Moradores do Aricanduva reclamam de infestação de pernilongos

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A falta de manutenção dos piscinões, projetados para bombear a água das chuvas que causam enchentes, é a origem do problema

A água bombeada pelos piscinões é jogada de volta para o rio Aricanduva (Larissa Darc/32xSP)

Quando o sol se põe, os moradores do Aricanduva, distrito da zona leste de São Paulo, correm para fechar as portas e janelas da casa. Munidos de repelentes e inseticidas, espantam os mosquitos que insistem em entrar pelos vãos e frestas. “Se passar das seis da tarde e sua casa não estiver trancada, os pernilongos te carregam”, brinca Cleber Capelozzi, 30, residente da região.

Essa infestação de insetos acontece com maior intensidade nas regiões que abrigam piscinões, locais planejados para o escoamento de água em áreas propensas a enchentes.

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“A falta de manutenção nos piscinões pode colaborar com a proliferação de mosquitos ou pernilongos. A espécie mais comum encontrada neles é Culex quinquesfasciatus, uma vez que as larvas dessa espécie se proliferam em águas poluídas ou com bastante matéria orgânica”, explica dr. Paulo Roberto Urbinatti, 62, biólogo e entomologista da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Marcelo Zelli, 46, mora em frente de um piscinão, localizado na esquina da rua Baquiá com a avenida Aricanduva. O prestador de serviços conta que o aparelho público raramente recebe limpeza.

“Os governantes constroem piscinões e não realizam a manutenção. Com isso, surge essa infestação de pernilongos, fazendo com que a gente coloque telas nas janelas e gaste por volta de 100 reais por mês com inseticidas. A minha mãe se mudou de bairro por causa disso”, desabafa.  

Ele afirma que, em dez anos, o local recebeu pouca atenção da subprefeitura. “De vez em quando eles fazem pulverização, jogam um veneno na água e a infestação some. Então chove de novo, a água escoa para o piscinão e o problema volta.”

O controle da infestação depende de políticas públicas voltadas ao saneamento. Para o dr. Urbinatti:

“A remoção constante dos entulhos e do material argiloso que se acumula no fundo dos mesmos se faz necessário para evitar a proliferação das larvas desse mosquito”
Paulo Roberto Urbinatti, biólogo e entomologista da Faculdade de Saúde Pública da USP

PISCINÕES SÓ NO PAPEL

Placa indicativa do projeto, iniciado em 2015, seria concluído em abril de 2018 (Larissa Darc/32xSP)

Outro problema enfrentado pelo bairro é o atraso na construção de novos piscinões. Na rua Benedita de Paulo Coelho há uma placa indicando que o projeto, iniciado em 2015, seria concluído em abril de 2018.

Todavia, o terreno se encontra em situação de abandono, com mato alto, acúmulo de entulho e nenhum sinal de obras. Dos quatro piscinões previstos, apenas um está pronto.

“De vez em quando trazem terra de outro piscinão que está sendo construído e colocam aqui. Um amigo meu que trabalha na transportadora disse que eles fazem isso porque a pedreira é muito longe e eles estão fazendo o projeto aos poucos”, afirma Reginaldo de Castro, 43, morador da travessa.

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O mecânico culpa a mudança constante de governantes pelo atraso.

“Trocam de subprefeito toda hora e eles não têm noção do que está acontecendo, pois já pegam a construção em andamento. Só quem mora no lugar sabe o que acontece”
Reginaldo de Castro, morador do Aricanduva

No mês de fevereiro deste ano, Jurandir Junqueira Junior assumiu a subprefeitura do Aricanduva/Vila Formosa/Carrão. Em agosto de 2017, o subprefeito supostamente teria sido demitido por João Doria enquanto ocupava o cargo na região da Penha, também na zona leste.

Na época, a prefeitura afirmou que o major da reserva da Polícia Militar havia pedido para deixar o cargo, apesar da informação não constar no Diário Oficial.

OUTRO LADO

Em nota, a subprefeitura do Aricanduva/Vila Formosa/Carrão afirmou que “sendo o piscinão circundado de áreas com grama, embora estejam devidamente mantidas baixas, é normal nesta época do ano a presença de pernilongos. A Coordenação de Vigilância em Saúde (Secretaria da Saúde), através das suas UVIS (Unidades de Vigilância em Saúde), atua na área de Vigilância Ambiental e pode fazer o tratamento de desinfestação”.

A administração também se comprometeu a encaminhar uma solicitação para a realização da desinfestação.

Em relação às obras paradas, a assessoria alega que o projeto foi contratado e fiscalizado pela SIURB (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras).

Três distritos formam a subprefeitura de Aricanduva/ Vila Formosa