Projeto de contação de histórias chegou apenas a 6 das 32 regionais

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Guaianases realizou somente duas atividades, enquanto o Butantã foram 25 ao longo de 2016

Destinado a crianças de 0 a 6 anos, o Programa Contações de Histórias pertence à Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas (Lucas Quadros/ Trensurb)

Somente as prefeituras regionais de Pirituba/ Jaraguá, Freguesia do Ó/ Brasilândia, Pinheiros, Butantã, Lapa e Guaianases receberam o “Contações de Histórias”, programa da Prefeitura de São Paulo que busca promover literatura na primeira infância. A situação é ainda é mais agravante quando analisado o número de atividades realizadas em cada regional durante o ano de 2016.

Esse cenário, apresentado pelo Mapa da Desigualdade da Primeira Infância, lançado na última terça-feira (5), mostra ainda que existe uma disparidade muito grande principalmente entre duas regiões contempladas pela iniciativa. Enquanto no Butantã, na zona oeste, foram realizadas 25 atividades, em Guaianases, na zona leste, esse número foi apenas 2, ou seja, 92% a menos.

Segundo Harika Maia, consultora de Projetos da Rede Conhecimento Social e membro da equipe que elaborou o Mapa da Desigualdade Primeira Infância, o programa Contações de Histórias é extremamente importante para as crianças pequenas porque elas [as historinhas] são o primeiro contato desse público com o aprendizado de algo.

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“Por meio das histórias, a criança aprende a escutar e a ser participativa. E de forma lúdica. Explora os sentidos, aguça a imaginação, a curiosidade, a criatividade. Sem falar que elas entram em contato com a literatura”, afirma.

Harika comenta que alguns fatores podem explicar essa diferença entre os dois extremos da cidade, sendo um deles o esforço maior da Prefeitura de São Paulo para realizar o programa no Butantã, apesar de Guaianases ter uma produção cultural muito grande.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Cultura preferiu não se manifestar sobre essa disparidade regional, pois, segundo a pasta, outra gestão comandava a prefeitura da capital paulista.

PROGRAMA

Destinado a crianças de 0 a 6 anos, o Programa Contações de Histórias pertence à Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas e busca estimular a imaginação, a atenção e a interação desse público infantil.

Nele, o contador de histórias também assume o papel de mediador e, a partir de um relato oral ou de um texto escrito, dialoga com as crianças na tentativa de incentivar a troca de experiências, o resgate dos repertórios individuais e as diversas possibilidades de interpretações de uma história.

Os contadores podem ser funcionários da rede pública que se especializaram nesta função ou profissionais vindos de outras áreas.

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É o caso de Kelly Osório, 46, contadora de histórias desde 1998. Graduada em comunicação social, ela é também uma das fundadoras do curso básico de formação de contadores de histórias na Biblioteca Hans Christian Andersen, no Tatuapé, zona leste.

“As crianças gostam muito de narrativas acumulativas, que são aquelas repetitivas, pois se sentem mais seguras dentro da história. Essa segurança na repetição pode ser vista também quando a criança pede para contar uma mesma história várias vezes”, explica Kelly, exemplificando como um tipo de narrativa a história dos “Três Porquinhos”.

Para Cisele Ortiz, do GT Educação da Rede Nossa São Paulo, a leitura em voz alta por meio da contação de histórias é importante principalmente para o desenvolvimento da imaginação. “Ela [a criança] mergulha nesse mundo, sonha, resolve problemas.”

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