Moradores sonham com parque em terreno de 100 mil m² na Mooca

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Atualmente murada, área pertence a uma incorporadora que pretende erguer um condomínio com prédios comerciais e residenciais

A área pertence à construtora São José, especializada em empreendimentos de alto padrão (Rafael Carneiro/32xSP)

Um terreno com 98 mil m² está no centro do debate entre construtora e moradores. Localizado na rua Dianópolis, na Mooca, zona leste de São Paulo. A área, atualmente murada, pertence à incorporadora São José, que pretende erguer ali um condomínio com prédios comerciais e residenciais, segundo os vizinhos. Enquanto isso, moradores e comerciantes do entorno sonham com um grande parque e alegam que faltam espaços de lazer na região.

“Eu moro aqui na Mooca há cinco anos. A gente não tem nenhum parque próximo. Temos só os parquinhos dentro de condomínios, mas não são a mesma coisa. As crianças não têm muito contato com a natureza. Toda vez que quero ir a um parque, eu vou no Ibirapuera ou no da Aclimação”, diz a coaching de inteligência emocional, Fabiane Gonzáles, 32.

Tanto o Parque Ibirapuera quanto o da Aclimação estão a mais de 5 km de sua residência. “Meus filhos adoram um parque, e eu também! Se houvesse um pertinho de casa, poderia acordar bem cedo e correr lá também”, emenda Fabiane.

Dados mais recentes do Mapa da Desigualdade mostram que a Prefeitura Regional da Mooca, composta pelos distritos Água Rasa, Belém, Brás, Mooca, Pari e Tatuapé, tem 2,97 m² de área verde por habitante.

Isso faz com que a região esteja entre as dez menos arborizadas da cidade ficando à frente somente de Vila Mariana, Sé, Santo Amaro, Itaim Paulista, Campo Limpo, Vila Prudente, Sapopemba, Guaianases e Cidade Ademar. Porém, a situação da Mooca tem melhorado nos últimos anos.

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Em 2013, ela ocupava a pior colocação, com apenas 0,34 m² de área verde por habitante.

Claudionor Xavier não vê a hora do terreno virar um parque para que a sua clientela aumente (Rafael Carneiro/32xSP)

Proprietário há oito anos de uma lanchonete na rua Barão de Monte Santo que dá para os fundos do terreno, Claudiomiro Xavier, 43, acredita que um parque só trará benefícios para o seu estabelecimento, já que haveria um aumento no movimento.

“Sem nada aí [no terreno], além do aumento de mosquitos, há também o risco dele ser invadido pelos movimentos de moradia”, diz Xavier, que mora há 20 anos na parte de cima do imóvel.

A lanchonete está à venda, mas o comerciante diz que pode esperar mais um pouco para passar o ponto se for definido que haverá realmente um parque na área.

O terreno, que é um pouco menor que o Parque Burle Marx, na zona sul da capital, abrigou por mais de 50 anos um depósito de combustíveis da empresa petrolífera Esso, o que deixou o solo contaminado com metais, solventes, combustíveis automotivos e outras substâncias.

Procurada pela reportagem, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) informa que “a área já se encontra recuperada sendo passível a sua utilização dependendo de licenciamento junto ao companhia.” Este licenciamento deve ser solicitado pelo empreendedor.

“Eu não sou contra o parque, mas prefiro ponderar a situação. Acho que muitos moradores estão iludidos com essa ideia. A prefeitura tem dinheiro realmente para construir um parque? Tem efetivo da GCM (Guarda Municipal Metropolitana) suficiente para fazer a segurança do local? Ao mesmo tempo, se derrubar o muro pode ocorrer invasões”, diz uma conselheira da Mooca que preferiu não se identificar.

João e Norma Munhoz moram há mais de duas décadas no entorno do terreno e presenciaram todo o processo de retirada dos tanques de combustíveis da Esso (Rafael Carneiro/32xSP)

O casal João, 84, e Norma Munhoz, 77, mora na rua Carlos Venture, na Mooca. Há 46 anos, eles presenciaram todas as mudanças que ocorreram nas redondezas, principalmente no grande terreno, onde eles têm visão privilegiada todos os dias.

No entanto, os dois divergem sobre o futuro. Enquanto Munhoz prefere que seja erguido um condomínio de prédios, a esposa é mais favorável ao parque, já que ela poderia aproveitar o novo equipamento.

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O único receio é que o local abrigue muitos moradores em situação de rua. “Poderia ter aparelho de ginástica, brinquedos para as crianças, pista para caminhada… Seria tão gostoso”, ressalta Norma.

A destinação do terreno ainda é incerta. Proprietária dele, a São José é especialista em empreendimentos de alto padrão, como shoppings, hotéis, edifícios comerciais e residenciais.

O 32xSP entrou em contato com a construtora. Por telefone, ela informou não poder passar informações sobre a situação.

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