Ponte Pirituba-Lapa está prevista para início de 2019, mas divide opiniões

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Construção prevê retirada de cerca de 500 árvores e 45 desapropriações de imóveis 

Pirituba Jaraguá
Pirituba-Jaraguá vista do Pico do Jaraguá, da região de mesmo nome (Humberto Muller/Agência Mural)

Primeiro semestre de 2019. Este é o período anunciado pela Prefeitura de São Paulo para a entrega da ponte Pirituba-Lapa.

As obras entre as regiões norte e oeste da capital paulista devem começar no primeiro trimestre de 2018, embora o prefeito João Doria (PSDB) tenha veiculado um vídeo, em março, garantindo o início da construção ainda para o final do ano.

A “ponte da Raimundo”, como é conhecida, vai ligar os dois lados da avenida Raimundo Pereira de Magalhães.

Serão 450 metros de extensão de Pirituba, nas imediações do Tietê Plaza Shopping, à Lapa, na rua John Harrison. A estimativa é que o trajeto, hoje feito principalmente pela Ponte do Piqueri, seja diminuído em 15 minutos.

Parte integrante da Operação Urbana Água Branca, que prevê melhorias e desenvolvimento aos bairros da Água Branca, Perdizes e Barra Funda, e assegurada pela Secretaria Municipal de Serviços e Obras (SP Obras), a construção da ponte tem um custo de R$ 198 milhões, sem contar as obras do entorno, segundo informações da Prefeitura Regional Pirituba/Jaraguá.

“A ponte terá duas faixas para carros, uma exclusiva de ônibus, ciclovia e uma faixa de passeio para pedestres em ambos os sentidos”, garantiu o prefeito regional Ivan Lima.

Planta ponte Pirituba Lapa
Construção prevê retirada de cerca de 500 árvores e 45 desapropriações de imóveis (Reprodução)

Segundo ele, a Raimundo, no trecho da Vila Anastácio, será alargada em toda sua extensão e receberá melhorias; a rua John Harrison também receberá intervenções para a implantação de uma faixa exclusiva de ônibus, que deve ir do Mercado Municipal da Lapa, o Mercadão, até o acesso ao novo túnel previsto sob a Linha 8 – Diamante da CPTM (no cruzamento da  Avenida Raimundo Pereira de Magalhães com a Rua Gago Coutinho).

OPINIÕES DIVIDIDAS

As medidas ainda dividem a opinião de moradores. Para Fernando Mourão, presidente da Associação de Moradores City Lapa (Amocity), a ponte tem mobilidade duvidosa.

“Ela não terá alça para a Marginal do Tietê, ou seja, todo o seu fluxo será jogado para a Lapa ou para a Vila Anastácio, que passa por um expressivo momento de especulação imobiliária e terá um contingente de moradores ainda maior futuramente”, defende. “Fico pensando quando todos estiverem saindo para trabalhar…Queremos mobilidade para Pirituba, mas para a Lapa também.”

Ele ainda critica o fato de não terem sido procurados para discutir a proposta e acusa o projeto de eleitoreiro. “Há interesses obscuros por trás da iniciativa. O Shopping Tietê, por exemplo, está falido, ou seja, é de interesse da iniciativa privada ter esse canal de comunicação direta com a Lapa”.

Cleto Vitor da Silva, 64, fundador do Movimento Ponte de Pirituba Já, defende o projeto e apresenta opinião divergente. “Se propuséssemos a alça teríamos trânsito na ponte e reflexo em outras avenidas da região, como Mutinga e General Edgar Facó, justamente porque a Marginal do Tietê tem congestionamento todos os dias”, coloca.

“A Raimundo Pereira de Magalhães é a única avenida de São Paulo cortada pelo rio que não é interligada”, complementa, justificando a necessidade da ponte.

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Além das intervenções estruturais, a construção da ponte prevê a retirada de 510 árvores, sendo seis exemplares de pau-brasil e a desapropriação de 45 imóveis particulares, conforme Estudo de Impacto Ambiental realizado pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) e apresentado aos munícipes em audiências públicas realizadas em setembro.

A maior parte das desapropriações ocorrerá na Lapa, 22 imóveis serão desapropriados totalmente e 12 de maneira parcial. Em Pirituba, serão 11 desapropriações parciais.

A SP Obras garante que todas as famílias receberão indenização prévia, paga em dinheiro, pelo terreno ou imóvel atingido com a obra.

Sobre a retirada das árvores, a secretaria informou que, após a elaboração do projeto executivo, será feita uma avaliação do tipo de manejo arbóreo mais indicado, e que a ação será formalizada em um termo de compromisso ambiental firmado entre a SP Obras e a SVMA, com base na legislação ambiental vigente (portaria 130).