Quais são e onde estão as escolas públicas de ensino integral em SP?

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Método com jornada de até nove horas e três refeições diárias foi ampliado para mais oito unidades na cidade. Confira lista com localização

Escola Estadual Adelaide Rosa Fernandes Machado de Souza passa a adotar programa de ensino integral (Reprodução)

Em 2018, mais oito escolas estaduais adotaram o modelo de ensino integral, totalizando 56, apenas na capital paulista. Nesse modelo, os alunos estudam mais de sete horas diárias e têm três refeições. Essas unidades têm até três anos para se adaptar às estruturas necessárias para o programa. O 32xSP mapeou a localização de todas as escolas (confira no final da reportagem) e conversou com mães sobre as percepções do modelo de ensino.

Das oito novas unidades, a zona sul lidera a quantidade de adesões, com quatro (sendo duas na região centro-sul, uma na sul 1 e outra na sul 2), a zona leste obteve três (na leste 1, 2 e 5); e a zona norte uma (região 1). É importante salientar que quanto maior esse número, mais distante do centro expandido essa região está.

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“Sou da zona leste. Meu filho está no 5º ano, estuda às segundas-feiras, das 7h20 até às 14h, e de terça até sexta, das 7h20 até às 16h, com direito a café da manhã, almoço e lanche no final da tarde”, afirma a subgerente de loja Raquel Fonseca, 29.

“Com esse método de ensino, as notas melhoraram bastante. Acho que é devido a maior carga horária que ele tem. Quero que ele permaneça no ensino integral”, elogia Raquel.

Segundo a avaliação do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo) de 2016, as escolas estaduais de ensino médio de tempo integral tiveram rendimento maior novamente.  As unidades atingiram 73,4% na comparação com o primeiro ano do programa na rede, em 2012. De acordo com a avaliação, as notas foram de 2,14 para 3,71.

O Idesp também revelou um avanço nas notas dos alunos dos anos iniciais do ensino fundamental, onde tiveram crescimento de 8,6% entre 2015 e 2016 e o índice foi de 5,82 para 6,32.  Nos anos finais, com horário escolar entendido, o índice se manteve em 3,88, o mesmo de 2015.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação, são mais de 24 mil vagas disponíveis  em escolas de ensino integral.

“Meu filho, que está no 3º ano, iniciou os estudos em uma escola estadual de ensino regular, mas no meio do segundo semestre mudou para outra integral, e a diferença é evidente. as professoras conhecem as particularidades de cada aluno. Ele tem aulas diferenciadas como horta, educação socioemocional, cultura do letramento e ainda atividades dirigidas no horário do intervalo”, ”, elogia Maria Letícia Santos, 32.

“Acho que vale muito a pena esse método, pois além de ajudar os pais que precisam trabalhar o dia todo, o aluno ainda tem a possibilidade de imersão total no aprendizado. Com o dia todo na escola, é possível que os professores abordem outros temas que também são fundamentais para o enriquecimento cultural, cidadania e aprendizado da criança”, finaliza.

Em entrevista ao Porvir, Helena Singer, consultora em projetos de pesquisa e formação em educação e inovação social e ex-diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz, instituição pioneira no desenvolvimento da educação integral, afirma que objetivo das escolas que adotam o conceito de educação integral buscam oferecer uma formação ampla.

“A proposta é reunir diversos atores que estão em diálogo com as crianças e com os adolescentes, para que tenham um projeto educativo local”, afirma.

E por formação ampla entenda-se aquela que não trabalha apenas os conteúdos formais, como matemática, português, física e geografia, mas também a que desenvolve valores, habilidades e atitudes, como ética, comunicação, cidadania, responsabilidade, criatividade e capacidade de trabalhar em equipe e resolver problemas.

DOIS MODELOS

O sistema de ensino estadual conta com dois modelos que fazem parte do programa Ensino Integral do Estado de São Paulo: Escola de Tempo Integral (ETI) – no contraturno das aulas regulares, atividades esportivas e culturais – e o Novo Modelo de Escola de Tempo Integral (PEI) – com jornada de até nove horas e meia, incluindo três refeições diárias. Nesse modelo, os alunos têm orientação de estudos e além das disciplinas obrigatórias, contam também com eletivas onde são escolhidas de acordo com o objetivo de cada um.  

Uma unidade de ensino regular só passa a oferecer o Programa Ensino Integral mediante adesão da comunidade. De acordo com a Secretaria da Educação, a participação democrática é uma das principais vertentes do programa.

O objetivo das escolas de ensino integral é oferecer aos alunos disciplinas eletivas com uma visão ampla sobre diversificação dos conteúdos, temas ou áreas da Base Nacional Comum – documento de caráter normativo que unifica as etapas e modalidades da Educação Básica -, assim como os “projetos de vida”.

Além disso, o ensino integral ainda estimula o protagonismo juvenil, processo pedagógico no qual o aluno atua criativa, construtiva e solidariamente na solução de problemas reais que se vivenciem na escola, na comunidade e na vida social.

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Para que tudo isso ocorra nos momentos de aprendizagem do aluno, é preciso reorganizar os espaços, o tempo e os conteúdos curriculares, de forma a integrá-los à trajetória de vida do estudante, à história de seus familiares e ao contexto onde estão inseridos. “A proposta é reunir diversos atores que estão em diálogo com as crianças e com os adolescentes, para que tenham um projeto educativo local”, afirma Helena Singer.

Assim, mais do que dobrar o horário escolar, a educação integral exige novos formatos, espaços e interlocutores. Nessa concepção, a educação deixa de ser monopólio da escola, que já não consegue oferecer todas as oportunidades educativas necessárias para o desenvolvimento do aluno do século 21, e vai parar nas ruas. “A escola aparece para a sociedade como se fosse a única alternativa voltada à formação de uma pessoa. E não é”, ressalta Helena Singer.

Confira abaixo a localização das mais de 50 escolas de ensino integral da capital. Em azul, as oito novas unidades: