Das 53 metas do governo de Doria, 20 foram iniciadas e 4 cumpridas

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Secretário de Gestão questionou metodologia utilizada pela Rede Nossa São Paulo e anunciou melhorias na ferramenta de monitoramento até o final de abril

Balanço parcial do Programa de Metas é divulgado duas semanas depois de João Doria deixar a prefeitura de São Paulo (Luanda Nera/ Rede Nossa São Paulo)

Das 53 metas elaboradas pela gestão do ex-prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), 21 não tiveram informações disponibilizadas para avaliação e oito são impossibilitadas de análise.

Esses números fazem parte de um levantamento realizado pela Rede Nossa São Paulo e apresentado no último dia 17, na Câmara Municipal.

Presente no evento, o secretário de Gestão, Paulo Uebel, questionou a metodologia utilizada pela ONG e anunciou melhorias na ferramenta de monitoramento do Programa de Metas até o final de abril.

“Olhar um plano de 53 metas e conseguir avaliar apenas 21 é muito prejudicial para a sociedade”, afirma Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo.

(Faça download do estudo da Rede Nossa São Paulo sobre o Plano de Metas da Prefeitura aqui)

Segundo Uebel, alguns dados ainda não estão disponíveis porque o Programa de Metas foi pensado em cima do impacto causado diretamente na vida das pessoas e não em processos ou obras.

Visando o aprimoramento do site Planeja Sampa, que faz o monitoramento das metas da prefeitura, a sua programação será reformulada até o fim do mês, sendo criado um API – conjunto de rotinas e padrões de programação.

Assim, o cidadão vai poder se conectar por meio de aplicativos e gerar gráficos sobre determinadas informações de uma meta.

“Uma das ferramentas que devemos desenvolver também até o final do ano, é o relatório territorializado. Os dados vão estar abertos e você vai poder acessar relatórios específicos da região que quiser. Tudo isso vai possibilitar um maior acesso à informação, maior controle da população. Lógico que os balanços e as audiências públicas vão continuar existindo”, disse o secretário.

Cléber Bartolomeu, 64, líder sindical e morador de Perus, na zona norte de São Paulo, vê com bons olhos essas melhorias. Para ele, uma ferramenta moderna e que proporcione a participação do cidadão é essencial.

“Espero que esse aprimoramento que o secretário falou faça a gente entender melhor cada meta porque hoje isso é muito difícil”, afirmou.

APENAS QUATRO METAS CUMPRIDAS

Entre o total de metas (53) estabelecidas no início do governo João Doria (PSDB), 4 foram cumpridas e 20 foram iniciadas, de acordo com o balanço parcial da Rede Nossa São Paulo.

Na média, a Prefeitura de São Paulo avançou 20% na execução do Programa de Metas durante o primeiro ano de gestão. Dentre as 20 metas que têm resultados parciais, 14 delas têm um índice de execução abaixo de 50% e apenas uma foi executada em mais de 75%.

Além disso, 29 metas não tiveram nenhum avanço. Segundo o levantamento, uma meta foi considerada não cumprida quando não tiveram informações disponibilizadas pelo site Planeja Sampa.

A educação é a área em que menos metas foram executadas, com índice de 5%. Exemplos de diretrizes elaboradas nesse setor são o acesso de todos os alunos e professores de escolas municipais de ensino fundamental à internet de alta velocidade; e o alcance de 95% dos alunos alfabetizados no final do segundo ano.

A área que teve maior execução foi a de assistência social, com 80%. As metas de meio ambiente tiveram 55% de execução, as de cultura, 37%, as de saúde, 11%, as de mobilidade, 9%, e as de habitação tiveram 8% de execução.

Para Américo Sampaio, pesquisador da Rede Nossa São Paulo, o desafio da prefeitura, agora sob a gestão de Bruno Covas, já que Doria deixou o cargo para concorrer nas eleições, vai em dois sentidos.

“Um é fazer a repactuação das metas. Então, esperamos que até o final desse ano tenhamos um conjunto de audiências públicas para reafirmar qual é o sentido das metas que a prefeitura vai colocar. E o outro é fazer alguns ajustes no Planeja Sampa a título de conseguir encontrar o melhor caminho para que a população encontre as informações de maneira clara.”

“Ou seja, é importante o secretário falar que vão ter alguns aprimoramentos, mas tem que mudar estruturalmente e se utilizar de outras plataformas também, como o Facebook”, ressaltou.

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