7 em cada 10 mães paulistanas cuidam sozinhas ou quase sozinhas dos filhos

14/03/2019 12:42 | Atualizado: 25/03/2019 15:29
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Estudo mostra que houve aumento no total de mulheres que não dividem o cuidado dos filhos e recuo entre as que dizem ficar mais tempo com eles do que outra pessoa

Damares Duarte foi mãe aos 18 anos e cuidou sozinha da filha (Arquivo pessoal)

Damares Duarte tinha apenas 18 anos quando descobriu que seria mãe. Na época, a jovem precisou se virar sozinha para cuidar da criança. “Não foi fácil. Eu sustentei a minha filha sem a ajuda de ninguém por muito tempo. Hoje ela tem 20 anos e é uma mulher forte, estudiosa e trabalhadora”, conta a moradora do Conjunto Residencial Padre Manuel da Nóbrega, na zona leste de São Paulo.

Assim como a manicure, 69% das mulheres paulistanas cuidam sozinhas ou quase sozinhas dos filhos em São Paulo, como mostra a pesquisa “Viver em São Paulo: Mulher e a Cidade”, divulgada na última terça-feira (12).

Das 416 entrevistadas, 70% afirmaram ter filhos, sendo que 36% delas ficam mais com a criança do que outras pessoas, e 33% não dividem o cuidado com ninguém.

Em 2018, 43% ficavam mais com o filho do que a outra pessoa que cuida dele e 27% das mães relataram cuidar de seus filhos sozinhas.

Em outras palavras, aumentou o número de mães que cuidavam sozinhas dos seus filhos e diminuiu o total daqueles que dividem o cuidado com outras pessoas.

A autônoma Andréa Silva, 28, contou com a ajuda dos avós da criança para encarar a maternidade.

“Como eu estava desempregada e não conseguia um emprego fixo, dependia da ajuda dos meus pais. Acabou que o meu pai pegou um amor tão grande pelo neto que quis assumir como um filho”
Andréa Silva, autônoma

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O ABANDONO PATERNO

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre 2005 e 2015 o número de mães solteiras no Brasil passou de 10,5 milhões para 11,6 milhões. Os dados conversam com o levantamento do Censo Escolar de 2011, no qual 5,5 milhões das crianças estavam sem o nome do progenitor na certidão de nascimento.

“Meu filho, que fez oito anos mês passado, não tem o nome do pai na certidão. Eu cheguei a correr atrás, mas o pai não quis saber e até hoje não quer. Enfrentei muitas críticas pelo meu filho não conhecer o pai”, desabafa Andréa.

DIVISÃO DAS TAREFAS DOMÉSTICAS

Outro desafio é conciliar trabalho, tarefas domésticas e cuidado com os filhos. Um estudo realizado pela Universidade Nacional da Austrália aponta que as mulheres gastam, em média, 4,5 horas em tarefas domésticas, enquanto os homens contribuem com menos da metade desse tempo.

Damares faz questão de dividir as atividades com os moradores da casa.

“Hoje eu sou casada e mãe de mais um adolescente e uma criança. Cada um aqui em casa faz a sua parte porque quero que meus filhos sejam pessoas independentes”
Damares Duarte, manicure

“Acredito que se criarmos meninos responsáveis e conscientes podemos diminuir os problemas de violência e abandono paterno. Na minha opinião, isso é empoderamento”, finaliza.

ERRATA: Anteriormente, a reportagem havia informado que a “7 em cada 10 mães paulistanas cuidam sozinhas dos filhos”. O título correto, no entanto, é: “7 em cada 10 mães paulistanas cuidam sozinhas ou quase sozinhas dos filhos”. O subtítulo também havia informação equivocada e foi modificado de “Índice é três vezes superior à 2018, quando 27% das entrevistadas relataram não dividir o cuidado com ninguém, segundo pesquisa da Rede Nossa São Paulo” para “Estudo mostra aumento no total de mulheres que não dividem o cuidado dos filhos e recuo entre as que dizem ficar mais tempo com eles do que outra pessoa”.

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