‘Zerei todas as demandas de tapa-buraco com equipe própria’

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Guilherme Brito assumiu cargo em agosto, após exoneração do antigo gestor

Guilherme Brito
Guilherme Brito assumiu o cargo de prefeito regional em agosto (Rafael Carneiro/Agência Mural)

Longe do tiro com arco há um tempo, o alvo de Guilherme Brito tem sido outro nos últimos dois meses: administrar da melhor maneira possível a região da Vila Prudente, na zona leste da capital paulista. Em agosto, o prefeito regional substituiu Jorge Farid Boulos, exonerado do cargo, e considera que em seu curto tempo de mandato já conseguiu um feito de extrema importância: zerar as demandas de tapa-buraco sem necessitar do auxílio de equipes vindas de outras secretarias.

“Nós temos uma equipe interna muito competente. Mas eu também consegui um aumento de recursos no contrato para a área. Nós praticamente o dobramos e também foi aumentado em duas vezes o número de toneladas de asfalto destinada para isso. Hoje tenho 20 toneladas. Quando cheguei, a média de buracos tapados por dia era de sete. Atualmente são 12, 13”, afirma o administrador.

O serviço de tapa-buraco tem levado em média 72 horas para ser concluído após a demanda chegar ao 156, o serviço de reclamações da Prefeitura de São Paulo.

O Programa Tapa-Bruraco havia sido suspenso por 125 dias na Vila Prudente a partir de 25 de maio, e o motivo era a falta de recursos. Porém, ele foi reativado no dia 1º de agosto, pouco antes de Brito assumir o cargo, em 18 do mesmo mês.

A zeladoria, uma das principais bandeiras da gestão João Doria (PSDB), sofreu diminuição entre janeiro e agosto. De acordo com dados enviados ao jornal O Estado de S. Paulo, por meio da Lei de Acesso à Informação, oito em nove serviços sofreram queda na comparação com o mesmo período de 2016.

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Inspirado pela conquista que obteve logo no início de seu mandato, Brito pretende também zerar as demandas por poda de árvore. Segundo ele, nos últimos 60 dias, foram feitas 734 podas. “Há muita demanda de poda que entra, mas eu só posso dar baixa depois que a Eletropaulo fizer isso”, explica.

Ainda na área ambiental, outro desafio para o prefeito regional é a adoção das áreas verdes, como praças. Até o momento, dos 207 espaços existentes, 25 foram adotados. “Quero chegar pelo menos na metade”, afirma.

De acordo com o Mapa da Desigualdade, a Vila Prudente possui 1,62 m² de área verde por habitante e está entre as piores colocadas no quesito. Só perde para a vizinha Sapopemba, para Guaianases e Cidade Ademar. A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda um mínimo de 12 m² de área verde por morador.

DESENVOLVIMENTO

O primeiro registro de surgimento da Vila Prudente é de 1890, e ele chegou a ser publicado no jornal “O Estado de S. Paulo” do dia 7 de outubro. Dizia a nota: “Nesta capital foi constituída uma empresa que adquiriu terras entre São Caetano e Mooca, com o fim de estabelecer uma vila que terá o nome encima citado nesta notícia (Vila Prudente), em homenagem ao governador do Estado, Dr. Prudente de Moraes”.

O nome Vila Prudente é uma homenagem à Prudente de Moraes, ex-governador de São Paulo (Crédito: Rafael Carneiro)

Foi neste período que imigrantes italianos construíram no local a Fábrica de Chocolates e Confeitos Falchi e ergueram uma vila industrial cheia de moradias para os operários.

A fábrica dos Falchi impulsionou o desenvolvimento industrial e comercial da região. No início do século XX, depois da fábrica de chocolates, vieram outras importantes indústrias, como a Cerâmica Vila Prudente, a Indústria de Louças Zappi, a Manufatura de Chapéus Oriente e a Fábrica Paulista de Papel e Papelão. De uma região quase deserta do final do século XIX, a Vila Prudente se transformava em uma grande vila fabril.

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O prefeito regional Guilherme Brito, que sempre passava pela região, pouco conhecia a sua história. A Vila Prudente estava no seu caminho para Sapopemba, onde, até agosto, antes de convidado para assumir o cargo atual, era chefe de gabinete da Prefeitura Regional.

Até hoje ele ainda vai a Sapopemba, mas apenas para estudar. Brito cursa Gestão Pública na Uninove. Formado em direto,  o prefeito local nunca exerceu a profissão, e desde cedo começou a trabalhar com administração pública.

Morador da Vila Mariana, na zona sul, aos 41 anos, ele diz ter consciência de que ainda há muito o que aprender e conhecer do lugar onde trabalha.

“Costumo vir para cá aos finais de semana também e, quando tenho tempo livre, eu gosto de passear pela região. De vez em quando eu vou ao Santa Coxinha almoçar, gosto de frequentar os CDCs (Clubes da Comunidade), principalmente o Arthur Friedenreich, os parques… Aos pouquinhos eu vou conhecendo.”

Sempre com agenda cheia, Brito passa a maior parte do dia na Vila Prudente e só volta para casa para dormir. Esse foi um dos motivos pelo qual precisou se afastar do tiro com arco, pelo qual é apaixonado.

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“Procurei o esporte porque estava ficando velho e queria alguma coisa em que eu pudesse ser competitivo”, lembra.

Brito chegou a liderar o ranking nacional por seis meses e conquistou algumas etapas do Campeonato Paulista e foi tricampeão interclubes. Possíveis conquistas à vista? Só no lado profissional.