Idosos frequentam núcleos de convivência para aprender a dançar e a usar redes sociais

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Atualmente 95 núcleos são dedicados a pessoas acima dos 60 anos em SP. Visitamos o espaço pioneiro, na Água Branca, que oferece atividades há 42 anos

Idosos durante aula de dança cigana no Núcleo de Convivência ao Idoso na Água Branca (Priscila Gomes/32xSP)

Idosos que estão na melhor idade, com mais de 60 anos, procuram diversos tipos de atividades por vários motivos, seja socialização, ocupação ou até mesmo diversão. A busca geralmente se estende a cursos de dança, alfabetização, crochê, informática, entre outros.

Em São Paulo, existem atualmente 95 Núcleos de Convivência para Idosos, mantidas pela Prefeitura, onde são oferecidas atividades gratuitas.  Somente esses núcleos oferecem 12.910 vagas. Além deles, estão espalhados pela cidade centros de acolhida e referência aos idosos paulista (confira a tabela no final da reportagem).

Considerado pioneiro, o  núcleo de conviência da Água Branca, na zona oeste, atua há 42 anos, e foi primeiro no trabalho para idosos. Ele atende 120 pessoas por dia, com atividades que começam às 8h.

“Estou adorando esse curso de tecnologia porque tenho um celular mas tem tanta coisa que nem sei pra que serve. O professor nos ajuda muito, ele tem paciência. Sou outra pessoa depois que aprendi a mexer”, elogia Meire Fernandes, 74, que, uma vez por semana, participa de aulas sobre tecnologia.

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Outra aluna de informática passou a frequentar o local para aprender a usar melhor as funções do celular. “Cheguei aqui com muitas dúvidas sobre meu smartphone, que tenho há três anos. Entrei na fila de espera para aprender a mexer nele. Frequento esse lugar há 14 anos e já fiz yoga, alongamento e informática com foco em redes sociais”, diz Valdete Maria de Oliveira, 64.

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Na sala ao lado, outros estudantes tem aula de “aprendizado social”, na qual aprendem a melhorar a leitura e a escrita. O lugar acomoda 17 alunos e alunas com idade entre 57 e 83 anos, a maior parte mulheres.

“Frequento aqui há sete anos. Na época, eu tinha acabado de perder meu marido. Estava em depressão. Quando cheguei, não sabia nem ler e escrever. Hoje estou melhorando a minha letra com caderno de caligrafia”, afirma Thereza da Apparecida Mendes Lopes, 83, que frequenta aulas de leitura duas vezes por semana. “Aprendi também a fazer crochê. Ter esse espaço foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”, completa, emocionada.

“Os alunos falam que aprendem comigo, mas eu aprendo com eles, pois cada dia é uma lição de vida. Não somos professora e alunos, e sim amigos. Os idosos conversam mais comigo do que com os filhos em casa. Damos essa liberdade. O carinho é recíproco”, acrescenta Maria da Graça Lurenco, 67, pedagoga e professora da unidade.

Minutos depois, no andar térreo da unidade, a aula de dança cigana inicia. Cerca de 15 alunas, com idades entre 65 a 80 anos, giram longas saias na preparação de uma coreografia para a apresentação de final de ano, que aconteceria no dia seguinte.

“Frequento aqui há seis anos, e esse é um espaço de convívio, inclusão. Se tornou uma nova razão de viver. Aprendo  dança espanhola, cigana e coral. Me aposentei e fiquei perdida. Agora tenho novos amigos, não fico mais sozinha” conta Regina Lucia lamana, 70.

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Segundo a gerente de serviços da unidade, Teresinha Ressinette Bianchi Leivas, assistentes sociais e psicólogas fazem 80 visitas pela vizinhança por mês para pessoas com mais de 60 anos. O objetivo é apresentar o espaço e oferecer as atividades.

Segundo a assessoria de imprensa da Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social), a Prefeitura disponibiliza inúmeros centros para idosos com mais de 60 anos para vários tipos de necessidades.

Centros e serviços oferecidos para idosos em SP em 2017

A relação completa dos serviços da rede socioassistencial pode ser acessada no Portal da Prefeitura clicando aqui.