Parto de adolescentes em Parelheiros é 11 vezes maior do que em Pinheiros

18/07/2016 3:00 | Atualizado: 24/10/2017 17:02
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Desde 2003, os índices de Parelheiros sempre estiveram entre os mais alarmantes.

Situada no extremo sul de São Paulo, Parelheiros é a subprefeitura com o maior índice de partos na adolescência da cidade. Em 2014, de acordo com o Observatório Cidadão, da Rede Nossa São Paulo, 516 bebês nascidos vivos eram filhos de jovens com no máximo 19 anos. Esse número é 11 vezes maior do que na subprefeitura de Pinheiros, na zona oeste, onde apenas 45 bebês foram gerados por adolescentes.

Desde 2003, quando teve início a série histórica, Parelheiros variou algumas posições no ranking das subprefeituras, mas os seus índices sempre estiveram entre os mais alarmantes. De 2003 a 2010, houve uma queda 10% nos partos de adolescentes, mas a partir de 2011 eles voltaram a crescer, apresentando apenas uma pequena oscilação negativa em 2013. Dados recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que no Brasil há uma maior concentração de gravidez indesejada entre jovens negras. Em Parelheiros, essa maior concentração se dá entre as que se declararam pardas (60%).

Em nota, a Coordenadoria Regional de Saúde Sul informou que os distritos de Parelheiros e Marsilac, que fazem parte da subprefeitura de Parelheiros, apresentam um diferencial em relação às demais regiões da cidade, pois têm uma característica rural e dessa forma alguns costumes podem influenciar nos índices de gestação na adolescência. “Muitas destas jovens que se apresentam grávidas, se casam ainda na adolescência devido à baixa escolaridade e à perspectiva de mudança nas condições de vida. Outro fator é a faixa etária considerada até 19 anos. Muitas jovens com essa idade já estão casadas e na segunda ou terceira gestação.”

Ainda segundo a nota, muitos programas chegaram a ser implantados na região pela Secretaria Municipal de Saúde, mas não provocaram grandes impactos. “Mesmo assim, os profissionais de saúde são constantemente treinados para melhorar a abordagem feita aos adolescentes visando melhores resultados”, diz a nota.

Muitas destas jovens que se apresentam grávidas, se casam ainda na adolescência devido à baixa escolaridade e à perspectiva de mudança nas condições de vida. Outro fator é a faixa etária considerada até 19 anos. Muitas jovens com essa idade já estão casadas e na segunda ou terceira gestação.

No outro extremo do ranking está Pinheiros, que há 12 anos ocupa a melhor posição. Nesse período, a subprefeitura conseguiu reduzir quase três vezes o número de partos na adolescência. Em 2003, por exemplo, foram 130 bebês nascidos vivos. Ainda sobre o último levantamento realizado em 2014, Vila Mariana, Santo Amaro, Lapa e Sé completam a lista dos cinco primeiros do ranking.

Para a coordenadora da área de saúde da criança e do adolescente na Secretaria Municipal de Saúde, Athenê Mauro, é inegável que o contexto social e cultural exerça influencia direta nos índices. Em relação às regiões mais vulneráveis, como Parelheiros, ela acredita que é muito importante o fortalecimento da atenção básica e o preparo de quem trabalha nos postos de saúde para lidar com os adolescentes.

“O nosso trabalho não fica restrito às UBS (Unidades Básicas de Saúde), mas ele ocorre nas escolas também. Por meio de programas, a gente busca fazer com que os jovens reflitam sobre a sexualidade e o quanto o sexo sem proteção pode influenciar sobre os seus projetos de vida.”

Segundo especialistas, a maternidade precoce é de alto risco. A hipertensão, doença que é frequente em grávidas adultas, é cinco vezes maior nas adolescentes, que também têm mais propensão a ter anemia. Esses dois quadros faz com que haja um aumento no risco de bebês prematuros, com baixo peso e também a necessidade de se fazer uma cesárea.

A maneira mais simples de se evitar a gravidez é utilizar algum método contraceptivo, como a camisinha masculina ou feminina. Elas são distribuídas gratuitamente nos postos de saúde e, além de evitar a gravidez, previne contra doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS. Outras opções são a pílula anticoncepcional e o diafragma, mas estes somente sob prescreção médica. A pílula do dia seguinte só deve ser usada em situações de emergência, como no caso de um rompimento do preservativo ou de abuso sexual porque desregula os hormônios femininos e pode não ser eficaz se tomada após 72 horas da relação sexual.