Prefeitura matricula crianças em creches inacabadas na Cidade Ademar

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A poucas semanas para ínicio do ano letivo, unidades seguem ainda em obras. Em 2017, gestão Doria prometeu criar quase 8 mil novas matrículas para a região

Prefeitura matricula crianças em creches inacabadas na Cidade Ademar
Pichações e vidraças quebradas ainda estão visíveis na nova CEI conveniada à Prefeitura. Numeração errada pichada no muro confunde quem procura pela creche (Vagner Vital/32xSP)

Quem passa pela rua Walter Ferreira, na altura do número 277, na Cidade Ademar, zona sul da capital paulista, não imagina que o local abrigará uma creche. Mato alto, vidraças quebradas e tintura gasta dão tom à nova unidade do Centro de Educação Infantil (CEI) Cantinho da Fabiana, conveniada à Prefeitura de São Paulo.

No local, apenas uma faixa pendurada indica a estrutura que antes abrigava uma fábrica de camisetas. Sem informação, mães, pais e responsáveis pelas crianças temem que a unidade não fique pronta a tempo para início do ano letivo.

Mãe de uma criança de dois anos, Karen Vieira da Silva, 24, se assustou ao chegar no endereço onde surgiu a matricula para seu filho. “Não tem possibilidade de uma criança estudar em um lugar desses”, diz a promotora. “Eu acabei pedindo a transferência da vaga para uma escola mais perto de casa, mas ele acabou ficando no último lugar da fila de espera”.

No período de férias, Karen conta com a ajuda da irmã para ficar com o filho enquanto trabalha. Ajuda que chegará ao fim em fevereiro, quando não poderá contar mais com o auxílio da irmã. “Tenho medo de acabar perdendo a vaga do meu filho”, completa.

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Há 2 km do CEI Cantinho da Fabiana, outra unidade passa pela mesma situação. A CEI Jorginho, na rua Sebastião Sisson, lembra, pela imagem, um local abandonado.

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Por fora, muro e fachada com tintura gasta em meio à grama alta, vista pela entrada principal. Uma faixa indica que o local está em reforma. Nela, o mesmo telefone sinalizado na faixa do CEI Cantinho da Fabiana.

A reportagem do 32xSP esteve presente nas audiências públicas para discussão do Programa de Metas da Prefeitura para 2017-2020, em agosto do ano passado. Segundo proposta apresentada na audiência de devolutivas, a gestão Doria indicou a criação de 7.961 novas matrículas para a região ainda no atual mandato.

Durante campanha eleitoral, o atual prefeito prometeu zerar a fila de espera em creches deixada pela gestão anterior, criando assim 65.000 novas vagas na cidade até março deste ano.

No entanto, segundo dados do portal Pátio Digital, que utiliza dados oficiais da Prefeitura, a demanda de vagas em creches (crianças de zero a três anos) chega a 90.000. Entre os distritos com maior déficit, Cidade Ademar ocupa a 4ª posição, com 4.289 crianças à espera de vaga.

No entanto, segundo a Secretaria Municipal de Educação esses índices são referentes à setembro. Na última terça-feira (23), a pasta anunciou que a prefeitura chegou à menor demanda por creche da história: 44.094 pedidos.

O balanço é relativo a dezembro, em comparação ao mesmo mês nos últimos 10 anos (em 2007 a administração municipal passou a contabilizar de maneira unificada os pedidos por vagas, trimestralmente).

Segundo a nota, o resultado acontece após a criação de 26.000 vagas para crianças de até três anos em Centros de Educação Infantil (CEIs) em 2017, primeiro ano de gestão do prefeito João Doria.

GARGALO

O gargalo para conseguir vagas em creches tem levado pais a buscarem atendimento da Defensoria Pública no intuito de serem contemplados com a matrícula via ação judicial.

É o caso da auxiliar de loja, Gabriella Noronha da Silva, 19, que conseguiu uma vaga para sua filha de 1 ano e 10 meses, após procurar a Defensoria. No entanto, a matrícula também foi encaminhada para a creche Cantinho da Fabiana.

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“Fui [na creche] no mesmo dia que soube da vaga. Lá encontrei outras mães que, assim como eu, não estavam encontrando a creche no endereço que nos passaram”, conta.

“Ligamos na Secretaria [da Educação] e fomos informadas que a creche estava em obras, mas não vimos placa nenhuma, apenas na quinta-feira (4) colocaram uma faixa avisando sobre a reforma”, afirma.

Segundo dados recentes do Observatório da Primeira Infância 2017, da Rede Nossa São Paulo e da Fundação Bernard van Leer, uma criança de Cidade Tiradentes, extremo leste da capital, espera, em média, 28 dias para conseguir uma vaga, enquanto crianças, de zero a três anos, da Cidade Ademar, podem aguardar até 755 dias por uma matrícula.

 

Questionada, a Secretaria Municipal da Educação informa que unidades conveniadas citadas pela reportagem passam por reformas durante o mês de janeiro, período de recesso em que tradicionalmente são realizadas as adaptações, melhorias e atualizações necessárias em prédios escolares, para receber os alunos na volta às aulas, dia 5 de fevereiro.

Já em relação às crianças citadas, a pasta assegura que, ambas têm vaga garantida na rede municipal, e ainda enfatiza que a ampliação de vagas em creche é prioridade da atual gestão.

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