‘Ciclovias da Lapa foram feitas de forma estabanada’

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Atual prefeito regional, Carlos Fernandes administrou região entre 2010 e 2011, período em que elaborou projeto cicloviário abandonado pela gestão petista

Carlos Eduardo Batista Fernandes já havia administrado a Lapa entre 2010 e 2011 (Rafael Carneiro/32xSP)

Anunciado por João Doria (PSDB) há pouco mais de um ano como o novo prefeito regional da Lapa, na zona oeste da capital paulista, Carlos Eduardo Batista Fernandes, 56, assumiu um cargo que já havia sido seu no passado, mas com o nome de subprefeito.

Fernandes administrou a Lapa entre 2010 e 2011, período em que propôs a elaboração do Plano Cicloviário. O projeto, explica o gestor, foi abandonado nos anos seguintes, já na prefeitura de Fernando Haddad (PT). O que ele chama de algo “lastimável”.

“Não sou contra as ciclovias, mas elas foram feitas de forma estabanada”, ressalta. “O que foi implementado pela gestão Haddad não respeitou em nada o que fizemos. Hoje, tem ciclofaixa que sai de um ponto e não liga a lugar nenhum! O Plano Cicloviário foi elaborado com a ajuda de cicloativistas e a nossa ideia era diminuir o uso do carro”, explica.

O plano cicloviário a que Fernandes se refere foi produzido pela empresa Ativa – Engenharia, Arquitetura e Urbanismo e custeado pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente.

Previa a construção de ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas e a instalação de paraciclos. Além disso, incluía a restruturação de pontes da região para que elas tivessem espaços apropriados para as para as bicicletas.

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A ligação da infraestrutura cicloviária com as estações de trem e metrô, levando em conta locais de grandes interesses, como igrejas, comércios e faculdades, também estavam no plano. Ao todo seriam 100 km de estrutura construída com prazo de conclusão em até 10 anos.

Atualmente, as ciclovias e ciclofaixas existentes são alvo de reclamação dos moradores sob a alegação de que elas mais atrapalham do que facilitam e que onde foram construídas há pouco movimento de ciclistas.

Em março deste ano, por exemplo, um grupo de residentes e comerciantes das ruas Thomé de Souza e Coriolano se reuniu com Fernandes para pedir que a ciclovia fosse retirada dos trechos dessas vias, que são tombados pelo Patrimônio Histórico da Cidade.

Em relação à reclamação acima, a demanda foi encaminhada por ofício à CET (Companhia de Engenharia e Tráfego), solicitando um estudo. O órgão ainda está avaliando a questão.

O trecho da Coriolano que têm mais comércios também é alvo de reclamação. Segundo o prefeito regional, a solução para essa outra demanda era simples: fazer a ciclofaixa na rua Fábia, que é mais tranquila, ao invés da Coriolano.

Fernandes elaborou o projeto de uma ciclovia na rua Gustav Willi Borghoff e que fará a ligação com a estação Barra Funda

“Outra dificuldade das ciclovias e ciclofaixas que temos é o acesso às estações de trem e metrô. Se eu estou perto do [estádio do] Palmeiras e quero ir ao metrô de bicicleta, por exemplo, tenho que ir para a estação Marechal Deodoro. Eu já fiz uma proposta que prevê uma ciclovia na rua Gustav Willi Borghoff e que faz a ligação com a estação Barra Funda, de onde partem linhas de trem, metrô e ainda tem o terminal de ônibus. Ali não vai incomodar ninguém e ainda seria ligado a um corredor de ônibus. Ainda é um projeto”, explica.

UMA CIDADE CHAMADA LAPA

Nascido em Santos, Carlos Eduardo Batista Fernandes conta que a cidade literânea foi apenas seu local de nascimento. Uma das poucas ligações que tem com a cidade é o Santos Futebol Clube, seu time do coração. Apenas isso, já que viveu toda a sua vida na Lapa.

Casado e pai de dois filhos, é formado e administração de empresas e se tornou empresário do setor gráfico. A sua primeira experiência no setor público foi nos anos 80, voltando a atuar nele em 2005, durante a gestão Serra/ Kassab.

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Em mais de meio século vivendo a Lapa, Fernandes presenciou as grandes transformações da região. De lugar industrial, tendo como símbolo as indústrias Matarazzo, a um local de serviços muito forte. O eixo compreendido entre o Allianz Parque e o Largo Padre Péricles, por exemplo, concentra atualmente vários estabelecimentos voltados ao entretenimento.

“A Lapa ainda é a porta de entrada de São Paulo. São várias rodovias chegando ou partindo da região, importantes linhas férreas, há o terminal de ônibus… A Lapa é uma cidade com toda a sua diversidade e todos os seus problemas”, ressalta o prefeito regional.

“Um grande desafio a ser enfrentado é que a nossa região tenha um maior equilíbrio na oferta de serviços. Não é atender somente bairros como Pacaembu e Vila Leopoldina, onde estão as classes média e alta, e deixar de atender o Jaguara e o Jaguaré. Não é porque eles pagam imposto mais baixo que eu vou priorizar outros lugares”, afirma Fernandes.


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