Zona leste é a região com menos oferta de emprego em SP

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Pesquisa “Viver em São Paulo: trabalho e renda” mostra que 53% das pessoas da ZL afirmam não encontrar trabalho onde moram

Antes do sol nascer, Jaciele Paulino, 26, leva uma de suas filhas para a escola. Mãe de três meninas e moradora da zona leste de São Paulo, ela precisa sair de casa bem cedo para dar conta da maratona diária.

Por volta de seis e meia da manhã, Jaciele  pega um ônibus até a estação Arthur Alvim, linha vermelha do metrô. De lá, a operadora de telemarketing segue até um call center localizado na Bresser-Mooca, na região centro-leste. A rotina de Jaciele rumo ao serviço dura pouco mais de 50 minutos. “Se tivesse mais ofertas de emprego perto de casa, eu poderia passar mais tempo com a minha família”, afirma.

A saga da operadora de telemarketing parece refletir o cenário da oferta local de empregos. De acordo com a pesquisa “Viver em São Paulo: trabalho e renda”, realizada pela Rede Nossa São Paulo e o Ibope Inteligência, 53% das pessoas da zona leste afirmam não encontrar trabalho onde moram.  

Em função da escassez de empregos, os moradores os zona leste são os que mais demoram para realizar todos os deslocamentos diários: 3h26.

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Ainda conforme a pesquisa “Viver em São Paulo”, cerca de 5 em cada 10 entrevistados disseram que as mulheres são as que têm menos oportunidades no mercado de trabalho. 47% das pessoas ouvidas acreditam também que, na zona leste, há 47% menos ofertas de emprego para pessoas do gênero feminino.

A especialista em recursos humanos Alessandra Canuto afirma que a distância não define a aprovação em processos seletivos. “Se um profissional for qualificado para a função, a empresa pode até gastar mais para mantê-lo”, defende.

Entretanto, alguns fatores devem ser analisados na hora de estabelecer um vínculo empregatício. “É importante avaliar o quanto esse profissional se sente prejudicado pelo tempo de deslocamento”, afirma. Alessandra explica ainda que um percurso longo pode abater o funcionário nos campos físicos e psicológicos.

Jaciele Paulino ao lado de suas duas filhas (Larissa Darc/32xSP)

De volta ao cotidiano de Jaciele, após cumprir seis horas de trabalho, é hora do segundo expediente do dia. Ela se reveza entre realizar tarefas domésticas, como limpar a casa e preparar a janta, e buscar as crianças na escola.

Assim como ela, 90% das pessoas do sexo feminino são as responsáveis pela manutenção da limpeza da residência. 

Dados de um estudo divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sugerem que esse acúmulo de funções faz com que as mulheres trabalhem 7,5 horas a mais por semana do que os homens.

Mesmo com uma rotina corrida, Jaciele não se deixa abater. “Eu amo demais as minhas filhas e todo o sacrifício vale a pena”, diz orgulhosa.

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