Prefeito regional da Vila Mariana avalia seus 9 meses de gestão

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Benedito Mascarenhas, 52, diz gostar muito do que faz e só lamenta não ter mais tempo para os filhos.

Benedito Mascarenhas
Prefeito Regional Benedito Mascarenhas vive há 32 anos na Vila Mariana (Rafael Carneiro/Agência Mural)

“Sou prefeito 24h por dia e não tenho muito horário. Só sei a hora que acordo”, brinca Benedito Mascarenhas, 52, sobre a sua atribulada rotina. Prefeito regional da Vila Mariana, na zona sul da capital, ele diz gostar muito do que faz e só lamenta não ter mais tempo para os filhos. “Não tenho fim de semana, feriado…”.

Quando surge um tempo livre, é para o Parque das Bicicletas que Mascarenhas vai, principalmente com o filho mais novo, de oito anos. O local é frequentado por aqueles que buscam um lugar seguro para utilizar a “magrela”, andar de patins, skate ou patinete. O parque ainda conta uma academia ao ar livre. Benê, como é conhecido, adora pedalar.

Próximo ao Parque das Bicicletas, está o Ibirapuera, chamado carinhosamente de Ibira pelos paulistanos. O parque é o mais importante da cidade e reúne diversas atrações. “Gosto de estar ao ar livre, de curtir a natureza”.

A área que compreende os dois parques é considerada um “reduto” verde na capital paulista, porém isso não coloca a região administrada pela Prefeitura Regional da Vila Mariana entre as que dispõem de mais áreas verdes por habitantes. Pelo contrário, ela é uma das piores. São apenas 2,80 m² por habitante, segundo dados de 2016 do Observatório Cidadão. Parelheiros é a mais bem colocada no ranking das prefeituras regionais, com 501,73 m² por morador.

As áreas verdes da Vila Mariana são um grande desafio para Benê, apesar dos baixos índices apontados pelo Observatório Cidadão. “A Vila Mariana tem muita árvore e temos um cuidado e uma atenção especial em relação à poda”. Sobre a quantidade de equipes para realizar o serviço, o administrador regional diz que sempre precisa de mais e adiantou que a Secretaria Municipal das Prefeituras Regionais está estudando um reequilíbrio dessas equipes conforme a demanda de cada região.

NOVE MESES DE GESTÃO

Em 1985, quando Benedito Mascarenhas, então um jovem de 20 anos, saiu de Riacho Frio (PI) para estudar e trabalhar em São Paulo, ele não imaginava que um dia estaria administrando uma região com população cerca de 80 vezes maior que a da sua terra natal.

Logo que chegou à capital paulista, Benê foi morar com os tios na Vila Mariana e foi nesse momento que a sua relação com o local começou. “Na época, Riacho Frio ainda não era emancipada. Era apenas um distrito e lá não tinha faculdade. Aí eu tive a oportunidade de vir para cá”, lembra.

Benedito Mascarenhas durante limpeza na prefeitura regional da Vila Mariana (Rafael Carneiro/Agência Mural)

Formado em jornalismo, ao longo dos 32 anos vivendo em São Paulo, Benê já trabalhou como bancário, foi assessor de imprensa na Escola Paulista de Medicina, assessor do ex-ministro da Educação, Paulo Renato Souza, e assessor do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Desde 1º de janeiro está à frente da Prefeitura Regional da Vila Mariana, e nesses nove meses de gestão já assegura ter acumulado “vitórias e desafios a serem superados”.

Um dos avanços que considera significativos, nos últimos meses, é a implementação de um Centro de Acolhida para Moradores de Rua. “É pequeno, atende 120 pessoas, mas é já é um começo”.

“Outra coisa que fizemos foi a construção da Praça Ayrton Senna, em parceria com a Secretaria de Esportes. Tiramos o monumento da entrada do túnel que leva o nome do piloto e revitalizamos o espaço do ‘modelódromo’. Quem vai hoje lá, encontra um lugar muito agradável. Senna demandava por um local que contasse a sua história”.

Um dos problemas antigos da Vila Mariana, mais precisamente do distrito de Moema, são os alagamentos que ocorrem em algumas de suas vias, como a Ibijaú e a Gaivota.

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A questão é uma pauta corriqueira nas reuniões do Conselho Participativo. Sobre a situação, Benê explica que essa área está sob o Córrego do Uberaba e para melhorar a situação deve ser construído um piscinão na praça Juca Mulato, em frente ao Tribunal de Contas do Município.

Há um projeto e logo que assumi tomei conhecimento dele. Apesar de ser uma obra que não é de responsabilidade da Prefeitura Regional, mas da Secretaria de Serviços e Obras, eu vou participar das discussões e acompanhar também o andamento dela”. A prefeitura municipal ainda está em busca de recursos para executá-la.

CARROS ABANDONADOS

Outro problema que é alvo de muita reclamação por parte dos moradores é a quantidade de automóveis abandonados nas ruas. Benê explica que a Prefeitura Regional notifica o veículo e, após cinco dias, ele é considerado abandonado.

“O recolhimento de veículos depende de uma série de fatores. Quando verificamos que um carro está parado há muito tempo em um determinado lugar, a gente adesiva e o proprietário tem cinco dias para retirá-lo. Se ele não faz isso, nós solicitamos junto aos órgãos que legislam sobre o automóvel, como o Detran, para pegarmos as informações sobre o veículo. Depois a gente recolhe”.

Carros abandonados na Vila Mariana (Rafael Carneiro/Agência Mural)

Porém, o processo de remoção pode ser mais burocrático do que parece. Se o automóvel está envolvido em algum crime, por exemplo, a prefeitura regional tem que esperar todo o trabalho de investigação da Polícia para depois removê-lo. A Secretaria das Prefeituras Regionais está estudando uma maneira de solucionar a lotação que vários desses pátios enfrentam.

Números da Prefeitura Regional da Vila Mariana mostram que 218 automóveis foram notificados entre janeiro e agosto de 2017. Um total de 132 foram removidos pelo proprietário e sete foram recolhidos pela administração regional.