Vila Andrade é o distrito com menos casos de mortes por doenças respiratórias em SP

28/09/2016 12:57 | Atualizado: 16/10/2017 16:04
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Janaína Mariano sempre foi a “rainha dos ‘ites’”. Quando não era bronquite, era sinusite ou renite. O posto foi herdado devido às suas condições de moradia em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, sempre em casas fechadas e com pouca ventilação. Aos 29 anos, ela já é uma antiga frequentadora dos postos de saúde locais para tratar os problemas respiratórios. “Na minha casa só tinha uma janela e as paredes emboloravam, o que ajudava a pior as doenças”, conta a desempregada.

Janaína Mariano sempre foi a “rainha dos ‘ites’”. Quando não era bronquite, era sinusite ou renite. O posto foi herdado devido às suas condições de moradia em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, sempre em casas fechadas e com pouca ventilação. Aos 29 anos, ela já é uma antiga frequentadora dos postos de saúde locais para tratar os problemas respiratórios. “Na minha casa só tinha uma janela e as paredes emboloravam, o que ajudava a pior as doenças”, conta a desempregada.

Os enormes cuidados de Janaína refletem na região em que vive. Desde 2003, o distrito da Vila Andrade, do qual faz parte Paraisópolis, e pertence à Subprefeitura do Campo Limpo, está entre os com menos casos gerados por doenças respiratórias. Em 2015, segundo o Observatório Cidadão, o distrito obteve o menor número, com apenas 59 registros, diante de uma população com 163 mil pessoas. São 17 vezes a menos que na Mooca, na zona leste, líder no índice de óbitos. Ao todo, foram 143, a maior quantidade desde 2003.

Dos 96 distritos que compõem a cidade de São Paulo, 31 deles obtiveram os melhores índices, 12 ficaram acima da média, 8 na média, 16 abaixo, e 29 obtiveram os piores resultados, ou seja, são os que têm mais mortes por problemas no aparelho respiratório.

Uma pesquisa nacional, realizada pelo Ibope e divulgada em 2015, mostrou que 44% da população apresenta problemas respiratórios, em sua maioria bronquite crônica e asma. Essas doenças, de acordo com os entrevistados, impactam negativamente no cotidiano das pessoas, como trabalhar, dormir e praticar atividades físicas.

Ainda de acordo com o estudo, 60% homens acreditavam que a doença estava “bem controlada”, ante 46% das mulheres. Somente 40% deles disseram se medicar para amenizar os sintomas, ante 60% das mulheres.

Janaína afirma sempre ter seguido à risca as recomendações médicas. “Eu nunca fiz um tratamento específico. Eles me diziam o que eu tinha que fazer e fazia. Hoje, não tenho mais ursos de pelúcia, me mantenho longe do pó e comprei um umidificador”, afirma a ex-auxiliar de cabeleireiro.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), em todo o mundo, cerca de 300 milhões de pessoas convivem com problemas respiratórios. No Brasil, estima-se que 10% da população é asmática, ou seja, 20 milhões. Em 2011, os problemas com asma internaram 160 mil pessoas no SUS (Sistema Único de Saúde) — a quarta causa no total de internações no SUS no país.