Brasilândia tem o pior número de telecentro de SP

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Em outros 33 distritos da cidade não há sequer um equipamento de inclusão digital

Jardim Vista Alegre
Ponto de wi-fi no Jardim Vista Alegre na Brasilândia (Cleber Arruda/Agência Mural)

Para acessar a internet e realizar tarefas básicas como ajudar os filhos com pesquisas escolares, a atendente Fabiana da Silva, 39, precisa utilizar um transporte público ou fazer uma longa caminhada da sua casa no Jardim Princesa até o telecentro mais próximo da sua casa, no Jardim Paraná, ambos no distrito da Brasilândia, na zona norte de São Paulo.

“Já morei mais próximo de um telecentro e utilizava com frequência. Hoje ando quase todos os dias de 25 a 30 minutos até o ponto de wi-fi mais próximo para poder me conectar”, diz a moradora, que costuma usar a rede, principalmente, para enviar fotos da família para a sogra no Pernambuco.

O distrito onde Fabiana mora foi considerado o com o menor índice de telecentros da capital paulista, no ano passado, segundo o atual levantamento do Mapa da Desigualdade 2017, que indica apenas um equipamento para os mais de 269 mil moradores da região.

Em outros 33 distritos da cidade não há se quer um telecentro. Para efeitos comparativos, o Jacanã, na zona norte, é o mais bem equipado, com três unidades para a população de 94.098.

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“É ruim ver que lugares como esses telecentros, que tirariam tantos jovens das ruas, com uma ocupação ou lazer, ficam longes das suas casas”, diz Fabiana.

O estudante Rafael Marcilo, 19, que trocou o telecentro que frequentava no CEU Paz pelo mesmo ponto de wi-fi que Fabiana frequenta, no Jardim Vista Alegre, concorda e argumenta.

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“Para gente que é pobre e não tem crédito no celular para ficar conectado, esses telecentros e pontos de wi-fi ajudam muito. É claro que deveria ter bem mais pela quantidade de jovens na região”, afirma.

Jardim Vista Alegre
Os estudantes Rafael Marcilo entre os amigos Natália Amorim e Webton Souza no ponto de wi-fi do Jardim Vista Alegre (Cleber Arruda/Agência Mural)

Para Marcilo, são inúmeras as utilidades do telecentro, contudo o horário de funcionamento já lhe foi um problema.

“Utilizava muito para fazer cadastros, currículos, ver filmes, usar as redes sociais e, antes, costumava fechar às 18h, mas ultimamente estão fechando às 15h, 16h. Não é justo com a gente”, diz sobre a unidade do CEU Paz.

Para chegar lá, o jovem precisa encarar subidas e bater bastante perna.

A reportagem averiguou porém que, diferente do levantamento, nos registros da prefeitura de São Paulo, o distrito da Brasilândia contabiliza dois telecentros: um no CEU Paz, localizado no Jardim Paraná, e outro no CEU Paulistano, no Jardim Paulistano.

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Procurada, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia não informou se houve mudanças nos números este ano, mas afirma que não há previsão de ampliação da rede atual de 137 Telecentros dispostos na cidade. O levantamento do Mapa da Desigualdade registra o total de 147 na cidade.

A nota da pasta enviada por e-mail diz ainda que a nova gestão da administração municipal estuda a possível ressignificação do programa de inclusão digital com o objetivo de ampliar a ocupação destes espaços públicos e modernizar os conteúdos ofertados.