Os 8 erros que atrasam os ônibus no corredor Pirituba-Lapa-Centro

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Passageiros viajam mais devagar do que na média dos corredores da cidade

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Rodrigo Jacinto
Avenida São João, que deixa de ser atendida por algumas linhas sem prévio aviso (Rodrigo Jacinto)

No corredor de ônibus Pirituba-Lapa-Centro, os passageiros viajam mais devagar do que na média dos corredores da cidade.

Ali, os veículos rodaram em média a 18.6 km/h em 2016, segundo os dados mais recentes divulgados pela SPTrans. É o menor valor entre os 11 corredores da cidade. No mais rápido deles, o Expresso Tiradentes, as viagens têm média de 42,4 km/h.

Inaugurado em 2003, na gestão Marta Suplicy (PT), o corredor facilitou o acesso dos moradores de bairros como Jaraguá, Pirituba e Lapa ao centro, mas desde o início apresentou algumas falhas de projeto, como falta de pontos de ultrapassagem entre os ônibus, o que faz com que quando um para, todos que vem atrás precisem esperar.

Ao longo dos anos, foram feitas algumas obras de melhoria, como a duplicação da parada Rio Verde, que passou a permitir a ultrapassagem dos ônibus. Mesmo assim, há vários outros pequenos gargalos que roubam minutos diários dos mais de 230 mil passageiros das linhas que passam por este corredor diariamente. Veja abaixo oito dessas falhas:

1. Asfalto ruim

As pistas são de concreto apenas nos pontos. Os ônibus passam sobre o asfalto na maior parte do caminho. Esse tipo de pavimento é menos resistente e, assim, há buracos em muitos trechos. Isso faz com que os motoristas precisem reduzir a velocidade. Os solavancos também atrapalham a leitura dos passageiros.

2. Faixa que trava

No cruzamento da avenida General Edgar Facó com a avenida Paula Ferreira, uma faixa de pedestres foi alargada e, com isso, os carros que esperam para entrar à esquerda acabam fazendo uma fila que trava a faixa de ônibus. Isso também ocorre, em menor medida, no cruzamento com a rua Rio Verde.

3. Parada dupla

Em lugares como a avenida general Edgar Facó e a avenida São João, há semáforos antes dos pontos, o que faz o ônibus parar duas vezes, uma no farol (se estiver fechado) e outra para atender aos passageiros. Se o farol ficasse logo depois do ponto, como ocorre em outros pontos, os passageiros poderiam entrar e sair do ônibus no tempo que leva para o farol abrir.

Farol F antes de ponto na avenida General Edgar Facó (Google Maps)

4. 100 metros com barreiras

Na praça Jácomo Zanella, a pista sentido centro tem dois semáforos seguidos em cerca de 100 metros. Mas eles não são sincronizados: quando o primeiro abre, o segundo está prestes a fechar. Com isso, vencer esse trecho demanda vários minutos de espera.

Dois semáforos seguidos na Praça Jácomo Zanella (Google Maps)

5. Ilhado no viaduto

Logo depois de passar pelos dois faróis, os ônibus caem no trânsito junto com os demais carros: não há faixa exclusiva no viaduto Elias Nagib Breim, trecho de 600 metros que costuma travar na parte da manhã. Os ônibus acabam ilhados no meio dos carros.

6. Paradinha no Sesc

Seguindo viagem rumo ao centro, há outro gargalo na rua Clélia. Há quatro semáforos num trecho de 380 metros na região do Sesc Pompeia. Carros que vêm do viaduto Pompeia costumam fechar o cruzamento e geram uma fila de ônibus em espera.

Cinco semáforos seguidos na rua Cléia, perto do Sesc Pompeia (Google Maps)

7. Veículos articulados de 23 metros entram e saem do corredor em vários pontos

A grande maioria dos veículos deste corredor são ônibus comuns, de cerca de 13 metros de comprimento. Apenas três linhas usam veículos articulados, que chegam a ter 23 metros de extensão. No entanto, essas linhas usam apenas parte do corredor. É o caso da 189L (V. Iório – Lapa) e 119F (Petrônio Portela – Metrô Barra Funda). Veículos dessas linhas precisam entrar e sair do corredor e trocar de pista em meio aos carros, com risco de ficarem travados.

8. Ônibus desaparecem

Na hora de voltar pra casa, há risco de não ter ônibus. Quando chove ou há protestos na região da praça da República, os veículos no sentido centro dão meia volta antes do fim do trajeto e deixam de atender os pontos da avenida São João. Pode demorar até meia hora para aparecer um ônibus, e as paradas começam a ficar cheias de gente. Não há aviso nos pontos sobre a mudança ou quanto tempo vai levar para voltar à normalidade.

Terminal Pirituba, de onde partem os ônibus para o corredor (Rodrigo Jacinto)

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OUTRO LADO

As respostas da SPTrans e da CET, de acordo com cada item acima:

1.
A SPTrans informa que foram realizados serviços de fresa e recapeamento na região da Lapa e avenidas Ermano Marchetti e Edgar Facó, além de serviços de tapa-buraco na  avenida Francisco Matarazzo. Atualmente está sendo feita a troca do pavimento rígido nas paradas da Edgar Facó.

2.
A faixa junto ao canteiro da avenida Edgar Facó foi alargada em função da implantação da ciclovia. Em função disto, houve a necessidade de elaboração de projeto prevendo a proibição do movimento de conversão de veículos à esquerda. Referido projeto aguarda providências relativas à execução dos serviços previstos.

3.
Os pontos de ônibus e os semáforos são implantados em função das características geométricas e de demanda de circulação / atração dos pedestres e usuários do transporte coletivo. A configuração desejável para o posicionamento dos semáforos é, normalmente, após o ponto de parada dos ônibus evitando que as filas atrapalhem a travessia dos pedestres, no entanto, estes locais não necessariamente, atendem ao desejo do usuário. Acrescenta-se a aleatoriedade do tempo de espera do ônibus na parada (durante o embarque / desembarque) o que pode acarretar maior ou menor espera junto ao semáforo.

4.
A CET informa que na praça Jácomo Zanella, devido à sua característica geométrica, são favorecidos os movimentos veiculares e do transporte coletivo ao longo da av. Ermano Marchetti (Piqueri / Centro). Os ônibus que fazem conversão no sentido do viaduto Elias Nagib Breim (Lapa), pela configuração, devem parar. Caso a programação do semáforo fosse alterada, haveria a condição de parada (duas vezes) para os movimentos em frente no sentido centro. Desta forma, a atual programação é considerada a mais segura para a demanda atual.

5.
Sem resposta

6.
Sobre a rua Clélia, trata-se de ponto de estrangulamento no sistema viário no qual a demanda veicular é maior do que a capacidade viária junto ao cruzamento da rua Clélia com a rua Palestra Itália e à av. Pompéia. Acrescenta-se a isto, a travessia de pedestres que, neste ponto, é priorizada em virtude dos atrativos desta região (Sesc, Supermercado, pontos de ônibus).
7.
Os veículos que trafegam pela avenida Ermano Marchetti precisam sair com antecedência do corredor para acessar ruas à direita. Desta forma, o veículo faz a conversão em posicionamento correto, o fluxo não é interrompido de forma abrupta e evita-se o risco de acidentes.
8.
Em dias de protesto na região da praça da República, são feitos desvios operacionais temporários das linhas. O procedimento é feito no lugar mais adequado à realização de manobras, já que a frota em operação nos corredores é de veículos superarticulados e biarticulados. A ação busca garantir a segurança dos usuários e operadores, a continuidade da operação da linha no sentido oposto e a preservação do patrimônio público.