Reclamações sobre Prefeitura Regional do Butantã aumentaram 34% em 2017

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Unidade é a quinta com o maior número de queixas na Ouvidoria de São Paulo. Maioria é ligada à zeladoria e problemas em postos de saúde

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Reclamações sobre Prefeitura Regional do Butantã aumentaram 34% em 2017
Dilso Pereira, 59, segura folha com os números usados para reclamar dos serviços da Prefeitura Regional do Butantã (Jéssica Bernardo/32xSP)

Dilso Pereira da Silva, 59, já separou até um caderninho para anotar os telefones sempre que precisa cobrar algum serviço da Prefeitura Regional do Butantã, na zona oeste da capital paulista.

“Já deve ter até o meu cadastro de tanto eu reclamar”, conta o aposentado que mora há sete anos no Jardim São Jorge, na Raposo Tavares, um dos cinco distritos que fazem parte da regional.

Dilso não está sozinho nas queixas. Em 2017, a Ouvidoria Geral da Prefeitura de São Paulo registrou um aumento de 33,84% nas reclamações (530) sobre a Prefeitura Regional do Butantã. A que lidera os registros é a Prefeitura Regional de Itaquera (639), seguida pela Sé (638), Ipiranga (604) e Santana (579).

Os números divulgados pela Controladoria Geral do Município mostram que a região é a quinta com mais reclamações. Para Dilso, os principais problemas estão na questão da zeladoria. As ligações do aposentado para a prefeitura ainda não resolveram, por exemplo, o acúmulo de sujeira na pracinha da rua Frederico Osternak, a cerca de 300 metros da casa em que ele mora com a esposa.

“Eles falam que é pra ligar na parte da coleta de lixo. Eu ligo e eles pedem pra aguardar um mês. Tem que ser mais rápido, não pode deixar isso acontecer”, desabafa.

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Em um balanço das atividades realizadas em 2017, a Prefeitura Regional do Butantã divulgou que 72% da população da área aprovava a gestão do prefeito regional Paulo Vitor Sapienza. A matéria cita serviços como as edições dos programas Cidade Linda e Bairro Lindo, e uma evolução no tempo médio de atendimento para ações como o Cata Bagulho e a varrição de ruas. Apesar disso, a reportagem não comenta quantos habitantes foram ouvidos e quando foi feita a pesquisa de aprovação.

Moradora do Jardim Jaqueline há 40 anos, a doméstica Iraci Silva, 57, discorda do balanço e não vê mudanças entre a gestão atual e a anterior: “Precisa melhorar muito ainda”. Iraci diz que frequentemente faltam médicos e remédios para os pacientes na UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro. “Você vai no médico e não tem médico, quando tem médico não tem remédio”, conta a doméstica.

Na comunidade São Remo, a UBS também é alvo de reclamações. Com seis médicos disponíveis, são as infiltrações no muro da unidade e a presença de escorpiões no terreno ao lado que preocupam os moradores.

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Givanildo Oliveira dos Santos, 44, culpa a gestão do prefeito João Doria (PSDB) pelos problemas: “Eu já pedi para a prefeitura tirar a madeira mas não foi feito”, conta ele, que é membro da diretoria da Associação de Moradores da comunidade.

Segundo Givanildo, a gestão de Paulo Sapienza, por outro lado, tem sido solícita com a associação. “Eu chego lá [no gabinete do prefeito regional] e sou atendido na hora”, enfatiza.

Reclamações sobre Prefeitura Regional do Butantã aumentaram 34% em 2017
Folha do caderno de Dilso com os números usados para reclamar da zeladoria na região (Jéssica Bernardo/32xSP)

OUTRO LADO

A Prefeitura Regional do Butantã informou que a pesquisa de aprovação indicada no em seu site foi feita de forma informal pela própria equipe da regional, e que não há uma estimativa de quantas pessoas foram ouvidas. Ainda segundo a assessoria de imprensa, as entrevistas com moradores e lideranças foram feitas na ocasião do aniversário do Butantã, em dezembro de 2017.  

Questionada sobre a grande quantidade de reclamações envolvendo a região  e registradas pela Ouvidoria, a prefeitura regional disse que o Butantã é palco de contrastes sociais muito grandes e que, por isso, as queixas são tão comuns, mas que, apesar disso, a equipe procura atender a todas as solicitações.

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