Moradores da zona sul são os que menos frequentam museus em SP

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Segundo pesquisa "Viver em São Paulo", visitação só é superior aos teatros e às bibliotecas, líderes entre espaços culturais menos frequentados

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Casa Sítio da Ressaca, localizada no Jabaquara, zona sul (Sylvia Masini/ Secretaria Municipal de Cultura)

Lar de espaços culturais importantes para a cidade de São Paulo, como o Museu do Ipiranga, o Museu Lasar Segal e o Museu de Arte Contemporânea (MAC), a zona sul da capital paulista é também a região onde menos moradores visitam esse tipo de local. De acordo com dados mais recentes da pesquisa “Viver em São Paulo – Cultura”, o índice é de 63%.

A baixa visitação aos museus não é uma realidade somente da zona sul. Na zona leste, por exemplo, esse índice chega a 59%. Ainda segundo o levantamento, 58% dos paulistanos não frequentam esses espaços, que só perdem para os teatros e para as bibliotecas entre os menos visitados.

A Casa Sítio da Ressaca, situada no Jabaquara, zona sul, é um exemplo de museu que recebe poucos visitantes durante o ano. No mês de março, 377 pessoas foram conhecer o local, que é uma construção feita com taipa de pilão (paredes externas) e pau-a-pique (paredes internas), típica do século 18 e foi sede de um sítio localizado nas proximidades do antigo caminho de Santo Amaro.

O espaço faz parte do Museu da Cidade, que congrega uma rede de casas históricas distribuídas em todas as regiões de São Paulo. Em todas elas a visitação é gratuita.

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Júlia Anversa, 29, coordenadora educacional do Museu da Cidade, acredita que aumentar o número de visitantes nos museus é sempre um grande desafio, principalmente naqueles que são menores.

“A gente sempre está pensando em como podemos deixar as casas mais atrativas para o público. Uma alternativa que buscamos é fazer parcerias com escolas da região. Elas normalmente não têm verba para transporte, mas têm vontade de fazer visitas externas a museus, de sair com os alunos. Por que não ir a um museu que seja perto”, diz Júlia.

Na Casa do Tatuapé, zona leste, a situação não é muito diferente. No mês passado, por exemplo, 104 pessoas visitaram a casa histórica. Juliana Rangel, 31, é a responsável pela área educativa do lugar e aposta em diversos tipos de atividades para torná-lo mais atraente.

“As atividades dependem muito de quem chega aqui para conhecer a casa. Alguns têm um interesse muito específico, outros não. Nós fazemos, por exemplo, um jogo de caça-detalhes, mais voltado para a arquitetura, que pode ser jogado sozinho ou em grupo. Em geral, a ideia é que as atividades desenvolvidas gerem sempre um diálogo entre nós e os visitantes”, explica Juliana.

Piso e parede original da Casa do Tatuapé (Rafael Carneiro/ 32xSP)

Construída também com taipa de pilão, a Casa do Tatuapé tem seis cômodos, dois sótãos e sua peculiaridade é um telhado de apenas “duas águas”, ou seja, duas caídas. Documentos históricos e evidências arqueológicas mostram que o imóvel pertenceu a padres durante o período colonial e no século 19 abrigou uma olaria onde se fabricavam telhas e posteriormente tijolos. A proximidade com o Rio Tietê e com o córrego do Tatuapé também corroboram isso.

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“Muita gente vem aqui e diz que parece com a casa do avô, ou com aquela que morou durante a infância, no nordeste… Mexer com a memória das pessoas também é um trabalho muito interessante e nos aproxima mais da população”, diz Júlia.