Reformada, biblioteca pública em Pinheiros tenta atrair mais público

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A Biblioteca Álvaro Guerra passou por obras no segundo semestre de 2017. Remodelada, ficou mais acessível, ganhou conexão wi-fi e novos mobiliários

A psicóloga Cássia Bittens aproveita o momento da leitura com a filha Zoe (Rafael Carneiro/ 32xSP)

Sentada em uma almofada confortável no chão, a psicóloga Cássia Bittens, 40, lê mais um livro para a pequena Zoe, de apenas cinco anos. O escolhido da vez é “Bárbaro”, uma obra escrita e ilustrada por Renato Mariconi, lançada pela editora Companhia das Letras. Mãe e filha se deliciam com o momento, se deixam levar pela leitura e não veem a hora passar. Quando Cássia se dá conta, são 15h30 e precisa ir embora.

“Gostei bastante da biblioteca! Eu trabalho com a literatura infantil na psicologia e fiquei muito contente com o acervo. Pretendo voltar e, quem sabe, fazer até um piquenique no jardim”, diz Cássia, que mora em Pinheiros, na zona oeste da capital.  e encontrou mais de uma vez, perto de sua casa, as portas da Biblioteca Álvaro Guerra, fechadas por conta de uma reforma.

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Localizada na avenida Pedroso de Moraes nº 1.919, o espaço é uma das três bibliotecas da Prefeitura Regional de Pinheiros que, de acordo com os dados mais recentes do Observatório Cidadão, é um dos lugares com o maior índice de livros infanto-juvenis e de livros adultos por habitante.

Inaugurada em 1955, ao longo da sua história a Álvaro Guerra passou por várias reformas sendo a última delas no segundo semestre de 2017, quando foi totalmente remodelada; ficou mais acessível, ganhou conexão wi-fi e novos mobiliários.

“O balcão de alvenaria foi derrubado, recebemos um guarda-volumes novo. As estantes permaneceram as mesmas, mas nas laterais foram feitas as placas coloridas para chamar a atenção. Tudo isso para que o ambiente ficasse mais convidativo, mais atraente ao público”, afirma a coordenadora Maria Angélica Costa, 59.

Reinaugurada no dia 21 de outubro, o novo projeto segue os eixos presentes no programa Biblioteca Viva, da prefeitura, que prevê a revitalização das bibliotecas municipais incentivando a leitura e partindo do princípio que ela é um fator importante na formação dos cidadãos.

O objetivo é aumentar a frequência nas bibliotecas públicas de São Paulo. Esse é também um dos pontos presentes no Programa de Metas da gestão João Doria (PSDB), que prevê um crescimento de 15% na utilização desses equipamentos.

Maria Angélica Costa, coordenadora da Biblioteca Álvaro Guerra (Rafael Carneiro/ 32xSP)

Pouco mais de três meses após aberta, a Álvaro Guerra tem recebido uma média de 45 pessoas por dia. Duas vezes por mês, ocorrem rodas de leitura e, mensalmente, acontece também o Cine-Papo, onde um filme é assistido e depois discutido em grupo. Além disso, aos sábados, o espaço, que tem na sua área externa um jardim com espécies nativas da Mata Atlântica, promove eventos programados.

“Nós ainda estamos reestruturando algumas coisas aqui. Há muitos livros com devolução atrasada, por exemplo. Pessoas que pegaram e nunca os devolveram. A lista é enorme! Isso nos entristece, pois fazemos tudo com tanto carinho, tanto cuidado… Os livros são de toda a população”, diz a coordenadora.

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Atualmente, dentre os livros mais procurados pelos frequentadores da biblioteca, o campeão é “Extraordinários”, da autora Raquel Jaramillo Palacio. Ele conta a história de August Pullman, o Auggie, que tem uma grande deformidade no rosto por conta de uma síndrome. Desafios não faltam na vida de Auggie, a começar pela convivência com os colegas de escola.

“A literatura amplia muito a forma de como a gente pensa, de como a gente vê o mundo. Nos faz viajar sem sair do lugar e nessa conhecemos culturas, países… Ela instiga a nossa curiosidade, abre portas, janelas”, ressalta Maria Angélica.

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