Metrô é a instituição que os paulistanos mais confiam

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Pesquisa "Viver em São Paulo" aponta ainda que há uma descrença geral com relação às instituições na cidade, e confiança nelas está em queda; confira

Trem chegando na estação Eucaliptos do Metrô (Governo de São Paulo)

A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) é a instituição que os paulistanos mais confiam. É o que diz os números da pesquisa “Viver em São Paulo”, divulgada em janeiro pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope. Nela, 54% dos entrevistados afirmam confiar na estatal.

A universitária Cecília Scifoni, 22, que utiliza o transporte metroviário no trajeto entre o Sacomã, na zona sul, e a estação São Bento, no centro, diz confiar na qualidade do sistema, mas pensa que ele deveria ser ampliado.

“Eu acho um serviço bom para o trajeto que eu pego. Sou uma pessoa que usa o transporte público e privado diariamente, e percebo com isso que se a malha metroviária e ferroviária fosse mais ampla, com certeza eu usaria apenas o metrô e o ônibus, que é uma alternativa muito melhor do que pegar o carro todo dia”.

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A empresa, fundada em 24 de abril de 1968, também é a única que obteve mais de 50% de confiança dos paulistanos. Ligada ao governo do estado, é responsável por planejar, projetar e construir parte do sistema de transporte metropolitano da capital. Também é responsável pela operação de cinco das 13 linhas de transportes metroferroviários da região metropolitana.

A aprovação popular da empresa acontece em um momento em que o governo paulista, sob o comando de Geraldo Alckmin (PSDB), trabalha em um programa de privatização de linhas. Duas delas, a 5-Lilás e a 17-Ouro, foram concedidas para a iniciativa privada em janeiro.

“A confiança tem caído, o índice já foi melhor, mas o que nos preocupa não é apenas a postura privatizante do governo estadual, que pode ser agravada caso João Doria (PSDB) venha a ser governador, mas os pedidos recorrentes nas redes sociais para que a privatização seja feita”, diz Caio César Ortega, pesquisador do Coletivo Metropolitano de Mobilidade Urbana (COMMU).

“Concessões como a da Linha 4-Amarela são lesivas pelo caráter garantista, enquanto concessões como a do par 5-Lilás e 17-Ouro são lesivas por entregarem um patrimônio valioso em troca de uma outorga e contrapartidas que jamais serão suficientemente justas. Acreditamos que falta uma discussão mais ampla não só sobre o que a privatização tem significado, mas também sobre quais problemas têm contribuído para reduzir a confiança e favorecer a postura privatizante”, explica.

Para Cecília, a operação do Metrô se sobressai com relação a da linha 4-Amarela, única linha sob concessão privada.

“Eu prefiro muito mais a estrutura das estações e serviço prestado pela Companhia do Metropolitano de São Paulo do que da Via Quatro [consórcio privado operador da linha 4-Amarela], então eu não sou a favor da privatização do Metrô”, conta.

O servidor público Antônio Faustinho, 55, que utiliza diariamente as linhas 1-Azul e 3-Vermelha, também é contra a privatização. “Acho bom o serviço, mas está saturado. Será que o objetivo do governo não é sucatear para privatizar?”, questiona.

Outra instituição de transportes que aparece na pesquisa é a SPTrans, com apenas 36% de confiança da população, ante 54% de desconfiança. Mas diferente do Metrô, a SPTrans apenas coordena e fiscaliza os ônibus municipais, enquanto a operação do sistema fica a cargo de concessionárias privadas.

CONFIANÇA NAS INSTITUIÇÕES EM QUEDA

O levantamento aponta ainda que há uma descrença geral com relação às instituições na cidade, e confiança nelas está em queda. Apesar de ter se destacado entre as demais, o Metrô perdeu 28 pontos percentuais de confiança desde 2008, primeiro ano em que a pesquisa foi realizada. Naquela ocasião 84% diziam confiar na estatal.

Dos entrevistados, apenas 29% disseram confiar no Poder Judiciário, contra 61% que não confiam. Na prefeitura, apenas 23% disseram confiar; contra 68% de desconfiança. Números bem menores do que em 2008, onde sob a gestão Gilberto Kassab (PSD), a municipalidade conseguira 50% de confiança entre os paulistanos.

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A Câmara Municipal foi a instituição mais mal avaliada, apresentando apenas 11% de confiança da população, contra 80% de desconfiança.

Única a apresentar melhoria nos índices com relação ao ano anterior, a Polícia Militar (PM), que passou de 36% para 41% de confiança entre os paulistanos, ainda possui imagem negativa para metade (50%) dos entrevistados, que afirmaram não ter confiança na instituição.

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