Zona oeste de SP faz cinco vezes menos mamografias que a região sul

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Segundo conselheira, região oeste possui apenas 28 postos de saúde para cerca de 900 mil moradores, enquanto na zona sul há em torno de 150

A zona oeste de São Paulo é a pior avaliada em saúde da mulher para exames de mamas, segundo dados referentes a 2017, divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde.  Na região, foram realizadas apenas 15.177 mamografias. O índice é cinco vezes menor do que na zona sul, melhor avaliada, com 86.110 mil procedimentos.

Para a conselheira de saúde da zona oeste Maria Madalena Sousa, 57, os baixos índices são reflexo da desigualdade na distribuição de equipamentos de saúde. “São aproximadamente 900 mil habitantes para 28 UBSs/AMAs integradas. Enquanto a zona sul há 150 espaços para a saúde”, relata.

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Maria Madalena afirma que, na zona oeste, a saúde da mulher tem sido a pauta prioritária nas reuniões entre conselheiros e gestores. “É preciso investir mais na região com acessibilidade para essas mulheres. Seja em exames ginecológicos simples, como o  papanicolau e consultas periódicas que também está limitado”, finaliza Maria.

Em nota enviada ao 32xSP, a Secretaria Municipal da Saúde informa que o SUS (Sistema Único de Saúde) tem no município 356 mamógrafos, com comandos simples, e mamógrafos com estereotaxia (modelo mais avançado que localiza nódulos nas mamas não palpáveis). A pasta não respondeu quantos são distribuídos nas zonas oeste e sul.

CÂNCER DE MAMA

A mamografia é obrigatória para mulheres acima dos 40 anos, sendo a melhor forma, segundo especialistas, para o diagnóstico da doença. Já para as mais jovens, o autoexame — que se consiste na observação em frente ao espelho, palpar a mama de pé e repetir a palpação deitada — é bem-vindo.

A dona de casa Lúcia Silva, 50, realizou a mamografia dez anos o perído recomendável. “Eu não tinha muito conhecimento sobre o exame. Faltam médicos. Pela demora em esperar o procedimento eu desistia”, afirma a moradora da Cohab Raposo Tavares, na zona oeste da capital.

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Em celebração ao “Dia Nacional da Mamografia”, no último dia 5, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) liberou o estudo  Estimativa 2018 – Incidência de câncer no Brasil, que mostra aumento no número de mulheres com a doença no país.

No país, uma em cada dez mulheres pode desenvolver o câncer de mama. Em São Paulo, para este ano, são esperados 59.700 casos e 15 mil mortes. No ano passado, a incidência era de 50 mil diagnósticos e 10 mil óbitos.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 351.630 mulheres realizaram o exame em 2017. O número é superior a 2016, quando foram feitas 250 mamografias. 

De acordo com a PNS (Pesquisa Nacional de Saúde), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2015, 40% das mulheres brasileiras, de 50 a 69 anos, não fazem mamografia. Em consonância com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o recomendado é que 70% das mulheres sejam avaliadas periodicamente.

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Único centro de referência à mulher da zona leste continua fechado