Deficientes visuais encontram dificuldades de locomoção em áreas verdes em SP

02/02/2017 9:08 | Atualizado: 12/11/2020 13:28
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O Parque M'Boi Mirim, na zona sul da cidade, é um dos local que enfrentam problemas de acessibilidade para pessoas com deficiência visual

Parque do Ibirapuera, zona sul de SP
Parque do Ibirapuera, um dos cartões postais da capital paulista, na zona sul (Rodrigo Soldon/CCBY)

A vida em uma grande metrópole pode ser bem difícil para uma pessoa com deficiência visual que precise se locomover entre ruas e praças, se não houver uma sinalização adequada: piso tátil, placas de sinalização em braile, entre outras.

Dados de 2010 do IBGE apontam que aproximadamente 345 mil pessoas na cidade de São Paulo não enxergam ou têm grande dificuldade para enxergar. Calçadas esburacadas e irregulares, inexistências de ligações entre asfalto e guias, rampas inadequadas são alguns dos problemas mais constantes encontrados por esses moradores.

Opções de lazer e contato com a natureza, como a visitação de parques públicos, por exemplo, também são um problema. Principalmente para quem mora na periferia da cidade. É o caso da assessora de imprensa Maria Lúcia Nascimento, 51, que reside na região do M’Boi Mirim, na zona sul.

Para ela, ainda falta muito preparo nos parques para receber quem não enxerga. “Pisos táteis, guias para nos orientar e uma áudio descrição desses locais facilitaria a nossa presença. Alguns lugares, acredito que até já tenham projetos de acessibilidade. Mas falta muito preparo nos parques para nos receber”, afirma.

A assessora, apesar de ser bem caseira, sempre que decide ir a algum parque acompanhada, prefere o Ibirapuera, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

Próximo à sua casa está o Parque Municipal M’boi Mirim, localizado no Jardim Ângela. Ele, que ocupa uma área de 190.000 m², é um dos locais tidos como “ponto de acessibilidade universal”, mas oferece estrutura apenas para cadeirantes.

Não há piso tátil no interior do parque, nem sinalização em frente aos bebedouros e banheiros. Também não existe nenhum tipo de programa que ofereça auxílio a deficientes visuais que queiram percorrer o caminho das trilhas.

Em visita ao local, o 32xSP encontrou algumas áreas interditadas por tempo indeterminado, limitando o acesso também de deficientes físicos. Os motivos seriam estragos causados pelas fortes chuvas do mês de janeiro.

A maior parte de sinalização para quem precisa fazer o uso da bengala longa (um dos símbolos de independência para os deficientes visuais) se encontra, principalmente, em locais como a região das avenidas Paulista e Faria Lima.

Entretanto, os parques localizados nessas vias, como o Parque Tenente Siqueira Campos, mais conhecido como Parque Trianon, e o Parque Prefeito Mário Covas, também deixam a desejar no quesito acessibilidade.

No Mário Covas há apenas uma curta faixa entre o fim da rampa de acesso até a porta do centro de informações ao turista, localizado ali. Já no Trianon, não existe nenhum tipo de sinalização em qualquer área do parque.

De acordo com a Pesquisa Irbem (Índice de Indicadores de Referência de Bem-estar no Município), lançada no dia 24 de janeiro, a nota atribuída à acessibilidade para pessoas com deficiência nos espaços de uso público foi de 3,4 – avaliação considerada abaixo da média.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, existe uma portaria intersecretarial (Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, Secretaria de Cultura e Secretaria da Pessoa com Deficiência) para analisar as condições de acessibilidade nos parques e propor alterações. Essa portaria, que ainda retomará os seus trabalhos, irá verificar o que não estava sendo cumprido.