Em 6 meses, empresa responsável por varrição na zona norte reúne 750 multas

01/02/2019 10:26 | Atualizado: 19/02/2019 12:23
Reportar erro Categorias + Notícias, Aricanduva/Vila Formosa, Casa Verde, Cidade Tiradentes, Ermelino Matarazzo, Freguesia do Ó/Brasilândia, Guaianases, Itaim Paulista, Itaquera, Jaçanã/Tremembé, Mooca, Penha, Perus, Pirituba/Jaraguá, Santana/Tucuruvi, São Mateus, São Miguel Paulista, Sapopemba, Temas, Vila Maria/Vila Guilherme, Vila Prudente, Zeladoria, Zona Leste, Zona NorteTags ,

R$ 3,8 milhões foram descontados por infrações em 2018. Zona leste é a região que tem maior número de reclamações dos serviços de limpeza

Lixo e entulhos se acumulam ao fim da rua Betari, na Penha (Felipe Paciullo)

Até junho de 2018, a varrição das ruas de São Paulo era de responsabilidade única das empresas Soma e Inova, contratadas pela administração municipal. Cada uma era responsável pela limpeza de um lote da cidade.

Em julho do mesmo ano, as prestadoras Trevo e Sustentare também foram contratadas pela Prefeitura e a varrição da cidade foi dividida em seis áreas de responsabilidade. Atualmente, Soma e Inova detêm dois lotes de limpeza cada uma; Sustentare e Trevo, possuem um lote cada.

LEIA MAIS
Subprefeituras somam gastos de R$ 752 mil por mês com aluguel

A nova contratada, Trevo, que faz a varrição de parte da zona norte da capital paulista e da Penha, na zona leste, reuniu 750 multas em seis meses de contrato. A concessionária recebe pouco mais de R$ 12 milhões mensais pela prestação do serviço.

Reunidas, as quatro empresas responsáveis pela varrição da cidade somaram 1.161 multas no ano de 2018.  

QUEM MULTA E FISCALIZA

As subprefeituras são responsáveis por fiscalizar os planos de trabalho das empresas contratadas para os serviços de varrição e avaliar sua execução e qualidade.

Antes de serem penalizadas, é emitido um comunicado com um prazo para que as empresas corrijam o problema e enviem fotos comprovando que o serviço foi executado. Se mesmo assim os prazos não forem cumpridos, é emitido um Auto de Constatação de Irregularidade Contratual (ACIC) para notificar a infração.

Em caso de postura corrigida, o ACIC é arquivado. Caso contrário, a Amlurb faz a publicação no Diário Oficial, cabendo recurso administrativo da contratada no prazo de dez dias. Se não houver recurso cabível, é realizado o desconto da penalidade.

NA REGIÃO DAS MULTAS

“Aqui eu não vejo ninguém varrendo a calçada. Geralmente são os próprios moradores que fazem por conta própria a limpeza na frente de suas casas”
Nelson Cobertino, 43, morador da rua Virajuba, em Brasilândia, na zona norte

Para Felipe Paciullo Ribeiro, 29, que reside na Penha, o problema é o entulho acumulado ao fim da rua Betari, onde fica a praça Jornalista Alexandre Kadunc.

“O lixo está lá há mais de um ano. Eu reconheço que esse é um problema que tem parte da culpa nos moradores e comércios que descartam lixo irregularmente no local. Mas nem todos os varredores fazem o serviço corretamente e acabam deixando sujeira”, comenta.

A Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb) informa que a varrição na rua Virajuba é realizada às segundas e quintas-feiras, no período diurno. Na rua Betari, a periodicidade de varrição é diária. A pasta também aponta que, no último ano, foram recolhidas 1.493 mil toneladas de varrição e entulho na área.

Ribeiro contatou a reportagem novamente e informou que a limpeza do entulho foi feita alguns dias após a entrevista.

Quem também reclama de nunca ter avistado agentes de limpeza varrendo a rua é Thaís Marques, 21. A jovem mora na rua Antônio Soares, no distrito de Tremembé, também na zona norte.

“Eu até achei que eles [funcionários da Prefeitura] nem faziam mais o serviço de varrição de ruas. Há dois anos o lixeiro também não entra mais na minha rua. Tenho que levar o lixo até o começo da via”, conta.

MULTAS X RECLAMAÇÕES

Agentes de limpeza carregam entulhos em Cidade Tiradentes (Reprodução Facebook)

Em 2018, o maior número de multas foi destinado à Inova, que tem como principal responsabilidade a zona norte. Entretanto, o maior número de reclamações feitas no canal 156, da Prefeitura de São Paulo, são referentes ao serviço de varrição da empresa Soma, que atua na maior parte da zona leste.

Ao todo, foram 3.056 reclamações sobre o serviço de varrição na região leste da capital. A zona norte teve 2.625 protocolos abertos no canal de reclamação do mesmo tipo.

Em 2018, as únicas empresas com multas descontadas foram a Inova (que atua no centro, na zona oeste e em parte da zona norte), com R$ 3 milhões, e a Soma, com R$ 866,4 mil, pagos pelas penalidades. As infrações descontadas foram acumuladas ao longo do tempo de contrato de outros anos.

VEJA TAMBÉM
Conselheiros da Mooca reclamam de falta de limpeza, terrenos baldios e pancadão

Em meio às reclamações na zona leste, distritos da região estão entre os dez com menor número de reclamações, como Cidade Tiradentes, com 43 queixas, seguido por Parque do Carmo (44), Ponte Rasa (49), José Bonifácio (52) e São Rafael (55).

“O bairro está mais limpo nos últimos anos, mas acredito que poderia ser melhor. Não culpo os agentes de limpeza, sempre vejo eles trabalhando. O problema também está em alguns moradores que jogam lixo em qualquer lugar”, pontua Anderson Trajano, 33, morador de Cidade Tiradentes.

Veja onde tem banheiros e a situação de limpeza nos trens e metrô