A demora para marcar uma consulta médica em SP

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Segundo pesquisa "Viver em São Paulo", o tempo médio para marcar consultas cresceu 95% entre 2015 e 2017, saltando de 82 para 160 dias

'A gente morre mas não é atendido': a demora para marcar uma consulta médica em SP
UBS Vila Império, onde a aposentada Maria Aparecida passou por consulta (Diogo Marcondes/32xSP)

O tempo médio entre a marcação e a realização de consultas, exames e procedimentos mais complexos no serviço público de saúde da cidade de São Paulo praticamente dobrou no ano passado em comparação com 2015. É o que mostra a edição 2018 da pesquisa “Viver em São Paulo”, parceria da Rede Nossa São Paulo e do Ibope Inteligência.

No topo do ranking de aumento está o tempo médio para marcar consultas, que cresceu 95% entre 2015 e 2017, saltando de 82 para 160 dias. Logo em seguida, aparecem os procedimentos mais complexos (internações e intervenções cirúrgicas). A demora que era de 186 dias em 2015, agora é de 359 dias – alta de 93%. O tempo médio para exames cresceu menos, cerca de 64%, passando de 98 para 161 dias.

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De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, há explicação para este aumento: “Em 2017, o SUS recebeu 26,79% de pacientes a mais em relação a 2015. Isso se refletiu no aumento nos números de consultas na rede básica, no atendimento médico especializado e na urgência e emergência”.

“Hoje, os postos estão mais cheios do que há três, quatro anos. Em março eu marquei uma consulta e só tinha agenda para julho. Quatro meses é muito tempo, eu já sou velhinha”, comenta, com bom humor, a aposentada Maria Aparecida Silva, 71.

As palavras da idosa coincidem com a explicação da Secretaria Municipal de Saúde e também com o levantamento “Viver em São Paulo”, que constatou aumento no número de pessoas que utilizam o serviço público. Em 2015, 74% dos entrevistados ou de pessoas da família utilizaram algum serviço de saúde pública. Em 2017, o índice saltou para 84%.

“A  GENTE MORRE MAS NÃO É ATENDIDO”

Moradora do Imirim, no distrito de Casa Verde, zona norte de São Paulo, Elizabeth Rodrigues, 23, estava acostumada a ouvir as pessoas dizerem a frase “a gente morre, mas não é atendido” para se referir ao serviço público de saúde.

A profissional de educação física foi ao posto de saúde no dia 14 de novembro de 2017 marcar consulta para ela e seu marido, e um exame para a sogra. As consultas com o clínico geral foram marcadas para o dia 12 de janeiro de 2018. A espera de 59 dias está bem abaixo da média para este tipo de atendimento, que é de 160 dias na capital.

A sogra de Elizabeth não teve a mesma sorte. O exame da especialidade de otorrinolaringologia foi agendado para o dia 13 de março. O prazo de 169 dias está acima da média de 2017 para este tipo de procedimento. A explicação é simples: quanto mais complexo e raro o exame, maior o tempo.

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Elizabeth e seu marido vão passar por exames de ultrassonografia. O dela, do sistema urinário, está marcado para o dia 24 de fevereiro (43 dias depois da marcação). O dele, da bolsa escrotal, ficou para 15 de março (62 dias).

Embora esteja abaixo da média geral para exames, de 161 dias em 2017, está acima do que a Secretaria Municipal informou à reportagem. De acordo com o órgão: “Diversos exames e procedimentos tiveram redução no tempo médio de espera entre dezembro de 2015 e dezembro de 2017: tomografia (de 85 para 30 dias), ultrassom (de 33 para 23 dias), densitometria óssea (de 50 para 33 dias), mamografia (de 53 para 41 dias) e ressonância magnética (de 89 para 55 dias)”.

TEMPO DE ESPERA

“Após realizar os exames, terei que esperar ficar pronto, retirar, marcar uma consulta apenas para entregar para o doutor que solicitou. Só depois ele vai ver qual meu problema para possivelmente solicitar mais exames”, explica Elizabeth. “Acredito que para o final do ano finalizo tudo”, diz, otimista.

Considerando a média da pesquisa “Viver São Paulo”, pode-se demorar até 11 meses do dia da marcação de consulta até a data de realização do exame. Após esse período, ainda há a marcação do retorno com o médico e, caso seja necessário um procedimento mais complexo, mais um ano de espera.

Maria Aparecida, que passou por consulta em julho, fez exames e está bem de saúde, finaliza de forma simples e direta ao fazer estas contas com a reportagem: “Deus me livre”.

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