Prefeitura nega suspensão de vigilância e fechamento de parques

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Sindicato do setor vê contradição da prefeitura na justificativa da medida que afetaria 106 parques municipais. Suspensão foi revogada nesta quarta-feira (1º)

Parque do Ibirapuera, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo (Edu Alpendre/Flickr)

A medida da Prefeitura de São Paulo, publicada ontem (31/7), no Diário Oficial, de suspender, por até 30 dias, os serviços de vigilância nos parques municipais, imediatamente causou manifestações de espanto e revolta entre as empresas contratadas e funcionários.

Notificado da decisão apenas na véspera da entrada em vigor da suspensão, o sindicato do setor de segurança (SESVESP) manifestou “repúdio à atitude da prefeitura de suspender os contratos unilateralmente e sem comunicação prévia” e lamentou “os prejuízos causados à segurança da população, aos trabalhadores e empresas”.

Questionada pelo 32xSP, a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) negou qualquer anormalidade e alegou que “a suspensão, publicada no Diário Oficial, ocorreu por uma obrigação burocrática, necessária apenas para que houvesse o ajuste orçamentário realizado hoje. Assim, não houve qualquer interrupção de serviços de manejo, limpeza e vigilância em parques e os contratos foram normalizados nesta terça-feira”.

Já nesta quarta-feira (1º), também via Diário Oficial da Cidade, a pasta determinou a revogação da suspensão de todos os contratos afetados pela medida anterior.

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Já o SESVESP vê “clara” contradição entre a notificação recebida pelas empresas, que informava a suspensão por até 30 dias, sem qualquer justificativa, e a posição assumida hoje pela prefeitura.

“Apenas a partir do momento em que o sindicato se manifestou na imprensa, a prefeitura divulgou uma nota, contradizendo o Diário Oficial e a carta enviada às empresas”, avalia.

Ainda de acordo com a assessoria do sindicato, a prefeitura teria divulgado duas notas com versões diferentes. A primeira traria a informação de que a questão estaria resolvida em uma semana. “Na segunda, afirmaram que tudo já estava resolvido hoje”, destaca a assessoria.

RISCOS DE VIOLÊNCIA NOS PARQUES

Para avaliar as possíveis consequências que a ausência de vigilantes causaria nos parques públicos, a reportagem do 32xSP conversou com Beto Freire, 38, presidente da Associação de Amigos do Parque do Trote, na Vila Maria, zona norte.

Ele recordou uma situação semelhante, anos atrás, em que, mesmo sem vigilância, o parque continuou aberto.

Área em processo atrasado de restauro no Parque do Trote (Sidney Pereira/32xSP)

“Na época, os contratos estavam sendo renegociados e fizemos um mutirão entre os frequentadores para circular e garantir uma segurança improvisada”, diz.

Freire conta que, durante a interrupção da vigilância, houve “uma ocorrência grave no parque, com tentativa de estupro. Na época, a frequência caiu bastante”. Sobre uma possível nova suspensão, negada pela prefeitura, o presidente diz que também não foi avisado.

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“Temos uma área de 180 mil m², quase metade está fechada, em processo atrasado de restauro, com vegetação alta e sem circulação de pessoas. Essa área precisa de uma atenção especial na segurança”, alerta.

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