Separada da Vila Prudente há 5 anos, Sapopemba continua a ‘prima pobre’

15/10/2018 15:41 | Atualizado: 25/10/2018 17:33
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Desigualdades entre subprefeituras na zona leste de SP incluem orçamento anual, quantidade de equipamentos esportivos e até salas de cinema

Avenida Sapopemba, na zona leste de SP (Leonardo Barbeiro/32xSP)

Ao lado da Vila Prudente e São Lucas, Sapopemba fazia parte dos distritos administrados pela subprefeitura da Vila Prudente, na zona leste de São Paulo. Considerada a “prima pobre” do trio, Sapopemba foi emancipada em 2013, tornando-se a caçula das 32 subprefeituras da cidade.

A sede era reivindicada pela população há muitos anos e sua criação fez parte do Plano de Metas 2013-2016 do ex-prefeito Fernando Haddad (PT). As demais subprefeituras foram criadas em 2002, por meio da lei 13.399.

Com a independência administrativa, havia a busca por maior autonomia e a esperança de receber mais atenção do poder público. No entanto, cinco anos depois, as duas subprefeituras apresentam um cenário de desigualdade bastante expressivo.

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Com uma área de 19,8 km² e uma população de 246.589 habitantes, a idade média ao morrer na Vila Prudente é de 73 anos. Já em Sapopemba, onde vivem 284.524 pessoas em uma área de 13,5 km², vive-se em média 65,51 anos, segundo dados do Mapa da Desigualdade 2017. Uma diferença de mais de oito anos.

A desigualdade também pode ser percebida no planejamento orçamentário de cada uma. Em 2018, Sapopemba recebeu da administração municipal pouco mais de R$ 25 milhões, sendo a subprefeitura com o menor orçamento, enquanto a Vila Prudente embolsou mais de R$ 32 milhões. Em 2019, Sapopemba continua a figurar no rodapé da lista de investimentos, com verba reduzida em 8%.

Em entrevista ao 32xSP em junho de 2017, o ex-subprefeito de Sapopemba, Benedito Pereira, afirmou ser necessário o dobro do orçamento para atender a tudo o que a região precisava (a sede tinha R$ 27 milhões, na época).

“Não tenho equipe de poda, por exemplo. Quando a situação de uma árvore é perigosa, chamo a Eletropaulo. Quando tem algum outro problema, chamo a Vila Prudente”, declarou ele, emendando que a localidade não tinha como crescer por conta da quantidade expressiva de ocupações irregulares.

Benedito Pereira, ex-subprefeito de Sapopemba (Vagner de Alencar/32xSP)

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Em maio deste ano, Pereira deixou o cargo por motivos pessoais. O comando ficou com ex-prefeito do Butantã, Paulo Victor Sapienza, que passou por investigações no ano passado por suspeitas de fraudes no ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadoria e Serviço).

LONGE DE TUDO

Moradora de Sapopemba, Gabriela Servelo, 20, diz que viver na região é estar longe de tudo. São cerca de 16 km de distância até a Praça da Sé, marco zero da cidade.

“O transporte está sempre cheio, demoramos pelo menos uma hora para chegar em qualquer lugar. O trânsito é absurdo com as obras do monotrilho (linha 15-Prata), que nunca ficam prontas”, afirma a jovem. “A Vila Prudente oferece uma qualidade de vida muito melhor”, completa.

É o que também acredita a administradora de empresas Rosangela Batista, 45, moradora da Vila Prudente, para onde se mudou após deixar Sapopemba, há alguns anos. “A diferença é gritante, quando na verdade nenhuma deveria existir, por serem bairros tão próximos.”

“Temos um bairro [a Vila Prudente] bem equipado com equipamentos culturais e esportivos, como quadras públicas de tênis e futebol”, afirma.

Segundo o Mapa da Desigualdade 2017, a região lidera a oferta de equipamentos esportivos públicos municipais. São 15 espaços, apesar da redução em relação aos anos anteriores, quando até 2015 possuía pelo menos 20 espaços esportivos.

Já Sapopemba está abaixo da média, com apenas sete equipamentos. Em 2016, porém, esse número era de apenas quatro.

Rosangela destaca também a existência de outros serviços na Vila Prudente, como o parque municipal professora Lydia Natalizio Diogo, mais conhecido como Parque Vila Prudente, “em excelente estado”.

“Temos ainda serviço de coleta de lixo seletiva duas vezes na semana, um ecoponto a poucos quarteirões e metrô e ônibus para diversas regiões”, segue.

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A ausência de espaços de lazer e a falta de segurança incomoda a aposentada Maria da Penha, 72, moradora de Sapopemba há 51 anos, que viu a região, antes recoberta por vegetação, ser povoada nas últimas décadas.

“Nós temos uma única praça, que está dominada por tudo, menos por crianças. Eu não tenho coragem de levar meus netos até lá para brincar nem de dia, não me sinto segura”, lamenta.

Em Vila Prudente, os moradores têm à disposição dez salas de cinema, enquanto em Sapopemba não existe nenhuma.

Ainda segundo a aposentada, existe uma única delegacia nas redondezas. Ela afirma ter participado de reuniões de bairro, em que foi informada de que haviam duas viaturas disponíveis para ronda escolar de todas as escolas da região.

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