovas, 31, é a Praça Felisberto Fernandes da Silva. A caminhada de 20 minutos para chegar ao local não incomoda o casal que mora no Jardim Tietê.

Segundo eles, no bairro só há uma praça pequena, e as facilidades como o wi-fi e policiamento tornam a praça próxima ao terminal São Mateus um lugar seguro para passar o tempo.

“Ficamos de duas a três horas aqui, consigo ir ao banco, resolver minhas coisas e aproveitar a praça. Antigamente, aqui era horrível, tinha assalto, brigas. As pessoas preferiam pegar ônibus a ter que passar por aqui”, afirma Diniz.

Apesar das reformas, o casal acredita que falta equipamento de lazer para as crianças. “Aqui poderia ter um espaço para as crianças com brinquedos. Quando tivermos filhos, seria legal trazer aqui para brincar”, completa Blinovas.

Quando se trata de equipamentos públicos de esportes, São Mateus enfrenta um cenário decrescente. Em 2016, o Observatório do Cidadão registrou 13 equipamentos do tipo, que indicava 0,29 espaço para cada 10.000 habitantes — o quarto menor indicador da zona leste. Já em 2017, a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SEME) contabilizava nove equipamentos para a prática esportiva no local.  

Praça Felisberto Fernandes da Silva é abrigo para moradores de rua
Praça Felisberto Fernandes da Silva é abrigo para moradores de rua (foto: Laiza Lopes)

 

RUAS ABERTAS X RUAS DE LAZER

Segundo dados da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SEME) e da Secretaria das Prefeituras Regionais, São Paulo conta com 22 Ruas de Lazer e 24 Ruas Abertas. As diferenças entre ambos os programas são poucas.

Enquanto o primeiro possui uma articulação com a Secretaria de Esporte e Lazer (SEME) e prevê o fechamento da via para a prática de lazer, o Ruas Abertas permite a circulação de pedestres e ciclistas, bem como manifestações artísticas, culturais e esportivas, mediante aprovação com a prefeitura regional local — ambas as propostas envolvem o fechamento das ruas em domingos e feriados.

O programa Ruas de Lazer, por exemplo, já chegou a receber mais de 1.000 vias, mas passou por um recadastramento, o que acarretou na concentração da ação apenas nas regiões do Ipiranga, Cursino e Sacomã. Ao ser questionada sobre a expansão do programa, a SEME afirma que está trabalhando com atividades de incentivo, promoção, divulgação e valorização de boas práticas.

Para garantir a efetividade das ações do Ruas Abertas, a ONG Minha Sampa criou um recrutamento de zeladores. “A ideia é que as pessoas nos contem por meio de imagens e pequenos relatos o que está acontecendo na Rua Aberta no seu bairro. Queremos pensar juntos em ideias e soluções para fazer com que mais pessoas usufruam do projeto com qualidade”, conta o mobilizador da ONG, Marcio Black, 38. Quem tem interesse em ser um zelador, pode se cadastrar aqui.