Ônibus cheio lidera queixas de paulistanos que circulam com crianças

24/10/2018 15:30 | Atualizado: 08/11/2018 10:07
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Segundo pesquisa sobre relação da criança com a cidade, lotação no transporte público é alvo de reclamação para 22% da população

22% dos paulistanos afirmam não circular de ônibus por causa da lotação (Priscila Gomes/32xSP)

“Eu gosto de andar de ônibus e adoro sentar na janela, mas as pessoas não me dão lugar. Vou em pé e daí me seguro pra não cair”, reclama Helena Almeida, 4. A pequena é filha de Rayane Cristyne, 28, vendedora, que evita usar o transporte público com as filhas devido ao desrespeito dos passageiros e lotação.

De acordo com a pesquisa “Viver em São Paulo: a criança e a cidade”, lançada neste mês pela Rede Nossa São Paulo e o Ibope Inteligência, a principal dificuldade encontrada por quem circula com crianças e adolescentes pela capital paulista é a lotação no transporte público, chegando a 22% de reclamações.

“A maioria das pessoas levanta para dar o assento, mas sempre tem quem não faz nada. Acho que os ônibus poderiam ter mais bancos reservados para quem precisa e ainda com destaque (sinalização) para pessoas com preferência”, sugere Rayane, moradora do Jardim Sobradinho, na zona norte.

Ela também representa os 11% da população que se queixa da falta de respeito em não ceder lugar. Ainda segundo o levantamento, 13% dos paulistanos utilizam outro meio de transporte que não o ônibus por conta da superlotação.

“O ônibus que pego demora muito para chegar. Ando com duas crianças, uma de 7 e outra de 3 anos, então é bem complicado. Porém, os motoristas são muito gentis e sempre esperam eu sentar e descer do ônibus com tranquilidade”, ressalta a cuidadora de idosos Juliana de Jesus Nolasco, 33, moradora da Vila Albertina, na zona norte.

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Julia de Jesus, 7, filha de Juliana, diz não gostar de tomar ônibus porque nunca consegue viajar sentada. “Sempre vou em pé, por isso não consigo segurar para não cair”.

Conforme aponta a pesquisa sobre a percepção da população em relação à criança na cidade, 5% da população reclama da ausência de lugares adequados para crianças no transporte público.

“Tenho quatro filhos de 14, 12, 5 e 3 anos idade. Pegamos ônibus todos os dias. As dificuldades são muitas, desde o ponto de ônibus, horários de pico, pessoas que não dão lugar e motoristas sem paciência de esperar subir ou sentar”, elenca a auxiliar de enfermagem Taiana de Jesus Oliveira, 36, que mora na zona leste. Para ela, é sempre um “perigo andar com uma criança no colo”.

Na Vila Butantã, região oeste da cidade, a situação não é diferente para a doula Monica Ramos, 32, mãe de duas crianças, de 2 e 8 anos. “Tudo é muito difícil: a distância, locomoção, falta de respeito e ainda local apropriado para criança. Não uso ônibus todos os dias, pego Metrô”, diz.

45% dos paulistanos moram ou são responsáveis por crianças ou adolescentes (Jariza Rugiano/32xSP)

A autônoma Dayene Alves, 27, tentou mudar a opção de transporte, mas não deu muito certo.

“Tenho duas crianças, de 3 e 5 anos. Já mudei o trajeto indo de Metrô, por ser mais rápido, mas as pessoas empurram muito e os lugares destinados para quem precisa são poucos”
Dayene Alves, moradora da Santa Cecília, região central

Já a operadora de caixa Danielle Martins, 29, reforça a falta sinalização no caminho da escola da filha de 5 anos.

“O ônibus que pego não demora, mas todos os dias eu atravesso a rua em um local que quase não dá para ver a faixa de pedestres. Então sempre atravesso correndo. É um direito meu passar para o outro lado com tranquilidade”, queixa-se a moradora do Jardim Tremembé, na zona leste.

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Assim como Danielle, outros 4% da população paulistana também reclamam da falta de sinalização nas ruas e avenidas (iluminação, faixa de pedestre etc.), de acordo com a pesquisa da Rede Nossa São Paulo. Enquanto 6% destacam a ausência da estrutura física dos ônibus e da distância percorrida.